A nova Batalha de Guararapes

Fernando Rosa

“O Estado encarnado na metrópole resignara-se ante a invasão holandesa no Nordeste. A sociedade restaurou nossa integridade territorial com a insurreição nativa de Tabocas e Guararapes sob a liderança de André Vidal de Negreiros, Felipe Camarão e João Fernandes Vieira que cunhou a frase da preeminência da sociedade sobre o Estado: Desobedecer a El Rei para servir El Rei” – Ulysses Guimarães, na aprovação da Constituinte de 1998.

O baixo nível das perguntas feitas à presidenta Dilma Rousseff no julgamento do impeachment não evidenciou apenas a falta de preparo e conhecimento das leis dos senhores senadores. Além da hipocrisia e do oportunismo, demonstraram a total irresponsabilidade diante de um fato histórico de graves consequências futuras.

Afastar a presidenta Dilma Rousseff por meio de um golpe parlamentar, sem crime comprovado, encerrará definitivamente um ciclo da vida política nacional. A partir desta semana, se consolidado o golpe contra a democracia, o Brasil ficará à deriva até que se reencontre novamente com um porto seguro.

“Traidor da Constituição é traidor da Pátria”, vaticinou o deputado Ulysses Guimarães, na aprovação da Constituição de 1988, ameaçada de ser rasgada nesta semana pelo mesmo Congresso Nacional. Sem meias-palavras, essa é a real dimensão do gesto final do Senado Federal e da ausência de patriotismo de seus senadores.

Enganam-se àqueles que acham que afastando a presidenta Dilma, o PT e seu programa econômico e social retrocederá a luta de classes. Ao contrário, o golpe sepultou a velha política de conciliação e elevará o enfrentamento para um novo patamar na sociedade, como advertiu o senador Lindbergh Farias.

Aprovado o impeachment, os golpistas aprofundarão sua política recessiva, entreguista e de destruição do Estado Nacional, a serviço dos Estados Unidos, as razões pelas quais deram o golpe. Por outro lado, assim como disse Dilma Rousseff em seu pronunciamento, não esperem “o silêncio dos covardes” de um povo que viveu longos anos de governos populares.

A tentativa de transformar o Brasil em uma colônia americana também não encontra qualquer respaldo na realidade, seja econômica ou política. A China, a Russia, a Índia, países do BRICS como o Brasil, são as economias do futuro, e alinhar-se unilateralmente aos Estados Unidos impedirá o Brasil de crescer.

Essa nova realidade, além de impor a resistência às medidas de destruição da soberania e de direitos, também exigirá dos brasileiros uma nova tarefa no processo de construção da nacionalidade. É preciso construir um Projeto Nacional de desenvolvimento, que contemple esse novo Brasil inserido na disputa geopolítica.

Para tal, é preciso unir os trabalhadores, democratas, nacionalistas, as organizações sociais, as forças econômicas nacionais e as Forças Armadas em defesa da Pátria. As formas de organização necessárias ao processo, a sociedade brasileira saberá encontrar, como sempre fez em sua história.

A maioria das disputas de poder na história do país, assim como a maioria dos seus heróis, tem origem em enfrentamentos armados e militares, depois concertados institucionalmente. Esperamos que, dessa vez, não precisemos reviver uma nova Batalha de Guararapes para garantir a nossa vocação de grande Nação.

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A Batalha de Guararapes, óleo sobre tela por Victor Meirelles de Lima.

 

 

 

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