Farsa para incluir o Brasil na rota do terror

Fernando Rosa

Vocês lembram da Copa do Mundo? Tudo correu bem, em todos os sentidos, inclusive no quesito segurança. Mesmo com os golpistas promovendo toda sorte de sacanagens contra o governo. Incluindo ofender a presidenta da República com palavrões em plena abertura da competição, na Arena do Corinthians. O povo foi às ruas e, mesmo tomando 7 a 1 dos alemães, festejou a vitória da hospitalidade, da alegria e do orgulho nacional.

Agora, no entanto, acompanhando o espírito dos golpistas e daqueles que os embalam, o clima é outro. No último 21, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, se encarregou se incluir o Brasil na “rota do terror”. Em operação fake, prenderam e acusaram de “terroristas” criadores de galinhas, atiradores de Pinball e outros perigosos diletantes da internet. Um “novo” grupo teria sido descoberto após uma reportagem do Fantástico, da TV Globo, na noite do último domingo, 24.

Segundo o programa da Rede Globo, que vai ao ar aos domingos à noite, a existência dessa nova célula foi descoberta por um jornalista que se infiltrou no grupo há um ano e meio. Sem se identificar, e também sem explicar a motivação da reportagem, o jornalista teria viajado para sete países da Europa. Segundo o tal jornalista, os supostos terroristas viam nas Olimpíadas uma oportunidade para promover ações contra seus inimigos.

Para o representante no Brasil do Escritório da ONU sobre Drogas e Crimes, Rafael Franzini,  em matéria do portal Sputnik, “a questão do terrorismo hoje é global e não mais casos isolados de alguns países”. Para justificar sua tese, ele cita os ataques terroristas na Europa e a chegada dos Jogos Olímpicos no Brasil, com a prisão de uma possível célula terrorista no país ligada ao grupo extremista Daesh.

Além do espalhafato, a Operação Hashtag nada tem de política de segurança, ao contrário, contraria qualquer manual de segurança. Se hilária em um primeiro momento, não deve, no entanto, ser apenas alvo de gozação nas redes sociais, como aconteceu. Ninguém é ministro da Justiça de um governo golpista por acaso, e muito menos por falta de esperteza. A história é mal contada desde o início, mas encerra um perigo real à vista.

Havendo atentados ou não – pelo visto, apostam que haja – a operação desencadeada pelo governo golpista tem objetivos subsequentes às Olimpíadas. Em tempos não muito distantes, no Brasil se prendiam ativistas sociais e políticos sem motivos, sob a acusação de “comunista”. Incluir o Brasil entre os alvos do terror é o caminho para aprofundar a ditadura judicial-policial contra a reação popular ao pacote de maldades – caso aprovem o impeachment.

Os movimentos sociais, certamente, vão promover grandes protestos durante as Olimpíadas, como ocorreram na Copa do Mundo – em um governo democrático. E é bom que elas sejam amplas, pacíficas e objetivas em suas bandeiras – denúncia do golpe, “Fora Temer” e “Volta Dilma”. O que ocorrer de diferente disso já é responsabilidade de quem busca alinhar-se aos Estados Unidos até nesse terreno.

espionagem
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