A “nova” doutrina de segurança nacional (dos EUA)

Fernando Rosa

Em artigo de Alex Emmons, o The Intercept Brasil informa que “na coletiva do Pentágono de segunda-feira (01), quando Nancy Youssef, repórter do Daily Beast, perguntou se a guerra (na Líbia) era legal, Cook (o assessor de imprensa do Pentágono, Peter Cook) respondeu citando uma controversa resolução parlamentar para Autorização do Uso de Força Militar (AUMF) aprovada há 15 anos, logo após o ataque de 11 de setembro”.

Segundo o site recém-lançado em sua versão em português, a resolução AUMF autoriza o uso de força militar contra organizações que “planejaram, autorizaram, cometeram ou auxiliaram os ataques terroristas realizados em 11 de setembro de 2001”. Ainda de acordo com o The Intercept Brasil, a resolução foi utilizada, tanto por George W. Bush quanto por Barack Obama, para justificar as invasões militares no Iraque, Iêmen, Somália, Síria e em diversos outros países.

Esse tipo de iniciativa do governo norte-americano reafirma o caráter belicista do imperialismo em crise, o que impõe uma atenção cada vez maior aos povos do mundo para a sua atuação. No caso da América do Sul, e do Brasil em especial, essa preocupação tem que ser redobrada, devido aos últimos acontecimentos. Em nosso caso, um golpe de estado, com todos os requintes de objetivos claramente sintonizados com a geopolítica norte-americana, é mais do que um sinal.

Na esteira do golpe em curso, aproveitando a deixa das Olimpíadas no Brasil, o governo interino alinhou-se a essa nova “doutrina de segurança nacional” (dos Estados Unidos), por meio do factóide da prisão de “terroristas” suspeitos de ligação com o Estado Islâmico. Ao mesmo tempo, tratou-se de ativar a Lei 13.260, conhecida como a lei antiterrorismo, editada em maio de 2016, já utilizada para prender lideranças do MST, “suspeitos de liderar organização criminosa”.

Além disso, é sempre bom lembrar, do trabalho sujo desenvolvido pela Operação Lava Jato e seus operados no judiciário, que investiu na destruição dos setores de ponta da infra-estrutura e, por consequência, da defesa nacional. Ao atacar as principais empresas do setor, alvos como o submarino nuclear, a indústria naval e importantes segmentos de tecnologia foram atingidos. A exemplo das “guerras ao terror”, tudo na volta é destruído, até mesmo Nações.

“Pretendemos atacar o EI onde quer que surjam”, disse Peter Cook, também segundo o artigo do The Intecept Brasil. “A Líbia é um desses lugares” – assim como qualquer outro país do mundo, principalmente se estiver alinhado com eles. A tentativa de abrir o base de Alcântara para os Estados Unidos é uma sinalização do que pode estar por vir, caso o Brasil aceite virar “uma colônia americana” – como criticou o general Ernesto Geisel, ao defender abrir relações com a China, em 1974.

submarino-nuclear

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