Dessa vez, o pescoço na corda é o deles

Fernando Rosa

O Brasil encontra-se em uma encruzilhada.

Figurativamente: em um caminho, o país de Tiradentes; na outra direção, o de Joaquim Silvério dos Reis.

O Brasil dos Tiradentes avançou, transformou-se e quer avançar ainda mais.

Nos últimos anos, nos governos Lula e Dilma, superamos várias contradições internas. Incorporamos os pobres, o interior do país, as mulheres, a juventude ao processo social, político e econômico. Ao mesmo tempo, construímos um dos maiores mercados internos do mundo. Apesar das dificuldades, o Brasil de hoje é outro, diferente do que era há dez anos, vinte anos. Não somos mais um país de miseráveis.

O Brasil é hoje um protagonista internacional. Um dos cinco países do BRICS, ao lado de China, Rússia, Índia e África do Sul. É detentor de uma das maiores reservas de petróleo do mundo. É também um dos maiores exportadores de produtos agrícolas. A juventude brasileira ganha prêmios internacionais de inteligência e tecnologia. Deixamos de ser um país de vira-latas. Afirmamos um profundo sentimento de soberania nacional.

O Brasil dos Silvérios dos Reis ressente-se disso e quer retroceder ao passado.

Os velhos barões da indústria, paulistana em especial, não aceitam o desenvolvimento descentralizado, especialmente do Nordeste. Insistem em manter a exploração da mão-de-obra nos padrões pré-Getúlio Vargas – por isso, querem rasgar a CLT.

A indústria da cana transforma São Paulo, cada vez mais, num imenso canavial cercado por meia dúzia de banqueiros. O estado se desindustrializa. Os “pistoleiros” do campo, bem representados no Congresso Nacional, não admitem a agricultura familiar, preferem o trabalho escravo. A velha mídia estrebucha editorialmente seu atraso estrutural e tecnológico atrás de dinheiro público.

O velho poder econômico sonha em restabelecer o alinhamento e a submissão incondicional aos Estados Unidos. Preferem, como antes, o conforto do lucro da agiotagem, em vez do trabalho e da produção. Incapazes, apostam em entregar o Pré-Sal e, se possível, também a Petrobras, além de outras riquezas. Querem esmagar nosso mercado interno depreciando salários e rasgando direitos adquiridos.

Os golpistas não têm qualquer compromisso com a defesa da soberania do país.Estão empurrando o Brasil para o velho estado colonial. Pretendem interromper um ciclo de desenvolvimento, inserção no mundo e soberania. O Brasil, para eles, é apenas uma fonte de negócios, imediatos e lucrativos. Saque, saque e apenas saque e borduna no povo.

O problema dos “Silvérios dos Reis” é que seu projeto, atualmente, não tem a menor chance de vingar, por razões que estão além das suas vontades. O centro do capitalismo mundial, os Estados Unidos encontra-se em decadência. Sua ferocidade recrudesce para manter o dólar como moeda mundial. Até megaespeculadores como George Soros põe em cheque o dólar. Somos o segundo maior credor da dívida americana atrás da China.

Querem impedir os investimentos chineses no Brasil e destruir o banco dos BRICS. A China hoje é  o nosso maior parceiro comercial, destino principal de nossa soja, minério de ferro e outros produtos. Não querem nosso bem, querem nossos bens. Não querem investir no Brasil, querem saqueá-lo, como não investiram em nenhuma outra região do mundo. A única coisa que têm a oferecer é caos social, saque das riquezas (vide Iraque, Líbia, Ucrânia e outras regiões), desindustrialização e desemprego. A Europa, da mesma forma, vive em interminável recessão.

É de domínio público que todo setor empresarial financia o viciado e apodrecido sistema eleitoral brasileiro. No entanto, apenas uma parte da burguesia está na mira dos golpistas da aliança policial-judicial-midiática – além de apenas um partido. Aliás, exatamente a parte que interessa ser destruída, aquela que responde pelo “conteúdo nacional”, vinculada aos projetos de infraestrutura e defesa nacional, a que ocupou os mercados internacionais. Uma parte da burguesia, o agiota associado à especulação internacional colocou a outra na cadeia. Marcelo Odebrecht e o Almirante Othon são presos políticos.

A defesa da democracia é tática e fundamental para denunciar a ação dos golpistas. A defesa dos programas sociais é decisiva para manter o povo na luta por seus direitos. Mas é preciso superar essa polarização, que pauta o debate entre quem roubou antes ou depois, em quem roubou quanto, se menos ou mais. Essa é a estratégia dos golpistas na qual, infelizmente, setores do governo embarcaram, em sua ilusão republicana. Aqui, o álibi para o golpe é a “corrupção”, em outros países foram as “armas químicas” ou qualquer outro motivo.

É preciso, portanto, ir além para mobilizar mais profundamente a sociedade brasileira, numa cruzada patriótica nessa encruzilhada em que nos encontramos.

O “governo Temer” é inviável. Por falta de base econômica, pela força do movimento popular que se levantou contra o golpe e pela impossibilidade de usar a força repressiva para se impor. O PMDB, de partido de Ulisses Guimarães e da luta contra a ditadura, tornou-se o esbirro fascista de traição nacional.

A presidenta Dilma deu a deixa ao afirmar sua postura de resistência intransigente diante dos golpistas.

É preciso aproveitar o momento, portanto, para aprofundar o debate sobre as questões nacionais e refundar o Brasil. O BRASIL que queremos será independente, soberano e socialmente justo.

O Brasil deve exercer sua vocação de grande Nação. A nação de Tiradentes, de Rio Branco, de Osório, de Caxias, de Floriano, de Getúlio, de Lula. Não permitiremos que seqüestrem o nosso futuro. Um poderoso movimento popular, democrático e patriótico que unifique o conjunto das forças nacionais é a tarefa urgente.

O mundo rejeita o golpe. Os países não reconhecem os golpistas. A mídia internacional não comprou a fraude vendida pela Rede Globo.

Os Tiradentes são maioria, mas ainda não sabem disso.

Dessa vez, o pescoço na corda é o deles.

tiradentes

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