Luiz Inácio, Marcelo & Othon 

Fernando Rosa

A Operação Lava Jato surgiu no cenário nacional para cumprir o principal papel do golpe de estado no Brasil. De um lado, para criminalizar a política, de outro para destruir a indústria e a tecnologia nacional, e também para minar a política de defesa do país. Em resumo, com o apoio da mídia golpista, e do judiciário capturado, foi – e continua sendo – um misto de infantaria e artilharia da invasão e do golpe – sem bombardeios como no Iraque, e sem ações militares como na Turquia.

E como toda missão, a operação apontou seus mísseis para alvos humanos, que representam, simbolizam – e defendem – os objetivos estratégicos a serem destruídos. Na política, afastar do cenário o principal líder popular do país; na economia, destruir o número um da principal empresa do setor de infraestrutura; na defesa, implodir o “mentor” e  tocador do projeto do submarino nuclear. Não por acaso, esses ataques foram operados com precisão teleguiada, certamente a longa distância.

A ação insidiosa contou, e segue contando, com agentes externos e internos capturados e envolvidos na conspiração, desde seus primeiros momentos, como os fatos demostraram. Vários artigos já evidenciaram a sincronia das operações, entre a Polícia Federal, a Procuradoria Geral da República e os principais veículos da mídia. Talvez hoje, a ficha tenha caído para uma boa parcela dos setores mais avançados da população.

Mas, por um bom tempo, prevaleceu a ideia de que a Operação Lava Jato tinha uma missão “pura” e inquestionável de combate à corrupção no país. O tiro no pé da ilusão republicana contou com o apoio dos principais mandatários da Nação, incluindo seu Ministro da Justiça, entre outras autoridades. Mirando principalmente na Petrobras, nas empreiteiras e em Angra dos Reis, a Operação Lava Jato impôs sua lógica seletiva, persecutória e criminalizante.

Além disso, a Operação Lava Jato contou, involuntariamente, com a confusão política e ideológica da esquerda brasileira, com sua dificuldade histórica de perceber a questão nacional. Para esses setores, Marcelo Odebrecht e as empreiteiras são ladrões, o Almirante Othon é um corrupto e Lula se “enrolou” com as alianças. São incapazes de entender as questões de fundo e, por isso, acabam na defensiva e paralisados diante dos ataques dos inimigos de classe.

É óbvio o jogo americano de implodir o BRICS, como deixaram claros os recentes movimentos na Ucrânia, na África do Sul, e também na Venezuela, na Turquia e, claro, no Brasil – peça fundamental no xadrez. O Pré-Sal e a política de conteúdo nacional transformaram as empresas nacionais de infraestrutura em potencias mundiais – especialmente a Odebrecht. A construção do submarino nuclear não é apenas uma questão de defesa, mas também de desenvolvimento científico e tecnológico em várias áreas.

Diante disso, não por acaso o empresário Marcelo Odebrecht e o Almirante Othon estão presos, por ordem do juiz Sérgio Moro e conivência do judiciário brasileiro. Lula ainda não foi preso, e talvez nem seja, porque o imperialismo tem medo das consequências políticas – o primeiro teste não foi bom para eles. Na verdade, os três, encarcerados ou em “liberdade ameaçada”, são presos políticos da nova guerra imperialista – mas também da  incapacidade nacional de perceber o campo de batalha além das disputas politicas paroquiais.

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6 comentários em “Luiz Inácio, Marcelo & Othon 

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