O programa de Temer tem a cara da “sessão de horrores”

Fernando Rosa

O “programa” de governo de Temer e os golpistas parece encontrar correspondência no “circo de horrores” daquele domingo e na “defesa” de Janaína Paschoal nesta quinta-feira. Não se sabe se vazados para testar a opinião pública, ou se obra de “ministros” incautos, alguns dos pontos são suficientemente assustadores como o voto dos deputados e os argumentos de Paschoal. O que se pode antever, no entanto, é que se levados à prática, o país viverá momentos de alta combustão nas ruas, nas fábricas, no campo e nas escolas e universidades.

Entre as medidas anunciadas, por exemplo, está “focar” os programas sociais em apenas 5% da população brasileira, o que já sinaliza o ataque ao povo mais pobre e suas condições de vida e sobrevivência. O resultado imediato dessa política é afastar cerca de 40 milhões de pessoas do Bolsa Família e liquidar com o programa Minha Casa Minha Vida, além do Mais Médicos. Também alvo dos golpistas, a educação sofreria um brutal ataque, com privatização do ensino médio e universitário e fim dos programas como FIES, Pró-UNE e Ciência Sem Fronteira.

No terreno sindical, a ameaça aos direitos dos trabalhadores, bem como às suas instituições de organização e defesa já está posta na mesa pelos patrões do golpe – a FIESP, a CNI e a CNA. Assim como rasgam a Constituição Federal para tentar dar o golpe, ameaçam detonar a CLT por meio da imposição de negociações individuais, do fim da política de valorização do Salário Mínimo e da destruição da estrutura sindical. Aos aposentados, está reservado a imposição da idade mínima para aposentadoria aos 65 anos e a desvinculação da correção dos benefícios do Salário Mínimo.

Ao anunciar, ou sugerir, que o senador José Serra será um uma espécie de “ministro do exterior” com super-poderes (?) , isso quer dizer que a Petrobras e Pré-Sal vão entrar na Bacia das Almas – o objetivo estratégico do golpe. No mesmo terreno, planejam que as privatizações corram soltas, especialmente nos Estados, onde estatais também seriam torradas no balaio da velha e clássica privataria tucana. Ainda, a redução de ministérios, ou seja, a redução do estado, ao final, de seu papel no atendimento às necessidades da população, completam a fórmula dos golpistas para satisfazer a sanha da banca internacional e da velha elite brasileira.

Até o momento, os golpistas conseguiram unir contra eles os setores organizados da sociedade, que se levantaram em todos segmentos sociais e regiões contra a tentativa de golpe – além da mídia internacional e lideranças mundiais. A implementação do “programa” golpista empurrará para o campo de luta aberta os mais pobres, os trabalhadores, aposentados e até mesmo parcelas da classe média ainda iludida com o “combate à corrupção”. É fundamental, portanto, que a Frente Brasil Popular, os movimentos sociais e os partidos estejam abertos para incorporar as novas adesões, bem como as novas formas de luta.

lula-paulista

São Paulo- SP- Brasil- 18/03/2016- Ex-presidente Lula, durante ato em defesa da democracia, na avenida Paulista. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula

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