O fim do mundo unipolar

Felipe Camarão – Começam a mover-se as grandes placas tectônicas do mundo. O capitalismo enfrenta a maior crise econômica depois de 1929.

Desde Nixon, que quebrou a paridade entre o dólar e o ouro, convertendo o dólar em moeda mundial, passando pela fúria neoliberal de Reagan e Thatcher, que liberaram as forças especulativas do capital financeiro promovendo uma imensa desindustrialização dos países centrais e, agora, com a crise de 2008 promovendo a quebradeira de instituições financeiras, particularmente nos EUA e Europa, avizinha-se o fim dos escombros dos acordos de Bretton Woods que regulava as relações econômicas e financeiras entre as principais potencias.

A crise que eclodiu em 2008 está muito longe de ser superada e aguarda uma nova e mais letal explosão, com desfecho recessivo muito mais profundo. Hoje, a manutenção do dólar como moeda mundial, e todo o arcabouço que isso encerra, é um entrave ao desenvolvimento das forças produtivas mundiais. Na era em que ingressamos, de agressividade crescente do imperialismo norte americano, combalido economicamente, mas mais agressivo, retomando uma retórica da guerra fria e rufando os tambores de guerra, a humanidade encontra-se no limiar de grandes convulsões econômicas e sociais.

Nas grandes crises de outrora, na guerra franco-prussiana de 1870-1871, onde a Alemanha se unifica e disputa seu lugar entre as potências imperialistas europeias; na 1° Guerra Mundial de 1914-1918, com novo choque entre as potencias imperialistas da Europa, que marca o declínio do imperialismo inglês e o ascenso do americano e a vitória da primeira revolução socialista com a criação da URSS; e na 2° guerra, com a derrota do nazi-fascismo, temos a afirmação dos EUA como principal potência imperialista e a consolidação do campo soviético. Em todos estes momentos, a multipolaridade e um relativo equilíbrio de forças entre os contendores era um fator comum. Com o fim da URSS, estabeleceu-se um mundo unipolar, com os EUA se impondo ao mundo como potencia hegemônica.

Três traços diferem o imperialismo atual do existente nas primeiras décadas do século passado. O imperialismo é a política do capital financeiro, a fusão do capital bancário e industrial, disputa as fontes de matérias primas e tem na guerra seu instrumento para impor seus interesses. No entanto, paradoxalmente, quando na era Reagan liberam as amarras, a especulação financeira desenfreada promove uma intensa desindustrialização dos EUA e da Europa, notadamente da Inglaterra. Mesmo com a ALCA, a migração dos capitais vai no sentido da Ásia. Emerge a China como 2° economia do mundo. No Brasil, o que vimos neste período no governo FHC e suas privatizações não foi uma invasão majoritária de capitais americanos. Mesmo participando da abertura do setor petróleo, com o advento da lei 9478, as empresas americanas e inglesas não foram as principais protagonistas estrangeiras.

Esta migração de capitais para a Ásia em busca de melhores taxas de lucro enfraqueceu as bases industriais dos países centrais, particularmente dos EUA. A economia americana vê crescer, portanto, o setor de serviços como seu pólo mais dinâmico. E por outro lado muda substantivamente a cadeia produtiva mundial; de grandes exportadores de capital e produtos, os EUA, cada vez mais, dependem de financiadores ao seu déficit comercial e financeiro. Com o crescimento da economia asiática, particularmente a chinesa, esta torna-se o dínamo do mundo. No setor de fármacos, 70% dos insumos são produzidos na China ou Índia; os componentes eletroeletrônicos e de informática majoritariamente são produzidos na Ásia; a Boeing transfere seu centro de pesquisas para a Rússia etc. A maior parte dos rendimentos das grandes corporações americanas vem de fora dos EUA.

Por outro lado, com o fim das limitações sobre a especulação nos EUA, o capital financeiro assume uma fisionomia ainda mais perversa. Os rendimentos nesta imensa ciranda superam em muito as de capitais alocados na esfera produtiva, drenando recursos da economia real e dilapidando as finanças dos estados nacionais. A reprodução ampliada do capital é pervertida por essa imensa nuvem de gafanhotos que paira sobre a economia mundial. De cada US$ 100,00 na economia mundial, US$ 85,00 estão alocados no rentismo. Tornou-se o maior entrave ao avanço das forças produtivas mundiais. A crise do sistema financeiro americano, em 2008, demonstrou a que nível a fragilidade do sistema chegou.

