O preço da traição nacional

Fernando Rosa

Ontem, 7 de julho de 2016, a Comissão Especial da Petrobras e da Exploração do Pré-Sal, do Congresso Nacional, aprovou o Projeto de Lei 4.567/16 que retira a obrigatoriedade da Petrobras participar da extração de petróleo da camada pré-sal. Por 22 votos favoráveis e 5 contrários, o parecer aprovado altera as regras atuais que determinam que a estatal brasileira é a única operadora da exploração. A decisão restringe a Petrobras de participar com – no mínimo – de 30% dos investimentos, de consórcios para exploração do pré-sal. A medida ainda afasta a Petrobras, bem como Estado brasileiro, das decisões como a definição de critérios para avaliação de poços, equipamentos de produção e compras. É o principal golpe contra os interesses nacionais desde os anos cinquenta, quando o suicídio de Getúlio Vargas impediu que o petróleo fosse entregue aos interesses externos.

Com a aprovação preliminar, ainda pendente de votação em plenário, o senador do PSDB José Serra atende antigo compromisso com os interesses americanos e as petroleiras gringas. “Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta“, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato de telegrama divulgado pelo WikiLeaks – de dezembro de 2009. Segundo matéria da Folha de S. Paulo, assinada por Catia Seabra, “as petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso”. Ainda de acordo com a matéria do jornal paulista, Serra prometeu “que a regra seria alterada caso ele vencesse”.

O atual, e não por acaso, ministro das Relações Exteriores, no entanto, perdeu as eleições em 2010, mas renovou o “contrato” de lesa-pátria em 2014 com Aécio Neves, articulando-se mais estreitamente com os interesses externos. A partir de informações privilegiadas da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA), a operação Lava Jato, em parceria com a mídia golpista, desencadeou um ataque sem precedentes contra a Petrobras e a política de “conteúdo nacional”. Além das evidências envolvendo o senador José Serra e o PSDB, que tentam entregar a Petrobras desde o governo FHC – lembram da PetrobraX? -, é fato que os principais envolvidos no golpe, de alguma forma, desenvolveram relações com os Estados Unidos nos últimos anos. Também segundo o WikiLeaks, outros políticos, incluindo o interino Michel Temer, integram essa rede de colaboração com o Império.

Não é atoa que o ex-presidente da OAB, o advogado Marcelo Lavenère, afirmou que “a inteligência e o cofre do golpe estão no exterior”. Da mesma forma, não é novidade que diante das decisões mais importantes do golpe, antes ou depois, algum operador golpista vai aos Estados Unidos pedir benção ou informar da missão cumprida. O batom na cueca da promiscuidade lesa-pátria é a visita do senador Aloysio Nunes, também do PSDB, ao terceiro homem do Departamento de Estado dos Estados Unidos, logo após o afastamento da presidenta Dilma. Aos que desconfiam de “teorias da conspiração”, as evidências e os fatos objetivos são por demais convincentes do papel de traição nacional dos envolvidos. Em 1964, aconteceu a mesma coisa, mas o país levou vinte anos para entender o que aconteceu. Hoje, com maior acesso às informações, espera-se que a sociedade perceba mais rapidamente o jogo da traição. E tome as devidas providências.

vargas-otima

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3 comentários sobre “O preço da traição nacional

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