Dores, gemidos e esperanças do Brasil golpeado e esquartejado

Bispo Orvandil Barbosa

Caro Jornalista Miguel do Rosário, RJ, do site O Cafezinho

Certamente o amigo se lembra de mim da vez em que me deu uma força, rápida, mas ajudou, divulgando meu blog no seu prestigiado site. Deve recordo-lhe de que somos amigos no Facebook.

Os fios da análise e do interesse nacional nos ligam pelas mesmas angústias e denúncias contra a mídia dominante e contra os oligarcas impatrióticos, antinacionais e antissociais, eu no meu cantinho humilde e o amigo no seu vasto espaço de mobilidade nacional.  Além disso, o amigo estudou no Instituto Benetti onde estive algumas vezes no desempenho de compromissos eclesiásticos.

Admiro seu trabalho e o tenho como uma das fontes de consultas.

Pois vivemos conjuntura semelhante aos tempos de traições, enforcamento e esquartejamento de Frei Caneca e de Tiradentes.

Hoje como antes os lutadores parecem revestidos de uma aura de inocência e ingenuidade, bem ao contrário da horda de criminosos que assalta e esquarteja a democracia, eternos táticos e estrategistas do mal.

Assisti o seu vídeo sobre o bate papo que fez com usuários do Facebook e, depois, li seu artigo no qual sumulou aquela bem sucedida experiência direta com o público.

No artigo crítica o governo Dilma e ao seu PT, considerando-os ingênuos com relação à marcha do golpe e dos golpistas.  Chamo-os de “bobinhos” por duas vezes.

Concordo com sua ironia e a estendo. A ingenuidade que desprotegeu os quilombolas, Frei Caneca, os revolucionários cabanos, farroupilhas, os canudos e tantos outros, como os grupos dos 11 de Brizola, é marca que amarra mentes, braços e pernas das lideranças de hoje, enfiadas na confiança cega na falsa ética dessa elite herdeira diabólica das atrocidades, ódio e desprezo aos pobres e trabalhadores, treinada na matança dos sediciosos contra as correntes e troncos da escravidão.

Sangue derramado, carnes abertas sob chicotadas e ossos moídos a pauladas nunca foram problemas de consciência para essa aristocracia escravocrata.

A alforria dos escravos, aquela brutal sacanagem contra nossas raízes africanas saqueadas e culturalmente destruídas, é exemplo da insensibilidade que funciona como arquétipo manipulador da alma do escol, como gatilho eterno, golpista e assassino do espírito coletivo dos saqueados e mortos.

Assisto os discursos indignados de nossos/nossas deputados/deputadas e senadores/senadoras nas tribunas a estrebuchar denúncias contra as aves de rapina a partir de seus gabinetes servidos por assessores e técnicos bem informados. E daí, como se relacionam com o povo vítima das pancadas anunciadas?

Concordo que os presidentes Lula e Dilma fizeram papeis de bobos das cortes e instituições controladas desde sempre por essa casta pactuada com os assaltantes nacionais e internacionais. Seus militantes agem em todas as instituições, sem exceção. As diferenças são graduadas apenas por mais ou por menos sujeiras, manipulações, corrupções e banditismos.

Seria repetitivo, embora talvez seja necessário, ao afirmar que o bobismo lulista e dilmista em não fazer as reformas, que o País e a sociedade pautaram no tempo certo, redundou em folga ingênua aos que sempre prepararam o golpe, na prática da velha e sem vergonha aliança entre os galos vendilhões de suas galinhas e as raposas que sempre viveram do sangue e das carnes entregues às suas garras pelos que se infiltram em todos os espaços, com lábias, sorrisos, batidinhas nas costas, muitas e vultuosas propinas para enganar os ingênuos.

Mas não foram somente essas grandes autoridades que nos entregaram nas mãos peludas dos sanguinárias. O judiciário colabora calado e traidor. As forças armadas se permitem ser comandadas por corruptos e assassinos da Constituição. Nada fizeram e nada fazem para impedir a injustiça. Suas bocas caladas são traições à Pátria ameaçada.

