O derradeiro crime da elite brasileira?

Fernando Rosa

A Operação Lava Jato já cumpriu boa parte do roteiro desenhado pelo comando do golpe, localizado no exterior, como sugeriu o jurista Marcelo Lavenére. Não precisa ser muito esperto para perceber a sincronia das das denúncias, das prisões, das delações e da ação posterior da PF, do MP e da PGR. Ao contrário de apurar a corrupção sistêmica do processo de financiamento eleitoral brasileiro, os operadores internos da Lava Jato miraram apenas em um setor empresarial e em um partido político.

“No Brasil, Washington usou insinuações de corrupção para obter a cassação da presidente Dilma Rousseff pela Câmara. Evidências não são necessárias, apenas alegações. Não são muito diferentes de “armas nucleares iranianas”, “armas de destruição em massa”, de Saddam Hussein “uso de armas químicas,” de Assad ou, no caso de Dilma, meramente insinuações”, escreveu Paul Craig Roberts, colunista do Wall Street Journal e ex-secretário Assistente do Tesouro no governo Reagan.

O golpe, no entanto, ainda está no meio do caminho, e precisa consolidar-se com a afirmação de um novo poder capaz de controlar a nova situação, pelo convencimento ou pela repressão. Os quadros envolvidos, bem como as forças que disputam espaços já evidenciaram que, se depender deles, não haverá estabilidade política no processo. Por outro lado, o “programa” sinalizado por Temer, em sua “ponte para o futuro”, é uma caixa de maldades que agregará à ilegitimidade democrática uma enorme revolta popular.

Ao impedir Lula de assumir o ministério, a decisão do procurador geral da República, Rodrigo Janot, combinada com o juiz Sérgio Moro e setores da PF,  cumpriu o primeiro ato decisivo do golpe. Enquanto isso, o Supremo Tribunal Federal, cumpria outra função, a de deixar o deputado Eduardo Cunha livre para seguir com a ação criminosa, agora no terreno legislativo. Antes, o juiz Sérgio Moro havia tentado sem sucesso sequestrar o ex-presidente Lula, impedido pela resistência popular no aeroporto de Congonhas.

Diante desses fatos, é preciso considerar seriamente o que está previsto nos planos dos golpistas, não os mequetrefes internos, mas o pessoal ali de fora, a quem Lavenére se referiu. Já é comum nas conversas de bar o papo de que “Lula será preso”, como se isso fosse uma realidade inexorável, e sem consequências – seria a cereja do bolo golpista. É evidente que para os golpistas a melhor situação imediata e futura será ter Lula inelegível, preso ou quem sabe morto.

Os golpistas sabem da imprudência estratégica e histórica da última hipótese, no caso do Brasil, mas é bom não esquecer o destino que tiveram as autoridades e lideranças politicas de diversos países nas guerras por petróleo e outros interesses econômicos. Getúlio Vargas foi levado ao suicídio, Salvador Allende teve o Palácio de Moneda bombardeado, Saddan Hussein foi enforcado e Kadafi fuzilado. Independente do perfil e da importância de cada liderança, o fato é que o “método” de aniquilamento das lideranças nacionais se mantém o mesmo, desde sempre.

O “novo governo”, não apenas por golpista e ilegítimo, mas por ser inviável do ponto de vista de projeto econômico e social, não se manterá de pé, desde sua posse provisória. Por outro lado, as pesquisas eleitorais, mesmo falseadas em seus resultados, apontam Lula como a principal liderança ainda capaz de mobilizar amplos setores da sociedade. No entanto, a mesma autoridade que deu o primeiro golpe ao impedir a posse como ministro, já “vendeu” para a mídia golpista o seu pré-julgamento sobre Lula.

O que faz com que, desde já, todos os homens de bem do país fiquem em estado de alerta para impedir que os golpistas cometam qualquer bobagem incendiária. Lula é uma bandeira da nacionalidade brasileira moderna, uma liderança respeitada em todo o mundo, amada por amplos setores da sociedade brasileira. Se quiserem enfrentar a ira das ruas, é aconselhável que considerem o ocorrido naquele dia 4 de  março um aperitivo do que poderá e certamente ocorrerá.

O Brasil não é mais aquela senzala onde a casa grande imperava por meio da escravidão, da repressão e, quando necessário, do assassinato das lideranças do povo. Já temos “heróis” mortos demais em nossa história: Zumbi, Tiradentes, Lampião, Getúlio Vargas, João Goulart e Carlos Lamarca para citar alguns. Se insistirem nesse caminho, a elite brasileira estará cometendo o seu derradeiro crime contra a Nação e o povo brasileiro.

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