Temer e o terrorismo. Tomara que não chova

Armando Coelho Neto

Uma criança morta afogada na beira da praia, uma repórter húngara chuta um imigrante. Pessoas desesperadas tentam alcançar o vagão de um trem. Ao mesmo tempo ou quase isso, um grupo de aflitos fica enroscado numa cerca de arame farpado. Cenas que entram e saem de moda, nas quais a imprensa servil mundial esconde o papel dos que as financiam. Tragédias, guerras e golpes tratados com expressões românticas e amenas como “primaveras” disso ou daquilo.

O terrorismo reage e o assunto é encampado pelo Brasil. Ganha características próprias como em uma cena do filme Bay Bay Brazil: “Finalmente, a neve no Brasil, como em qualquer país civilizado”, diz Lord Cigano, personagem de José Wilker no auge de seu espetáculo mambembe na região de Altamira/AM. No caso, finalmente o terrorismo no Brazil, como em qualquer país civilizado. Assim mesmo, com “z”, truque e mambembe.

Quem pesquisa o terrorismo se depara, entre outros, com esforços teóricos para definições, relatos históricos que passam pelo 11 de setembro (2001, EUA), quatro trens em Madrid (março de 2004), metrô de Londres (julho de 2005) e mais recentemente as tragédias francesas em Paris e Nice (França). Poucos se tocam na ferida. Afinal, “terrorismo não é causa e sim consequência”, já o disse Paulo Pereira, Coordenador do curso de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Bom lembrar, pois, uma entrevista concedida a um canal de TV dos Estados Unidos, pelo General Wesley Clark, ex-Comandante Supremo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) durante a Guerra do Kosovo (1998/99). Ele afirma que logo após os atentados de 11 de setembro (2001), viu um memorando com detalhes sobre como os Estados Unidos iriam desestabilizar sete países em cinco anos, começando pelo Iraque, depois Síria, Líbano, Líbia, Somália, Sudão e Irã. Tudo, segundo ele, vinculado a interesses no Petróleo. Clark não disse, mas poderia ter dito: sempre tratados como “primaveras”.

Fatos: no “Pós-Jornadas de Junho” (2013) instaurou-se a desestabilização no País. Aqui nesse espaço ficou registrado que “não era por 0,20 centavos” e sim por 20 milhões de barris de petróleo (leia aqui). Debater terrorismo não como efeito é ignorar as causas, os interesses que o ocultam. Mas, o efeito bumerangue tarda, mas não falta; e quem financia ou semeia terror colhe, cedo ou tarde, os resultados. A história mundial prova que o terrorismo é a arma do mais fraco e quem paga são inocentes.

A Lei Antiterror do Brasil é o próprio terror. Tecnicamente, tem indicadores de Terrorismo de Estado, aliás, uma das causas do terror. A representação da ONU, na Suíça, considera a lei brasileira antidemocrática, pois viola o direito de expressão. “Definições imprecisas ou demasiado amplas sobre terrorismo abrem a possibilidade do uso deliberadamente indevido do termo… legislações que visam combater o terrorismo devem ser suficientemente precisas”, diz o comunicado da ONU, enviado ao Brasil. Para ela, a lei ameaça “limitar as liberdades fundamentais”.

O país foi propositadamente desestabilizado e não há interesse em saber quem financiou. Há um golpe em curso, no qual a Lei Antiterror cai como luva e os justiceiros de plantão podem dizer o que é ou não terrorismo. Os riscos de conceitos vagos estão evidentes nas truculências da Farsa Jato, na elástica ideia de desacato da criminosa Polícia Militar de São Paulo, nos supostos trâmites legais do golpe. O Terrorismo de Estado permeia a hermenêutica do golpe.

Como pode o político estar acima da Lei e da Justiça? Constituição Federal rasgada, a harmonia e independência dos Poderes virou jogo de conveniências. O Congresso Nacional dominado por bandidos é uma caixa de maldades. Move-se a ódio, xenofobia, homofobia, preconceito, racismo, misoginia, apologia à tortura, fundamentalismo religioso. A qualquer momento o Brasil pode ser negativamente surpreendido, enquanto vige a repressão desproporcional e a Pátria está à venda.

Boa parte dos cidadãos já perdeu a crença no voto, na lei, nas instituições. Campo aberto para o surgimento dos discutíveis “lobos solitários”. Eis, pois, as sementes de terror que Temer lança sobre o solo pátrio. Tomara que não chova!

Publicação original no GGN

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