Quem segura essa bandeira?

Fernando Rosa

A cada dia que passa, mais claras ficam as digitais americanas no golpe de estado no Brasil. Isso pode ser verificado no comportamento político do dia-a-dia, por um lado. Mas, talvez mais importante, seja observar a mão americana no jogo da geopolítica. E, ainda, a relação da economia mundial com o papel do Brasil. Diante dos fatos, principalmente, não é preciso ser muito esperto, nem esperar vinte anos, para perceber a dimensão da disputa internacional e regional.

As evidências políticas vão sendo expostas por meio de ações em várias frentes. A reação “neutra” ao golpe, acompanhada da providencial troca de embaixadores em 2013 e agora, por exemplo. O imediato pedido de benção do senador Aloísio Nunes, do PSDB, ao Departamento de Estado dos EUA, logo após o afastamento da presidenta Dilma Rousseff. E o papel de sabujo do senador José Serra, com ajuda do ex-presidente FHC, ao tentar dar um golpe na Venezuela junto ao Mercosul.

Por outro lado, a Lava Jato esmera-se em cumprir com sua missão pró-imperial de assaltar o Pré-Sal, atacar as políticas de conteúdo nacional e comprometer a defesa do país. Por um lado, escolheu a Petrobras como alvo de suas operações, junto com as empreiteiras nacionais. Depois, mirou na Eletronuclear, e no Almirante Othon, para impedir a construção do submarino nuclear brasileiro. E, claro, no PT, em Dilma, e em Lula, para desmoralizar a política junto aos setores populares.

O que os Estados Unidos objetivam, com apoio dos “silvérios dos reis” internos, é impedir o Brasil de seguir o caminho do nacional-desenvolvimentismo escolhido na virada do século. Apostam em afastar o país do BRICS, destruir a articulação do Mercosul e submeter o Brasil ao alinhamento automático e suicida à economia americana e aos seus interesses regionais. Em resumo, sequestrar nossa independência, nossa soberania, nosso futuro enquanto Nação com luz própria. Tirar o Brasil do protagonismo internacional e devolvê-lo ao papel de vira-lata sem voz.

Em artigo recente, o economista Bresser Pereira lembrou que os países que mais cresceram nos últimos anos foram aqueles que apostaram nos seus mercados internos. Um conjunto de países, em especial a Índia, a China e outros países asiáticos que, ao contrário do neoliberalismo globalizante, conservou a ideia de Nação, destacou ele. Na América do Sul, o Brasil é o maior exemplo dessa lógica de desenvolvimento, que incorporou milhões de pessoas ao consumo, superou desigualdades regionais e democratizou oportunidades individuais.

Estamos, portanto, diante de uma nova encruzilhada histórica: de um lado, o alinhamento servil aos Estados Unidos, inclusive no plano da defesa nacional, o retorno à pobreza secular e à exclusão social; de outro, apostar na continuidade da construção da Nação brasileira, afirmar o Brasil no BRICS e fortalecer o protagonismo independente do país. Isso, no entanto não é apenas papel “das esquerdas”, mas de todos os democratas e patriotas, civis e militares – de quem verdadeiramente segura a bandeira do Brasil.

fbp-bandeira-do-brasil
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2 comentários sobre “Quem segura essa bandeira?

  1. Os golpistas têm toda liberdade para praticar o que lhes interessa e isso apavora os brasileiros! Qual seria a forma de barrar essa quadrilha instalada no Governo Federal?

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