Por fim, iniciou-se com a guerra do Iraque uma época de destruição do Estado Nacional. Guerras de destruição como essa se espalharam pela Líbia e Ucrânia. Não são guerras para apropriar-se das riquezas destes países, mas sim para impedir que produzam. Os primeiros investimentos em petróleo no Iraque após a guerra de 2003 contra Saddan Hussein foram feitos pela CNPC, companhia chinesa no campo de Kut, com contrato firmado em 2008 e inicio da produção em 2011 – os primeiros investimentos em energia em 30 anos.

Se o controle do mercado de petróleo foi decisivo para afirmar o dólar como moeda mundial na década de 70 com os petrodólares, hoje é uma seria ameaça ao mesmo. Como China é o maior importador mundial, fazer suas trocas em sua moeda seria um sério golpe ao controle do mercado petrolífero pelos EUA. O país que mais aumentou a produção nos últimos anos foi os EUA com o “shale gás” e “shale oil” diminuindo significativamente suas importações. Caso mantivesse seu ritmo de expansão, tornar-se-ia auto-suficiente novamente até 2020, podendo até voltar ao mercado exportador. Mas isso entrou em choque com o capital financeiro.

Auto-suficiência, fim da dependência do mundo árabe, ameaçavam fazer ruir todo o edifício geopolítico no Oriente Médio e as relações com os sauditas, grandes exportadores para a China. Com a queda dos preços do petróleo, que chegaram a U$ 30,00, inviabilizaram e dizimaram a produção americana. A necessidade de destruição de forças produtivas numa escala nunca antes vista é imperativo para a continuidade da hegemonia americana e sua moeda como meio de troca mundial. A própria existência de Estados Nacionais, com alguma capacidade de articular seus interesses, está em cheque pelo capital financeiro. Que sinaliza com aumento das taxas de exploração acabando com conquistas sociais em tudo o mundo.

Na arena mundial perfilam três grupos principais, os EUA secundados por seu fiel escudeiro a Inglaterra, a Europa de Maastricht com a Alemanha, a França e Itália e a China e Rússia.

Após a crise de 2008, os EUA retomam a retórica belicista com ações agressivas ao redor do mundo. Com as revoluções coloridas iniciadas no ano 2000 na Servia (revolução Bulldozer), na Geórgia (revolução Rosa) em 2003, na Ucrânia (revolução Laranja) em 2004, e no Quirguistão, em 2005, a violenta revolução das Tulipas. Através de órgãos como a CIA, USAID, National Endowment for Democracy e a Open Society Foundation de George Soros, os EUA instalaram governos pró-americanos.

A partir da crise de 2008, grupos fascistas promovem em 2013 o assalto ao governo da Ucrânia, mergulhando o país numa guerra civil; enquanto a violenta destituição de Kadafi em 2011, que destrói o estado Líbio, mergulha o país no caos. A Primavera Árabe também varreu o norte da África e o Oriente Médio, da Tunísia, Egito, Argélia, Bahrein, Djibuti, Iraque, Jordânia, Omã, e com menor intensidade o Kuwait, Líbano, Mauritânia, Marrocos, Arábia Saudita, Sudão e Saara Ocidental. Todas com a mesma técnica de assalto ao poder, manifestações de massas, mídias sociais. E o maior assalto ao poder de todos, a guerra civil na Síria.

O assalto e desestabilização do mundo árabe e da África para o imperialismo americano cumpre papel estratégico de minar suas economias e seus vínculos com a Europa. Foi por acordo pelo petróleo líbio que foi morto Enrico Mattei. Mas também é um fato que cria a xenofobia europeia, assolada por crise e desemprego, com o fantasma da imigração sendo caldo de cultura para o crescimento do fascismo.

Na guerra civil síria o terrorismo do Daesh, o Estado Islâmico, é instrumento dos EUA, Inglaterra, Turquia e Arábia Saudita. Por seu papel estratégico de alternativa de escoamento do petróleo árabe para a Europa, e por possuir a única base militar russa no mediterrâneo, em Tartus, a Síria era país a ser esquartejado entre os países imperialistas, a Turquia com seus devaneios otomanos e os sauditas. Seria a redefinição do acordo de Sikes-Picot a maneira americana. A firme ação militar da Rússia, assestando golpes demolidores no Daesh, e abrindo portas para um caminho diplomático para a definição do conflito sírio, frustrou por hora esse intento. 

