O “golpe” dentro do golpe

Fernando Rosa

A proposta de “eleições gerais”, neste momento, resulta objetivamente em tentativa de “golpe” dentro do golpe. A sua defesa vinha sendo feita por setores envergonhados que costearam o alambrado dos golpistas. No momento, tem gente séria, mas equivocada, que passou a defender a posição como alternativa para superar a crise institucional.

No entanto, é preciso explicar claramente para a população as condições objetivas para viabilizar a tese. Em primeiro lugar, é preciso 3/5 dos votos, tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. Ninguém em sã consciência pode acreditar que aquele “plenário” que vimos no domingo venha a apoiar a proposta – o seu “impeachment”.

A simples realização de novas eleições não é garantia para que os novos eleitos sejam respeitados. O que ainda está em disputa é o respeito às regras do jogo, ao resultado das urnas. Ou seja, a garantia da democracia como centro de coexistência pacífica entre os diferentes interesses nacionais e setores sociais.

O que verdadeiramente precisa ser feito, agora, é denunciar amplamente a existência de um “golpe americano clássico”. Por trás da luta entre o golpe e a democracia está o interesse geopolítico e econômico pelo petróleo brasileiro. É mais do que evidente que o que assistimos hoje começou a ser gestado quando Lula anunciou a descoberta do Pré-Sal.

A presidenta Dilma apontou para o “espírito golpista” que insiste em manter-se vivo como um zumbi na sociedade brasileira. Mas é preciso ir mais fundo, deixar claro para a sociedade que o golpe busca atingir a soberania, a infraestrutura e a defesa nacional. Não por acaso, os alvos da operação Lava Jato, desde sua origem, foram o empresário Marcelo Odebrecht, o Almirante Othon e Lula.

Aliado a isso, é fundamental consolidar e ampliar a consciência do movimento de resistência popular, talvez o mais vigoroso registrado na história do país. A sociedade brasileira precisa passar por essa experiência com radicalidade para testar, desnudar e fortalecer as suas instituições democráticas. Um atalho de corte apenas eleitoral é construir a instabilidade presente e futura.

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