Um gigante que insiste em dormir

Fernando Rosa

Além da propaganda da mídia golpista, tem um pouco de verdade um certo “cansaço” do movimento popular contra o golpe em todo o país. Mas não pelos motivos que os golpistas e seus escribas de aluguel alegam, tentando intrigar partidos e lideranças, e minar o ânimo do povo contra os seus algozes. E nem tanto assim, a ponto de afastar um levante popular contra o criminoso assalto ao poder. O que está havendo é um vácuo político, provocado pela falta de rumo no presente e, com isso, incerteza no futuro.

A palavra “cansaço” talvez não seja a definição mais correta, mas sim uma falta de horizonte maior para mobilizar mentes e corações. Ao definir a democracia como centro da luta, projetamos um determinado cenário de disputa e limitamos o alcance das mobilizações. O problema dessa opção, que evidencia sua fragilidade, é que não estamos travando uma luta interna em torno do poder. O buraco é mais embaixo, e poucos tem alertado para isso – no Brasil, geopolítica ainda é sinônimo de “teoria da conspiração”.

O Brasil está no epicentro de uma guerra mundial entre as principais forças políticas e econômicas do mundo, mesmo que não queiram ver isso. Enquanto os EUA vão de mal a pior com sua economia, a China acumula trilhões de dólares para investir ao redor do mundo. Apenas no Brasil, em 2015, foram assinados acordos para investimentos de cerca de U$ 50 bilhões, especialmente em infra-estrutura. Ao contrário de assaltar os países, os chineses apostam em outra abordagem – econômica e comercial – que, aliás, vem desde os anos sessenta, inclusive em relação ao Brasil.

Imaginem, então, o pavor dos americanos em ver o BRICS e seu banco de investimentos funcionando e fazendo do yuan chinês a moeda comum entre os países. Diante disso, sem nada para oferecer, a estratégia dos Estados Unidos é a guerra de destruição – de direitos, de instituições, de lideranças, de economias, enfim, de Nações. Se não estão alinhadas, que sejam inviabilizadas, bloqueadas em seus projetos nacionais de desenvolvimento. Assim foi no Iraque, na Líbia, e assim está sendo na Síria, na Turquia e em outros países.

É disso que se trata, e ganhando ou perdendo a votação do impeachment, essa é a verdadeira guerra instalada dentro das nossas fronteiras, agora e por longos anos. Não alertar a população brasileira sobre isso é um ato de irresponsabilidade patriótica diante dos destinos do país. O Brasil pode seguir com sua vocação de grande Nação e contribuir para afirmar a multipolaridade no mundo e impedir a eclosão de uma nova e trágica guerra mundial. Ou, apenas virar uma colônia americana, como nunca antes se viu.

yuan

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