O golpe é um golpe porque é um golpe

Fernando Rosa

“Não posso terminar minhas palavras sem mencionar o grave momento que vive o Brasil. A despeito disso, quero dizer que o Brasil é um grande país, com uma sociedade que soube vencer o autoritarismo e construir uma pujante democracia. Nosso povo é um povo trabalhador e com grande apreço pela liberdade. Saberá, não tenho dúvidas, impedir qualquer retrocesso”. 
– Presidenta Dilma, na ONU, hoje.

Vamos falar sério sobre o golpe? Primeiro, tirando do tabuleiro o argumento da crise econômica, usado pelos golpistas. Nas manifestações de rua de 2013, a economia estava legal. Também o tema da queda de popularidade. Em 2013, Dilma estava com altos índices de aprovação. Mesmo assim, as ruas “explodiram” em protestos.

Da mesma forma, vamos afastar a questão da existência ou não de “crime de responsabilidade” para definir o impeachment. É evidente que não tem “crime” nenhum, que se trata apenas de um álibi dos criminosos. Todo mundo sabe disso, o STF – incluindo os ministros golpistas, os governadores, um grande número de prefeitos, juristas sérios.

Então, resta a verdade pura e simples. O golpe é um golpe porque é um golpe. Um golpe urdido desde o momento em que Lula anunciou a descoberta do Pré-Sal. Um golpe que teve seu epicentro nas “manifestações de 2013” – articuladas, manipuladas, impulsionadas desde fora. Um circo para atiçar a ira de classe dos “coxinhas”. A “primavera árabe” verde e amarela.

Um golpe armado por gente profissional, que planeja e dispara as ações em seus tempos políticos. Um golpe pensado, que cooptou agentes do estado para a sua execução. Um articula as petroleiras, outros agem na PF, na PGR e no STF, conspiram no Executivo, no Legislativo, enquanto um juiz detona operações e “vazamentos” semanais. O cartel da mídia dispara suas “bombas” diárias e os empresários “investem” no negócio.

Assim como em 1964, os golpistas tentam dourar a pílula. Esforçam-se desesperadamente para dar um ar de legalidade ao golpe. Nisso, destaca-se a parceria da Rede Globo com determinados ministros do STF. “Impeachment não é golpe” é o bordão – mas esquecem que, para isso, precisa ter “crime” – o que não tem. Por eles, Dilma não teria nem o direito de defesa. Mas falta um “exército” para isso.

As ruas já mostraram que o golpe não tem futuro. Podem afastar Dilma, Temer assumir, mas jamais governarão. Os cidadãos, a juventude, a sociedade civil  já declararam sua insubmissão aos golpistas. Um governo que emerge de um golpe é um governo ilegítimo. É a cara de um Brasil do passado, que o mundo está execrando. O Brasil de verdade é o da resistência, de Dilma, de Lula e de todos os brasileiros livres. Somos maiores que o golpe. Venceremos.

 

 

 

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