O Brasil na rota da destruição

Fernando Rosa

O ataque a democracia é apenas a primeira bordoada, o primeiro tiro do canhão, o “cavalo de tróia”. Saquear as riquezas, como o Pré-Sal, destruir direitos sociais e acabar com os direitos humanos são consequências. No caso do golpe em curso, o objetivo central do Império é incluir o Brasil em sua guerra de destruição de Nações ao redor do mundo. Mais recentemente, os primeiros alvos foram Iraque e Líbia, em seguida a Síria, agora a Turquia, e toda a região e a América Latina, especialmente o Brasil.

Já nos anos 90, o Pentágono queria instaurar o controle sobre as principais jazidas de petróleo e gás, ou pelo menos controlar as rotas de seu fornecimento até os consumidores, destacou o portal Sputnik, em entrevista com  o cientista político Dragomir Adnjelkovic. Desde então, “onde tem petróleo e gás, tem guerra imperialista”, com um roteiro mais ou menos semelhante, que inclui demonização das lideranças políticas, desestabilização das instituições nacionais, destruição das leis e garantias sociais e, quando possível, invasão armada. A partir da “Primavera Árabe”, a ação americana adicionou ao cardápio a combinação de ataques virtuais com mobilizações de rua.

O capitalismo norte-americano, dominado pelo sistema financeiro, está ferido de morte, com desindustrialização interna, desemprego e vastos setores da sociedade jogadas ao relento. A cidade de Detroit é um exemplo da falência – decretada, inclusive, com um êxodo sem precedentes e bairros inteiros às moscas. “Os lotes vazios são uma das memórias mais dolorosas da classe média que prosperou em meio ao boom da indústria automobilística de Detroit”, registrou a BBC, em matéria do ano passado. A candidatura de Trump navega nesse universo de insatisfação, assim como reagiram os ingleses com o Brexit.

Diante desse quadro, os Estados Unidos não tem nada a oferecer, ao contrário de outros países, particularmente aqueles que integram o BRICS – Brasil, Russia, Índia, China e África do Sul. Apenas como exemplo, ano passado, em ato realizado em Brasilia, Brasil e China firmaram acordos de US$ 50 bilhões, a serem investidos basicamente em infraestrutura, incluindo a ferrovia transoceânica. Impedir que essa aliança de interesses cresça e se afirme como alternativa econômica é a razão da “política de guerra” patrocinada atualmente pelos EUA.

Portanto, o que os golpistas querem implementar no país, em todas as áreas, é um desastre anunciado, que retrocederá o país ao período pré-Getúlio Vargas. Trata-se de um atentado à história de construção da Nação brasileira, às políticas trabalhistas de Getúlio Vargas, ao II Plano Nacional de Desenvolvimento de Geisel e às políticas de inclusão social, distribuição de renda e direitos sociais dos governos Lula e Dilma. O Brasil não cabe dentro dessa camisa-de-força e saberá reunir o conjunto das forças sociais, econômicas, políticas e militares necessárias para construir um projeto de Nação.

detroit
Foto: BBC

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