Mas a tensão na região permanece, e seus efeitos na Europa foram devastadores, com o atentado do Estado Islâmico em Paris, e agora o de Nice, e principalmente com o recrudescimento da xenofobia e do fascismo. A tentativa frustrada de golpe na Turquia, capitaneada pelos EUA e pela OTAN visava impedir sua reaproximação com a Rússia. Erdogan sempre jogou entre suas relações com a Europa e os EUA e a Rússia e o Irã. Após a derrubada do caça russo e das vitórias militares dos russos na Síria, sofreu severas sanções econômicas por parte de Putin, que abalaram a economia turca. Sem seu anterior espaço de manobra, procura distensionar sua relação com a Rússia.

A crise na Ucrânia, elo chave de escoamento do gás russo que abastece a Europa, visa não só criar uma zona de cerco a Rússia como também cortar e destruir os laços entre a Rússia e a Europa. O caso do Mistral, porta-helicópteros comprado e pago pelos russos dos franceses e não entregue é emblemático. Da mesma forma, o cancelamento do South Stream, gasoduto russo que abasteceria a Bulgária, Grécia, Romênia, Itália e Áustria e a oposição ao Nord Stream 2, gasoduto russo-germânico, pelo Mar Báltico, direto sem passar por outros países.

A Europa depende da energia russa, obstaculizar esses investimentos é impedir seu crescimento. A Europa, na visão americana, continua sendo uma terra ocupada sem direito a pensar seu caminho próprio. Na mesma direção está a escalada crescente das provocações dos EUA e da OTAN contra a Rússia, com as sucessivas manobras e bases militares a um cenário pré-guerra. No âmbito do Pacífico, cenário de conflito apontado pelo Pentágono, a afirmação da soberania chinesa sobre as ilhas de seu mar territorial é centro da disputa. Essa região é a principal rota de marítima do comércio mundial hoje e cumpre papel estratégico do ponto de vista militar.

Entre uma decadência econômica e o fim de um mundo unipolar e uma retórica guerreira, os Estados Unidos tomaram sua opção antes que a economia faça sua parte.

A Alemanha, a França e a Itália, que se reconstruíram após a 2° Guerra Mundial, criaram o Mercado Comum Europeu e, diante da ofensiva do neoliberalismo na década de 90 respondem com Maastricht, criando sua própria moeda e um mercado único sem tarifas. Sofreram também com o crescimento da China e da Ásia e a reorganização da cadeia produtiva mundial. Após a crise do sistema financeiro mundial de 2008, com seu epicentro nos EUA, em 2011 todos os países europeus são sacudidos pelo cataclisma; Espanha, Portugal, Grécia, Itália e Irlanda são levadas a uma violenta recessão. Todos os investimentos alemães e franceses na unificação européia são cobrados para evitar a falência da banca. Logo a Alemanha que nunca pagou nenhum débito de guerra… É sobre os povos europeus que recaem os prejuízos dos banqueiros.

O capital financeiro alemão faz com a Europa o que não conseguiu na 2° Guerra. O resultado de tal política é a ameaça cada vez mais séria de fragmentação. O recente plebiscito que afastou o Reino Unido da União Europeia foi um duro golpe nas pretensões de uma Europa unida. Mesmo sem adotar o euro como moeda, e ter o status de membro com várias regalias, a decisão lança o mundo em um mar de incertezas. O Reino Unido era a porta de entrada financeira da União Europeia. Isso fará aprofundar a recessão no continente e castigará ainda mais a economia inglesa.

O afastamento da Europa coloca em cheque a existência do Reino Unido como tal, Escócia e Irlanda não assistirão passivas o imenso prejuízo econômico por afastar-se da Europa. O recente plebiscito em que a Escócia decidiu permanecer no Reino Unido pode ser revisto. O aprofundamento da crise inglesa e europeia será o resultado da decisão. Para o imperialismo norte-americano é um sério golpe ao euro e do ponto de vista militar é um revés as pretensões da Alemanha e França. Com poderio similar aos franceses, os ingleses neutralizam quaisquer pretensões a um posicionamento independente dos EUA.

