A última valsa dos traidores

Fernando Rosa

O processo do “impeachment” em curso no Senado Federal é a prova contundente do que diz o editorial do jornal francês Le Monde, neste dia 27 de agosto. Sentencia o jornal: “Se esse não é um golpe de Estado, é no mínimo uma farsa. E as verdadeiras vítimas dessa tragicomédia política infelizmente são os brasileiros“.

De nada adiantam os argumentos, por mais sólidos, objetivos e até mesmo óbvios apresentados pelas testemunhas de defesa. Demolidos sistematicamente, os senadores-acusadores só não ficam mais expostos ao ridículo devido à educação dos depoentes. “Isso é uma encenação, uma mera formalidade”, disse o senador Álvaro Dias.

Ao longo dos debates foram enfileirando-se adjetivos, no plenário e fora dele, aos comportamentos provocadores, hipócritas e cínicos. Os senadores golpistas do Senado Federal são apenas mais “lustrosos” do que aqueles deputados que promoveram o circo dos horrores, na votação do afastamento.

A senadora Gleisi Hoffmann incomodou os senadores ao afirmar que “o Senado Federal não tem moral para julgar a presidenta da República”. De fato, 49 senadores, ou 60% do total, respondem processos judiciais; antes, mais de 1/3 dos integrantes da comissão também tinham, e continuam tendo, seus mandatos sob investigação.

Os debates, evidentemente, foram realizados com o Senado Federal cercado por ostensivo e agressivo policiamento, inclusive militar, e censura à presença de jornalistas críticos ao processo. Não fossem as mídias sociais, os golpistas, sob proteção da máfia midiática, poderiam cometer o “crime perfeito”.

Em meio a tudo isso, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, tentou ensaiar um clima de tensão e confronto para, em nome disso, afastar o depoimento da presidenta Dilma no plenário. Firmes, os líderes da oposição ao golpe agiram rápido e desarmaram a mais recente artimanha dos golpistas.

A presidenta Dilma não se cansa de repetir que ela é um incômodo aos golpistas, por não ter renunciado e enfrentá-los em todos os terrenos. A sua presença, as suas respostas, terminarão de flagrar a farsa apontada pelo jornal francês – e por todos os jornais do mundo.

O governo golpista não vai a lugar nenhum, porque nasceu da conspiração, da deslealdade à democracia e da traição aos interesses nacionais. Não haverá censura, repressão ou até armas suficientes para promover o retrocesso que pretendem impor ao país. Nem os brasileiros nem o mundo aceitarão o golpe.

No discurso de apresentação da Constituição de 1988, o deputado Ulysses Guimarães disse que todo “traidor da Constituição é traidor da Pátria“. Entre os senadores, muitos deles optaram pela traição faz algum tempo, alinhados aos interesses norte-americanos da forma mais  ultrajante. Outros são neófitos.

Rasgar a Constituição de 1988, a começar pela PEC 241, que congela por 20 anos gastos com educação e saúde, é a primeira afronta dos traidores. Outros direitos consagrados na mesma Carta, em especial dos trabalhadores, também estão na mira dos golpistas. O desmonte do Estado Nacional, por fim, é o objetivo maior da violenta ruptura democrática.

Ainda restam algumas horas, portanto, para aqueles que quiserem salvar suas biografias da infâmia. Ou se somam ao povo na construção de um Projeto Nacional, ou irão para o lixo da história. Se ainda não entenderam, esta é a última valsa dos traidores e vende-pátrias. O Brasil jamais será uma colônia americana.

a última valsa

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