O buraco é mais embaixo: é defender a Nação!

Fernando Rosa

O buraco é mais embaixo. A sociedade está nas ruas pela democracia. Também pela defesa dos direitos humanos. E ainda pelos direitos sociais. O grito “Fora golpistas” já ecoa por todas as partes do país. E pelo que se viu nos primeiros dias pós-Temer, a mobilização só vai crescer. Pelo visto, vamos  devolver “2013”, à esquerda, e com juros.

O governo-golpista-interino não tem futuro. Isso é uma solução e um problema para todos nós. O país está caminhando para o caos social e econômico. É preciso interromper o plano do imperialismo e seus agentes internos. Construir uma alternativa de poder para resgatar o Brasil dos golpistas.

É preciso avançar na compreensão do que estamos vivendo. Entender com profundidade o que está em jogo. Estamos no centro de uma guerra geopolítica e econômica. Temer, Cunha, o PMDB, são apenas os hospedeiros e mensageiros do golpe. Os Estados Unidos e seus interesses regionais são mais perigosos.

Diferente de outros países, temos uma certa dificuldade em compreender as questões internacionais. Não apenas o povo, mas também, e principalmente, as lideranças. Em 2013 estava claro que um golpe estava em curso. Mas a esquerda “encantou-se” com as manifestações daquele ano.

Agora, não temos mais tempo a perder com ilusões. A democracia é o centro da luta, que mobiliza rápida e amplamente. Mas para ampliar a mobilização, faz-se necessário uma força política maior, mais sólida. É fundamental atrair todos os democratas, nacionalistas e patriotas. Juntos, tornamos o Brasil maior que o golpe.

O alinhamento incondicional aos Estados Unidos afastará o Brasil dos principais mercados do mundo. Em breve, China, Russia e outros grandes países fecharão seus mercados. Apostar no mercado americano altamente subsidiado, e na Europa falida, é uma visível estupidez. Virar as costas para nossos vizinhos latinos é outro tiro no pé. Uma boa parte dos empresários nacionais só tem a perder com isso.

A politica vende-pátria é também um retrocesso em relação à soberania do país. Nos últimos anos, a defesa nacional andou junto com um projeto de desenvolvimento, que valorizou diversos setores. Vários são os exemplos de iniciativas que fortaleceram as FFAA em sua missão. Ao pretender entregar o Pré-Sal, e desnacionalizar as empresas públicas, entre outras medidas, ameaçam frontalmente a defesa do país.

O Brasil precisa de um projeto de Nação, e não é de hoje. Getúlio Vargas construiu a estrutura de Estado. Os governos militares mantiveram-se fiéis ao nacionalismo intrínseco à sua história e modernizaram o Brasil. Lula exorcizou o espírito de vira-lata, promoveu a dignidade regional, integrou o país e posicionou o Brasil no mundo -somos um dos cinco do BRICS. O Brasil é como um elefante, é lento para avançar, mas quando dá um passo à frente é impossível fazê-lo retroceder.

O PT, segundo texto recém-divulgado, em aparente e, se confirmada, desastrosa tentativa de se distanciar do governo da presidenta Dilma Rousseff, não parece ter entendido isso. Ainda, pensar que o erro está em não promover a “luta de classes”, segundo o conceito da classe média, mostra ainda mais confusão nas hostes petistas. A reboque do movimento de massas, o PT parece ter perdido o senso da realidade política do país. Gostem ou não, a presidenta Dilma é o símbolo da resistência ao golpe – e fez por merecer.

É preciso superar essa confusão e construir uma frente tão ampla quanto possível, não apenas de esquerda. Esse papel, ao que tudo indica, já não pertence principalmente ao PT, embora o partido ainda tenha um peso importante. Mas sim ao conjunto de forças que se levantaram contra o golpe – e também contra as velhas formas de organização e práticas políticas. A juventude, as mulheres, os artistas não cabem mais nas estruturas partidárias burocratizadas. Os partidos, os mais arejados, são fundamentais, mas não mais apenas eles.

A realidade impõe uma frente, um novo tipo de organização que incorpore todas as formas e expressões políticas e do movimento de massas. A visão estreita, a incompreensão de quem é, de fato, o inimigo, facilitará a vida dos golpistas em sua ação de DESTRUIÇÃO DO ESTADO NACIONAL. Eles querem, de fato, entregar nossas riquezas, desindustrializar o país e retirar o protagonismo político e econômico do Brasil. A defesa da NAÇÃO é, portanto, a base dessa frente.

Não temos o direito de permitir que sequestrem o nosso futuro. Somos de paz mas, sempre quando precisou, os brasileiros foram à guerra. Estamos no centro do furacão e não temos alternativa senão lutar. Então, é melhor que lutemos contra os inimigos verdadeiros. E com as armas certas: respeito à democracia, valorização do nosso povo e defesa intransigente do Brasil.

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