O bloco Rússia e China é o único que pode, mesmo com enorme disparidade de forças, fazer frente militarmente aos EUA. A Rússia que superou a crise de 2008 e vivenciou com Putin um forte crescimento econômico puxado centralmente por sua indústria petrolífera e bélica. Que junto a isso, realiza uma bem-sucedida modernização de suas forças militares com o lançamento de modernos submarinos, particularmente os da classe YASEN e BOREI, os modernos caças T-50, o tanque ARMATA, as baterias antimísseis S-400 e S-500, os mísseis SARMAT, novos radares “anti-stealth”, entre outros. E que começou a explorar o petróleo off-shore no mar Báltico, sendo o único país a fazê-lo nesta enorme jazida.

É o gás russo que abastece a Europa e essa é sua principal parceira econômica. O embargo imposto pelos EUA, e acatado pelos europeus foi um baque para ambos, o que, juntamente com a queda do preço do petróleo, levou a economia russa à recessão. A Russia retaliou e embargou os produtos alimentícios europeus, procurando outros países, entre os quais o Brasil, como fornecedores de produtos agrícolas. O início da construção de um mega gasoduto Rússia-China em 2014, considerado um novo patamar de relações entre os dois países, minimiza as chantagens européias e americanas, encontrando um novo mercado para o gás russo, e essa relação garante uma melhoria substantiva à segurança energética chinesa.

O peso e o papel da Rússia de Putin podem ser medidos pelo agravamento da crise ucraniana. O plebiscito realizado na Criméia referendou seu ingresso na Federação Russa, aprovado por larga maioria. Quando da queda do avião MH-17 sobre território ucraniano, minutos antes passou o avião presidencial que conduzia Putin de volta a Russia vindo do Brasil onde participou da fundação do banco dos BRICS em Fortaleza. As sucessivas ações da OTAN no Báltico, Polônia, Ucrânia elevam a temperatura forçando os russos a reforçar suas defesas. Em resposta às tentativas de asfixia econômica, Putin procura diversificar parceiros comerciais e trabalha para retomar os laços com a economia européia.

A China após a crise de 2008, com a recessão grassando nos EUA e Europa, cresce a taxas mais baixas, e faz um movimento de fortalecer substantivamente seu mercado interno. Esse movimento produz uma forte baixa nos preços das “commodities”, afetando a economia mundial e, particularmente, o Brasil. Também realiza forte exportação de capital, pela Ásia, África, América Latina, Oriente Médio e Europa.

Na Europa, principal parceira comercial dos chineses, seus investimentos particularmente na Inglaterra são expressivos. Com a criação do banco dos BRICS e do BAII, banco asiático de investimento em infraestrutura, firmaram-se fortes instrumentos para fazer frente ao Banco Mundial, controlado pelos EUA e pelos europeus. Com mais de US$ 4 trilhões em reservas, procura transformá-los em investimentos, antes que virem pó. Não é casual que na semana em que os chineses iniciam a construção do Canal da Nicarágua, os EUA restabelecem relações com Cuba, nem as pressões entreguistas contra o porto de Mariel. Sob forte pressão do Secretário de Estado americano, a Austrália desistiu de participar do BAII. Das grandes economias mundiais, somente os EUA e o Japão ficaram de fora do BAII. O projeto da Ferrovia Transoceânica, ligando a costa brasileira ao Peru, no Pacifico, é outra grande obra de infraestrutura dos chineses. Essa obra estratégica, criando uma linha vital de crescimento no Brasil, é fundamental para a segurança alimentar chinesa, bem como porta de entrada de seus produtos no continente. Promove um desenvolvimento acelerado de seu poderio bélico.

A Índia, o segundo país mais populoso do planeta, teve forte crescimento econômico, e a sua inserção na cadeia global é de fornecedor de fármacos, software e maquinas, posicionado-se ao lado dos BRICS. Tem como seus principais parceiros econômicos a China, a Arábia Saudita e os EUA. Com um conflito latente com o Paquistão, que a põe em estado de guerra permanente, possui a segunda força militar do Pacífico. Mantém antigas relações com a Rússia, desde a URSS até hoje com Putin. É com os russos que se abastece de seu material bélico mais sofisticado. Entrou no desenvolvimento do caça de 5ª geração, o T-50, em parceria com a Russia desenvolveu um míssil, o Brahmos, a partir de um míssil naval russo, arrendou dois submarinos nucleares da classe Oscar II da marinha russa e comprou um porta-aviões, o INS Vikramaditya, transformado a partir do Almirante Gorshkov. Tem armas nucleares e uma crescente indústria bélica.

