O Brasil é nosso!

Fernando Rosa

“Na verdade, o nacionalismo é o ultimo refúgio para escapar da sórdida internacionalização a serviço do capital financeiro e vadio”. A definição é do senador Roberto Requião, postada em seu perfil de twitter, nesta semana. Em apenas 140 toques, o senador paranaense sintetizou o centro do debate atualmente no mundo – e no Brasil, por certo.

Ao longo dos últimos anos, fazendo de conta que o combatia, a esquerda mundial embarcou na onda do neoliberalismo. Aqui no Brasil, por exemplo, comprou as “manifestações de rua” em 2013, com uma ingenuidade adolescente. Também acredita que o Uber é um sinal de modernidade para enfrentar os taxistas ultrapassados.

É claro que o buraco é mais embaixo do que os exemplos citados, e tem fatos e situações maiores que exigem aprofundar o debate. É o caso da classe trabalhadora inglesa, por exemplo, que votou pela saída do Reino Unido da União Européia. Ou do candidato Donald Trump que tem grandes chances de ganhar as eleições nos Estados Unidos.

Na verdade, a defesa dos interesses nacionais, de forma mais ampla, foi abandonada pela esquerda mundial nos últimos anos. No Brasil, o nacionalismo, ou a defesa do estado nacional, de Getúlio Vargas, por exemplo, só foi incorporado à duras penas pelo petismo. E mesmo assim, talvez pela força pessoal de Lula e alguns poucos sindicalistas. Com tudo isso, o país ainda aguarda um Projeto Nacional que dê conta da dimensão do país, hoje no centro da disputa geopolítica mundial.

Os demais momentos do país, em que a força de uma visão nacional imperou, no entanto, passam batido pelos debates. Quem se atreveria a resgatar e defender o II PND, do período Geisel, talvez o mais profundo projeto de desenvolvimento para o país? Ou teria o desprendimento de assumir que as Forças Armadas resistiram aos planos imperialistas – nos terrenos da economia e da infraestrutura?

Nesses dias, estamos vivendo um golpe de estado, ao qual nos limitamos a resistir, e não atacar, deixando claro seu caráter anti-nacional – aliás, como o mundo o vê, e por isso o repudia. O centro da luta é a defesa da democracia, o que não está incorreto, mas é insuficiente para unir os brasileiros e dobrar o inimigo. Alguém precisa falar em nome do Brasil, e não apenas em nome de setores sociais.

O exemplo da Turquia deveria servir para alertar as nossas lideranças políticas, especialmente. O presidente Erdogan conclamou o povo para “defender a Turquia” do ataque, e identificou claramente de onde ele partia, e com quais objetivos. A oposição aderiu à mobilização, seja por convicção, seja para não deixar a bandeira de defesa da pátria turca exclusivamente nas mãos dele.

É claro que as situações são diferentes, os golpes tem formatos distintos, mas os dois atendem ao mesmo objetivo. O imperialismo está vivendo uma profunda crise e precisa colocar sob seu controle – ou destruir, se necessário, como fez com o Iraque e a Líbia – as Nações emergentes. Afastar o Brasil do BRICS é o objetivo central dos golpistas, além de abrir as fronteiras para a “invasão americana”.

Ou coloca-se a luta política no patamar que a realidade exige, ou o povo identificará como responsáveis pela sua desgraça atual e futura os imigrantes, os nordestinos, os mais pobres – ou o “PT”. A compreensão do caráter nacional da luta atual é decisiva para enfrentar corretamente os inimigos e não deixar os trabalhadores e o povo à mercê do fascismo. Mais do que o “petróleo é nosso”, vivemos a era do “Brasil é nosso”.

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