E assim vai. Nossas lideranças comunitárias, sindicais e intelectuais se dividem em torno de picuinhas de pontos e agendas que não ferem os pontos nevrálgicos de nossa realidade.  Parecem rezar, como fazem a CNBB e o CONIC, compostos de bispos, padres e pastores amantes de bons vinhos, charutos e viagens internacionais, mais marcadas por turismos do que pelos reais interesses por nosso povo, a espera de que um demiurgo da democracia desça na Amazônia e comece a espancar os maus, como Cristo no templo de Salomão.

Vou além, enquanto os gringos imperialistas enfiam seus bedelhos aqui para ajudar as raposas a assaltar nosso galinheiro, nossos chefes de Estado do CONESUL, da UNASUL, da OEA e do BRICS se limitam a fazer declarações de reconhecimento do golpe. A mesma coisa parlamentares e democratas estadunidenses e europeus. No frigir dos ovos acabarão por apoiar a OTAN numa guerra para roubar o petróleo no Brasil, na Venezuela e na Argentina.

Como disse Brizola a respeito da pasmaceira que tomou conta das lideranças democráticas do tempo do golpe de 1964, numa citação não literal: eles [os golpistas] entraram em nossas casas, abriram as geladeiras e se fartaram, ligaram nossas TVs e assistiram a tudo, entraram nos quartos e dormiram e, para completar, estupraram nossas mulheres e nada fizemos.

O resultado agora não é só o enforcamento de um Frei Caneca e de um Tiradentes, mas a morte de um País inteiro enquanto os bancos, a mídia e a plutocracia rentista, egoísta, perversa e antissocial se enriquece cada vez mais.

Permita-me colar aqui o que o amigo escreveu a respeito da delapidação de nosso patrimônio pátrio, com a colaboração nefasta e deliberada da Lava Jato e seu comandante Sérgio Moro, cumprindo um dos objetivos dos associados para golpear a democracia. “A operação já destruiu a engenharia nacional; está prestes a destruir nossos projetos nucleares; devastou o setor de navegação; paralisou quase todas as grandes obras de infra-estrutura (CIC); é responsável por uma reviravolta na política da Petrobrás, que agora se tornou privatista, derrotista e colonial; avançou sobre os centros de pesquisa da Petrobrás no Fundão.”

Cito-o mais: “O golpe foi dado por aqueles que pretendem transformar o Estado nacional numa grande Lava Jato, ou seja, num Estado de Exceção, num Estado Policial, sempre tendo como justificativa o problema da corrupção, que é a justificativa de todas as ditaduras reacionárias.

As acusações contra os arbítrios da Lava Jato são inúmeras, documentadas. Sergio Moro já explicou que precisa da “ajuda da mídia” para levar adiante o processo, e teve mesmo, do jeito que a gente viu, promovendo todo o tipo de perseguição, humilhação, vazamentos seletivos, abuso de prisão preventiva, que foi usada como forma de tortura prisional.”

No seu perfil no Facebook o professor Francisco Costa concorda que os  objetivos de Sérgio Moro são de ódio ao colaborar com a destruição intencional da Odebrecht: “Quando os Estados Unidos covardemente invadiu o Iraque, matando mais de 100.000 civis e destruindo o país, justificando-se nas calúnias de que Sadhan Houssein estava fabricando armas atômicas, químicas e biológicas (não encontraram sequer indícios disso) a Odebrecht era praticamente empreiteira única no Iraque, construindo gasodutos, refinarias de petróleo, estradas, conjuntos habitacionais… Dando emprego à mão de obra brasileira, levada para lá, para ter salários em petrodólares, e trazendo divisas para cá.

Destruído o país, com a Odebrecht fora, todas as obras da empreiteira brasileira foram herdadas pela empreiteira da família Bush, que está “reconstruindo o país”, recebendo em petróleo.

Se este é um bom motivo para os norte-americanos desejarem o fim da Odebrecht, há outro, muito maior, o know how da empresa, o seu acervo de conhecimentos científicos e tecnológicos”.

A ironia do professor Francisco quanto a seletividade investigativa do almofadinha da republiqueta de Curitiba é perfeita: “Quanto às propinas pagas a Serra, Temer e Padilha, entre outros, isso não vem ao caso, não considerar faz parte da doutrina jurídica praticada por Moro…”.

Invoco em nosso socorro as angústias de quem entende de Petrobras e do nosso petróleo, seus mais gabaritados geólogos, somando-se aos gemidos de um Brasil em esquartejamento.