Na América Latina, com a eleição de Hugo Chavez, em 1998, inaugura-se um período de governos progressistas em todo o Continente. A eleição de Lula no Brasil em 2002, de Fernando Lugo no Paraguai em 2008, de Rafael Correa no Equador em 2007, de Nestor Kirchner na Argentina em 2003, de Evo Morales na Bolívia em 2004, e, em 2005, Tabaré Vásquez, no Uruguai. São governos que sucedem governos neoliberais responsáveis por promoverem concentração de renda e aprofundaram os conflitos sociais. Com as “commodities” em alta, um ciclo de redistribuição de renda e fomento dos mercados internos fez a América Latina superar um período recessivo.

Porém, sua inserção na economia mundial deu-se em detrimento de uma desindustrialização das economias locais. Com baixa produtividade e padrão tecnológico obsoleto, a região viveu uma queda em sua capacidade produtiva. Com a crise de 2008, Lula reage incrementando o mercado interno, com ferramentas creditícias e fiscais. Esse alento propicia um forte crescimento da economia brasileira via crescimento da demanda interna.

No entanto, a falta de uma visão articulada da inserção na economia mundial com proteção e fomento da indústria local, como se meramente a participação em organismos internacionais fosse garantir os interesses nacionais, revelou-se um trágico acontecimento e combustível para retrocessos, com a queda do preço das “commodities” após a crise de 2008. Viu-se serem ceifados milhares de empregos e acentuar a dependência de artigos industriais importados. Com pequenos nichos de excelência, como o conteúdo local na contratação de bens e serviços na indústria petrolífera brasileira, pouco se fez pela industrialização no Continente. Nesse período, os investimentos chineses e russos marcam sua presença em vários países como Venezuela, Bolívia, Argentina e Brasil, etc. A China converte-se na maior exportadora de capital para a América Latina com 250 bilhões de dólares aportados em 2015 em praticamente todos os países do continente.

A estes fatos econômicos abre-se, de forma objetiva, a janela para o Continente desenvolver-se sem a subordinação aos EUA. Esta é a principal razão da contraofensiva reacionária na América Latina.

O caso de Honduras, em 2009, quando o então presidente hondurenho Manuel Zelaya foi tirado à força de sua casa e colocado em um avião que o levou para a Costa Rica; ou do Paraguai, em 2012, quando em menos de 48 horas o Congresso Nacional votou pelo impeachment relâmpago de Fernando Lugo; e, agora, o afastamento da presidenta Dilma no Brasil, mostram o mesmo método, por meio da captura de instituições do Estado pela direita, aproveitando das fragilidades políticas dos governos locais.

O imperialismo reage com uma política de recolonização selvagem, com a quebra de direitos sociais, privatizações, fim ao ensino gratuito, serviços de saúde com os estados postos a serviço do capital financeiro. Até a dissolução das FFAA, ou sua transformação em meros capitães do mato do imperialismo, está em questão. Tal política levará a luta de classes na região a um novo patamar muito mais agudo. O custo econômico e social de tal projeto fara emergir poderosos movimentos de defesa nacionais contra essa regressão colonial.

A falência do pensamento progressista mundial, incapaz de formular a defesa das Nações perante o neoliberalismo e a nova situação da economia mundial só encontra similar na falência da II Internacional às vésperas da I Guerra.

Na Europa, a socialdemocracia assume um discurso pan-europeu e deixa a bandeira da Nação na mão da direita. Na América Latina, a resignação a uma inserção à economia mundial sem um Projeto Nacional claro e de defesa de sua indústria, aliada à queda do preço das commodities, cobra seu preço com o surgimento do fascismo.

Sem nada a oferecer a não ser o aprofundamento da crise do capitalismo mundial, o imperialismo americano joga na destruição das forças produtivas como meio de manter seu status quo.

A roda da história começa a mover-se e, destes conflitos vindouros, o futuro dos povos e Nações estarão em jogo. Das grandes convulsões ao redor do mundo, particularmente na Europa e na América Latina, surgirá o novo, com a libertação de Nações e o progresso social.

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