Golpistas apostam em nova Operação Condor

Fernando Rosa

“A prioridade é combater a criminalidade organizada transnacional” diz o sub-texto das imagens do ministro da Justiça do Brasil, Alexandre de Moares, em território paraguaio, derrubando pés de maconha com um facão. A imagem é uma piada mas, ao mesmo tempo sinaliza extrema gravidade, por novamente evidenciar o alinhamento do governo interino à atual política norte-americana de segurança. Não é de hoje que o PSDB, tendo a frente o atual ministro das Relações Exteriores, José Serra, trata nossos vizinhos latinos como “traficantes” de drogas e armas.

Em 1964, para vincular os “comunistas” a interesses externos, os golpistas prenderam um grupo de cidadãos chineses que trabalhavam no Brasil, sob a acusação de “agentes internacionais” instalados no Brasil. Conhecido como “o caso dos nove chineses*”, o fato era uma armação da polícia do então governador Carlos Lacerda, notório anti-comunista. Apesar de brilhantemente defendidos pelo advogado Sobral Pinto, e da reação internacional articulada pela China, os chineses foram condenados – e depois expulsos – por meio de provas fraudadas.

Sem a mesma proporção de escândalo internacional, os golpistas de 2016 também construíram seu factóide, ou seja, a prisão de “perigosos terroristas” – entre eles, criadores de galinhas e jogadores de paintball. Protagonizada pelo ministro-interino da Justiça, Alexandre de Moraes, a encenação igualmente faz parte de um roteiro pré-determinado. Além de atrair irresponsavelmente o terrorismo real para dentro das Olimpíadas, o factóide cumpre objetivo estratégico dentro dos planos de”segurança nacional” dos golpistas e seus novos patrões externos.

Nos anos 70 e 80, patrocinada pelos EUA, a Operação Condor promoveu a perseguição e o assassinato de lideranças de oposição aos regimes militares na América Latina. “A ação foi conjunta e o governo norte-americano dela tinha conhecimento, conforme demonstram documentos secretos divulgados pelo Departamento de Estado em 2001”, registra a enciclopédia online Wikipedia. Ainda segundo o Wikipedia, “o primeiro passo da Operação Condor foi executar a imediata unificação de esforços de todos os aparatos repressivos dos países participantes”.

O Brasil levou mais de cinquenta anos para livrar-se do papel secundário nas relações internacionais e, especialmente, nos últimos anos, superar o espírito de “vira-lata” na relação com o mundo. Nos anos setenta, ao reatar as relações diplomáticas e comerciais com a China, no governo Geisel, o Brasil deu um passo fundamental no sentido do multilateralismo internacional. Ao tentar alinhar automaticamente o Brasil aos Estados Unidos e sua política belicista mundial, o governo golpista rompe não apenas “com o PT”, mas com a história da construção soberana da Nação brasileira.

* Leia o livro “O caso dos nove chineses”.

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