“Em protesto contra a venda da área de Carcará, no pré-sal, à estatal norueguesa Statoil, a Febrageo – Federação Brasileira dos Geólogos – promete recorrer à Justiça; a operação foi anunciada pela Petrobras com o valor de US$ 2,5 bilhões; os geólogos chamam a negociação, que pretendem reverter, de “depredação do patrimônio dos brasileiros”; “Pela experiência de geólogos e especialistas que já trabalharam com o pré-sal, a área de Carcará pode ter mais petróleo do que o anunciado”, disse o presidente da Febrageo, João César de Freitas; a entidade já divulgou, esse ano, carta aberta em que chama de “retrocesso” a Lei da Partilha, defendida por Pedro Parente” (leia mais aqui), presidente golpista e espúrio da companhia.

Na Câmara tramita projeto de lei enviado pelo interino golpista MisShel defendendo a venda de terras indígenas a estrangeiros e o desmatamento da Amazônia para beneficiar empresas de móveis e os grandes proprietários.

E assim o golpe segue no cumprimento dos objetivos de esquartejar o Brasil e a todos nós, sem deixar pedra sobre pedra.

Ao analisar as ações das raposas no Senado ao votarem pela transformação da Presidenta Dilma em ré, o jornalista Esmael Morais lascou profeticamente: “Na calada da noite, por 59 votos favoráveis e 21 contra, o Senado deu mais um passo rumo à aprovação do fim das férias, do 13º salário, aumento da idade para aposentadoria, congelamento de salários por 20 anos, privatizações de empresas públicas e troca do nome do Brasil de República Federativa do Brasil para “República Golpista das Propinas do Brasil” (aqui). Portanto, os golpistas não têm nenhum interesse em combate à corrupção e ao impeachment, muito pelo contrário.

Na Câmara tramita projeto de lei enviado pelo interino golpista defendendo a venda de terras indígenas a estrangeiros e o desmatamento da Amazônia para beneficiar empresas de móveis e os grandes proprietários.

Enquanto ingênuos assistimos o golpista Temer a assaltar a República, o Brasil é carregado ao cadafalso para o enforcamento e miserailização de nosso povo, mesmo num País de fartura e de riquezas, mas com tudo roubado, restando-nos o esquartejamento pelas injustiças, pelos desempregos e pela fome, enquanto nos matamos brigando uns contras os outros, omissos e divididos colaboramos com os galos e as raposas no seu afã de fazer  a festa sobre nossos despojos.

Feliz foi o povo soviético que não foi ingênuo com os acordos feitos e rompidos pelo nazismo de Hilter, no fundo ídolo e valor inspirador dos golpistas de hoje no Brasil e no mundo.

Em 23 de agosto de 1939 foi firmado o pacto denominado Ribbentrop-Molotov, em Moscou, entre a Alemanha nazista, de Hitler, e a União Soviética, de Stalin. O tratado estabeleceu cláusulas de não agressão entre os países, a responsabilidade pela construção de soluções pacíficas entre ambas as nações, estreitamento dos laços econômicos e comerciais e ajuda mútua. Pelo pacto, os países também se comprometeram a fazer consulta mútua sobre assuntos de interesses comuns e também de que não participariam de alianças que fossem contra algum dos estados do pacto, no caso Alemanha ou URSS. Porém, no final de 1940, como é próprio do nazifascismo e da direita, Hitler quebrou o acordo e, em 22 de junho de 1941, as tropas nazistas tentaram atacar de surpresa a União Soviética. O que encontraram foi um paredão com o povo e o Exército Vermelho dispostos a defender a soberania nacional e os seus interesses. Os civis e seu povo fardado eram compostos não por ingênuos, que sempre souberam que Hitler e seu regime eram desonestos, mentirosos, manipuladores e bandidos.

Tudo mudará no Brasil quando acordarmos da ingenuidade, dos bobismos traiçoeiros e, nas ruas, armados da razão da soberania nacional, democrática e constitucional, nos dispormos a expulsar os vendilhões golpistas, com a disposição simbolizada por nosso hino, “mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme quem te adora, a própria morte”!

Acorda povo brasileiro. Basta de ingenuidade!

Para ler no original


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