Fraude, golpe e traição

Fernando Rosa

O processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff em andamento no Senado Federal repete farsas semelhantes verificadas na história do Brasil envolvendo instituições submetidas, profissionais capturados e lideranças políticas corruptas. É a velha tática das elites adotada em outros momentos da vida nacional para render o país a interesses externos e afastar o povo das decisões. São golpes impostos por alianças oportunistas, espúrias e antinacionais que tentam impedir o Brasil de alcançar a sua inequívoca vocação da grande Nação.

Uma das primeiras e mais exemplares farsas da história do Brasil foi o julgamento do alferes da cavalaria regular da Capitania de Minas Gerais, Joaquim José da Silva Xavier, o mineiro “Tiradentes”. Ele foi julgado e condenado em 18 de abril de 1792 por um tribunal sem legitimidade, sem qualquer direito à defesa, nem advogados, por denunciar o assalto praticado por Portugal contra as riquezas nacionais. Sem provas, a acusação baseou-se em depoimentos obtidos sob tortura e na traição de Joaquim Silvério dos Reis, e condenou o primeiro herói nacional a forca.

No século passado, foi a vez de Getúlio Vargas sofrer na pele o peso de uma conspiração baseada em acusações falsas, especialmente patrocinadas por O Globo e por Carlos Lacerda. Então presidente, Vargas era acusado de “implantar uma república sindicalista”, de conceder apoio financeiro do Banco do Brasil ao jornal Última Hora e de agir para unir a América do Sul em uma frente nacionalista, a ABC – Brasil, Argentina e Chile, para enfrentar os Estados Unidos. O impeachment foi derrotado em 16 de junho de 1954, mas apenas adiou o desfecho da crise, com o suicídio de Vargas em 24 de agosto.

Em 1964, quando do Golpe Militar, a presença de julgamentos farsescos apresentou-se inicialmente no episódio que ficou conhecido como “o caso dos nove chineses”, com objetivo de criminalizar os comunistas. Residentes no Rio de Janeiro, jornalistas e representes comerciais da China foram presos, acusados de subversão e espionagem, por meio de falsos argumentos legais e provas fraudadas. Sob pressão da paranóia anticomunista alimentada novamente por Carlos Lacerda, os chineses foram defendidos brilhantemente pelo advogado Sobral Pinto, mas acabaram condenados e expulsos do país um ano depois.

O julgamento da presidenta Dilma Rousseff que o Brasil e o mundo assistirão nos próximos dias encerra várias semelhanças com os episódios passados que marcaram a nossa história política. Sempre presente, o ingrediente da traição nacional se manifesta quando buscam afastar lideranças e projetos identificados com os interesses nacionais, como o BRICS e o Mercosul, e submeter o país aos interesses norte-americanos. Em todos os casos, assim como agora, também está presente o ataque a democracia e aos direitos sociais do povo, expresso no golpe de estado judicial-parlamentar e na tentativa de congelar os investimentos públicos por vinte anos.

temer-kerry-serra

Presidente da República em Exercício, Michel Temer, Ministro das Relações Exteriores, José Serra, Governador do Rio, Luiz Fernando Pezão e o Prefeito do Rio, Eduardo Paes recebem o Secretário de Estado John Kerry durante recepção aos chefes de estado e de governo, por ocasião dos Jogos Olímpicos Rio 2016. (Rio de Janeiro – RJ, 05/08/2016). Foto: Beto Barata/PR

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s