Senador José Serra: o DNA da traição nacional

Fernando Rosa

A história recente do senador José Serra, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de Aloysio Nunes e do PSDB não permite outra conclusão sobre seus compromissos políticos. São profundas suas relações com os interesses econômicos americanos e, de tão explícitas, parecem transcender à uma visão geopolítica do mundo atual. O que o pupilo dos dois, o ministro-golpista-provisório Pedro Parente, já anunciou para a Petrobras é apenas a confirmação de uma longa trajetória. Um assalto a maior riqueza da história do país que, em especial, o senador José Serra imagina-se próximo de consumar para a sorte dos Estados Unidos e tragédia do Brasil. Simples assim.

Para quem não lembra, nos anos noventa, nos governos de Fernando Henrique Cardoso, os mesmos personagens promoveram uma agressiva e voraz campanha pela destruição e venda do que chegaram a rebatizar de PetrobraX. Entre os golpes contra a Petrobras, FHC criou um regime aduaneiro especial que concedeu isenção fiscal às empresas estrangeiras que importavam equipamentos de pesquisa e lavra de petróleo – sem contrapartida para as empresas nacionais. Isso levou cerca de cinco mil empresas brasileiras à falência, com desemprego em massa e destruição da tecnologia nacional. Eles foram ainda mais longe em sua obstinada sanha privatista ao vender ações da empresa em Wall Street.

Vitoriosos nas eleições, os governos Lula e Dilma corrigiram a traição revertendo parte do entreguismo e criando a política de “conteúdo nacional”, que fortaleceu as empresas nacionais especialmente a partir da exploração do Pré-Sal. A descoberta do Pré-Sal, uma fantástica reserva de petróleo, reacendeu a cobiça americana e mobilizou os serviçais internos . Nas eleições de 2010, segundo o Wikileaks, o senador José Serra prometeu, em troca de telegramas com representantes da petroleira americana Chevron, alterar as regras do Pré-Sal, caso fosse vitorioso nas urnas. Depois de perder a eleição, ele manteve o ataque, agora por meio de um projeto de lei, em tramitação, para afastar definitivamente a Petrobras da exploração do Pré-Sal.

“As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse”, escreveu a Folha de S. Paulo, em dezembro de 2010. “Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama”, completou a Folha.

O último movimento, até agora, do “concluio-petroleiro” foi a articulação de um golpe de estado midiático-judicial-parlamentar, iniciado com  a criação da operação Lava Jato, voltada para destruir a Petrobras e a política de “conteúdo nacional”. Desde o início, a operação mirou na Petrobras, como se outros setores empresariais não tivessem envolvimento em campanhas eleitorais. E, claro, também nas empreiteiras, as grandes operadores da política de “conteúdo nacional” nas áreas do petróleo, da infra-estrutura e da defesa nacional. O bombardeio da mídia aliada dos golpistas à Petrobras fragilizou a empresa, que sobreviveu graças ao seu patrimônio inquestionável, o Pré-Sal. E também à capacidade de seu corpo técnico forjado na construção de uma empresa nacional estratégica.

Bem, hoje, vivemos um novo momento da tentativa do senador José Serra em cumprir sua promessa à Chevron, ou seja “mudar de volta” o sistema de exploração do Pré-Sal. A alteração de partilha para concessão, como quer o atual e não por acaso Ministro das Relações Exteriores, significa entregar o Pré-Sal. Com a concessão, as petroleiras se apropriariam dos campos, pagariam os royalties que bem entenderem e ficaria revogado o fundo para financiar a educação e a saúde. A pressa em dar o golpe tem apenas a ver com isso, com a transferência das reservas do Pré-Sal para os americanos. Assim foi quando deram o golpe em Chavez – a primeira medida dos golpistas foi retirar a PDVSA do controle do Estado e devolver aos interesses privados.

O golpe de estado, portanto, tem chefes bem claros, tem objetivos cada vez mais explícitos, que estão além dos crimes cotidianos cometidos contra a democracia e os direitos sociais. O que Serra, FHC e seus parceiros internos e externos pretendem é muito mais grave do que todos os atentados do governo golpista. Dos quinze maiores produtores de petróleo do mundo, apenas um (1) não utiliza o regime de partilha. O que está em curso, portanto, é o sequestro do futuro do Brasil, da sua independência econômica, de seu papel de player internacional, junto ao BRICS. Esses senhores assumiram um nível de negação nacional como poucas vezes, ou talvez nunca antes, tenha se visto na história do Brasil. Silvério dos Reis estaria feliz de ver até onde chegou o DNA de sua traição “original”.

A luta em defesa do petróleo, agora do Pré-Sal, e da Petrobras já mobilizou o Brasil talvez mais importante campanha cívica nacional. Também cobrou a vida do presidente Getúlio Vargas, que suicidou-se como último gesto em defesa da soberania e dos interesses nacionais. As Forças Armadas, por sua vez, em todo o período dos regimes militares, não apenas blindaram o setor e a empresa, como investiram na Petrobras, o que resultou na tecnologia de exploração em “águas profundas”. Após tanta luta, e tantos exemplos de compromisso patriótico, é inaceitável perder esse jogo para um golpe comandado por gangsters e lideranças sucessivamente derrotadas nas urnas.

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