A opção de perder para a segunda divisão

Fernando Rosa

Imediatamente após sufocar a tentativa golpista, o governo da Turquia acusou os artífices do golpe. Segundo o ministro do Trabalho, Suleyman Soylu, Washington está por trás da tentativa de golpe militar. A exigência da extradição do clérigo Fethullah Gülen, auto-exilado nos Estados Unidos, acusado de tramar o golpe, já foi uma sinalização da desconfiança do governo turco.

Para o jornalista Pepe Escobar, “Ancara e Washington estão agora em comprovada rota de colisão”. “Se há um Império do Caos escondido no golpe – a arma do crime ainda não foi encontrada –, com certeza vem do eixo neocons/CIA, não do governo pato manco de Obama”. Segundo ele, para Erdogan Washington é duplamente suspeita, porque protege Gulen e apoia o YPG (mílicia curda).

Os acontecimentos da Turquia apenas dão sequência a uma série de ações americanas no planeta. Em várias regiões e diversos países, identifica-se claramente a presença da bandeira dos Estados Unidos por trás de golpes, de diferentes tipos. Militar, em combinação com o Judiciário, como agora na Turquia, ou parlamentar-judicial, como no Paraguai, e isso tudo combinado, somando-se a mídia monopolista, como no Brasil.

Além da disputa no Oriente Médio, o alvo principal dos Estados Unidos é desmontar o BRICS e seu potencial de construção de um mundo multipolar. Por um lado, atacar a economia da China, de outro o poder militar da Russia, e inviabilizar as lideranças politicas e econômicas regionais do Brasil e da África do Sul, em especial. São os Estados Unidos em ação para destruir Nações e alianças regionais e tentar salvar seu Império falido.

Na Ucrânia, por exemplo, documentário de Oliver Stone – veja o trailer abaixo – denuncia a implicação dos EUA e da CIA nos eventos em Kiev e na guerra em Donbass. Segundo o portal Sputnik, em “Ukraine on Fire” Stone nega a versão de uma “rebelião popular”, e discute o que ocorreu com o presidente russo, Vladimir Putin, e o ex-presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, atualmente refugiado na Russia, que acabou derrubado no processo chamado Euromaidan.

A África do Sul também enfrentou uma tentativa golpista, com apoio dos Estados Unidos. Uma “primavera” com estudantes nas ruas, seguida do incêndio de 19 escolas na província de Limpopo, deixaram as pegadas da CIA, agindo por meio da embaixada no país. Acusações de corrupção levaram adiante a campanha que culminou em pedido de impeachment – derrotado – do presidente Jacob Zuma, em abril.

No caso do Brasil, além de outras evidências, a visita de Aloysio Nunes a Washington logo após a afastamento da presidente do Brasil flagrou a conspiração golpista. Segundo o jornalista Mark Weisbrot, no HuffingtonPost, Nunes encontrou-se com Thomas Shannon, do Departamento de Estado. Shannon é o número três no Departamento de Estado e a pessoa mais influente na política do Departamento de Estado dos EUA para a América Latina.

Se ainda precisa de um motivo concreto, que não o Pré-Sal, lembrem-se dos acordos financeiros, comerciais e de cooperação, assinados entre Brasil e China, em maio passado. Um dos acordos resultou na criação de um fundo de US$ 50 bilhões, com dinheiro chinês, para projetos de infraestrutura no Brasil. Entre eles, a construção da Ferrovia Transcontinental, entre Tocantins e o litoral do Peru – para reduzir distâncias e custos de transporte.

O frustrado golpe na Turquia deveria fazer “cair a ficha” dos brasileiros, especialmente de suas lideranças maiores. Apontar apenas Temer e Cunha – nem em Serra se fala – como os “chefes” do golpe de estado é subestimar a inteligência do povo. Ou avança-se para identificar o verdadeiro inimigo da Nação, e organizar o leque de alianças necessário para derrotá-lo, ou vamos acabar perdendo para a segunda divisão.

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