Depois da privataria, outro grande golpe

Fernando Rosa

O PMDB apenas cumpre a sua função histórica. A de ser novamente um agregado menor de algum processo político. No caso, está sendo o hospedeiro dos verdadeiros golpistas. Como sempre, locupleta-se de cargos, mas entrega o poder.

Na aliança com o PT, cumpriu sua última missão seguindo seus princípios originais, aqueles de Teotônio Vilela e Ulisses Guimarães. Agora, cruzou definitivamente a linha que divide o país entre os Tiradentes e os silvérios dos reis.

Já está claro que se trata de um “golpe americano”, com todas as características históricas, menos os bombardeios e a invasão. Em lugar dos “mariners”, temos uma Polícia Federal e um sistema Judiciário capturados pelos interesses externos. Um governo golpista interino para promover o ataque de destruição geral. E um chefe focado, sorrateiro e dissimulado, para garantir o sucesso da operação.

Os interesses externos, ou mais exatamente “O” interesse maior, está prestes a ficar claro nesses próximos dias. Trata-se do PRÉ-SAL, a segunda maior reserva de petróleo e gás do mundo, e uma riqueza de trilhões de dólares.

Erram mais uma vez, inclusive o PT, aqueles que tratam o PSDB como “sócio minoritário” do golpe.

Depois da “privataria” dos anos noventa, esse é o grande negócio capaz de mobilizar os mais baixos instintos. O assalto vem sendo planejado desde que foi anunciado ao mundo. Lá fora e aqui dentro, passo a passo.

A Operação Lava Jato não focou suas ações na Petrobras por acaso, já que todos os setores da economia financiam o sistema eleitoral. O plano original era ganhar as eleições, na sequência das manipuladas “manifestações” de 2013.

Mas deu errado, porque o povo reagiu e impediu a vitória dos golpistas. Por isso, não aceitaram o resultado das urnas e radicalizaram o processo nos campos policial e judiciário. A mídia também radicalizou e assumiu, em especial a Rede Globo, seu papel de “partido”.

Hoje, está ficando claro que todas ações cumpriram apenas o papel de minar a Petrobras, enfraquecer o governo, criminalizar o PT, derrubar Dilma e, se possível, livrar-se para sempre de Lula. Se antes ainda podia-se ficar na dúvida sobre o direcionamento das delações e dos vazamentos, agora é hipocrisia negar isso. As últimas medidas adotadas deixam explícito a ação parcial do Judiciário, que livra a cara dos “seus” e, se vacilar, ainda investirá contra Dilma e Lula.

Aquela foto anônima com Armínio Fraga, Gilmar Mendes e José Serra (e um misterioso quarto elemento) – que não deveria ser o motorista – encerra um segredo. Talvez seja a imagem mais emblemática do golpe de estado, em meio a várias outras.

Ao mesmo tempo, é a pista que leva ao líder e sintetiza os principais interesses e operadores do jogo. O sistema financeiro, as petroleiras americanas e o mercado interno de infraestrutura.

O grande negócio do século nas mãos de um homem, com a “faca e o queijo na mão”. Claro, com distribuição dos lucros.

Em 24/03/2015, a Agência Senado divulgava que estava “na CCJ, aguardando sugestões de emendas, o projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que revoga a participação obrigatória da Petrobras no modelo de exploração de partilha da produção de petróleo na camada pré-sal. O projeto (PLS 131/2015) também exclui a condicionante de participação mínima da empresa em, pelo menos, 30% da exploração e produção em cada licitação”.

O projeto andou, e quase passou integralmente, mas para garantir o sucesso da operação, era preciso seguir com o “impeachment”. Entre o oportunismo de seu ex-candidato, e os interesses do senador José Serra, o PSDB entregou seu apoio definitivo ao golpe.

Já ministro de Relações Exteriores, para facilitar as negociações, José Serra e as petroleiras aguardam o momento para dar o bote. Talvez encontrem dificuldades no Congresso Nacional, que elevou sua taxa de lucros a níveis estratosféricos. E também a “desordem” provocada pelo afastamento do “chefete” parlamentar Eduardo Cunha.

(Após, ele abandona o PSDB e se filia ao PMDB, para ser candidato em 2018, especula-se no mercado das traições.)

É hora, portanto, de acordar a Nação para o crime de lesa-pátria que se pretende cometer contra os interesses nacionais. Assim como em 1954, se pretende entregar o petróleo nacional às petroleiras estrangeiras. Naquele momento, o suicídio de Getúlio Vargas abortou a ação dos criminosos vende-pátria. Mesmo sustentando um golpe, em 1964, os militares brasileiros defenderam a Petrobras. Nos anos noventa, o povo novamente derrotou o plano “PetrobraX”.

Agora, é o capítulo final da história.

De um lado, um golpe de estado e os silvérios dos reis.

De outro, a democracia e o povo.

Venceremos.

serra-petroleiras

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s