Janot e a “inteligência” do golpe

Fernando Rosa

Os personagens centrais do golpe vão se entregando aos poucos. Temer, o conspirador palaciano e “líder” visível da conspiração. Serra, o “ministro” do alinhamento americano, da entrega do Pré-Sal e da privatização. Eduardo Cunha, o trem-pagador dos deputados e partidos “amealhados”. Sérgio Moro, o atirador especial a serviço dos invasores. Gilmar Mendes o “peão” do jogo sujo no Supremo Tribunal Federal – o que almoça com Armínio Fraga e José Serra antes da deflagração do golpe.

Mas restam alguns atores principais desse jogo que ainda permanecem nas sobras do golpe de estado. Como disse a presidenta Dilma em entrevista nesta semana, para se combater o golpe é preciso reconhecer que se trata disso, de um golpe. Da mesma forma, para combater o golpe é preciso identificar quem são os agentes da operação em curso, os golpistas. Por exemplo, o que pensar da troca de embaixadores americanos, do anterior para a senhora Liliana Ayalde, e dela para o atual “especialista em conflitos internos”

Muitos desses personagens podem trocar de lado ao longo do processo, ou emitir sinais dúbios, confundindo as peças do tabuleiro. Alguns deles, no entanto, sinalizam sistematicamente sua posição, agindo decisivamente em momentos de mudança de qualidade do golpe. É o caso do Procurador Geral da República, que nesta semana expressou indignação com a acusação de patrocinar vazamentos de informações sigilosas. Apesar da sua “brabeza”, na mesma hora em que se defendia em uma palestra, a Globo – sempre a Globo, divulgava mais um vazamento de documento com a sua assinatura.

Assim como ocorreu com o vazamento dos grampos ilegais das conversas entre Lula e Dilma, o novo vazamento busca constranger o ex-presidente e também a presidenta Dilma. Naquele momento, o vazamento cumpriu o papel de impedir que o presidente Lula assumisse a Casa Civil, o que significaria um revés para os golpistas. Agora, ocorre exatamente em mais um momento decisivo, em que o Senado Federal sinaliza uma mudança de posição em relação ao impeachment. A impressão que passa é que o senhor Rodrigo Janot e sua PGR são uma espécie de “inteligência”, acionada sempre que o golpe ameaça fazer água.

Em nota, o Instituto Lula advertiu que “o vazamento soa como um desafio ao discurso de Rodrigo Janot”, novamente no centro dos fatos. “O procurador-geral deveria voltar a público e esclarecer mais um episódio direcionado contra o ex-presidente Lula”, completou a nota. Em sua fala, o senhor Rodrigo Janot, além de se defender, afirmou que trataria de esclarecer o vazamento – o que até agora não fez em relação ao vazamento anterior, apesar do tempo que passou. É o que a sociedade brasileira espera, para que mais uma instituição não seja definitivamente manchada em seu papel. E Janot não seja mais um na lista do “nome aos bois” do golpe.

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