Antes que seja tarde

Gisele Caresia

Sim, amigos, o momento é dos piores.

E caso não haja uma rápida rearticulação das forças nacionais, independente de siglas, bandeiras ou históricas divergências, uma situação calamitosa se instalará no país no próximo período. Sob a égide das forças mais reacionárias um monstro apocalíptico se levanta ganhando força e poder…

Esse monstro promete desnacionalizar o que restou de patrimônio público, aquele que foi construído com o sangue e o suor do nosso povo. Promete varrer a CLT da face da Terra, aquela que desde Getúlio assegura salários dignos, registro em carteira, férias, décimo terceiro, 8 horas de trabalho e é a barreira que impede o retorno do Brasil ao escravagismo.

Promete ainda não deixar um único campo do pré-sal em mãos brasileiras, nos tornando eternos dependentes da riqueza mineral que o país detém em abundância, concluindo o desmonte de uma das maiores empresas do mundo, a Petrobras. Atentará contra os aposentados, as forças armadas e desnacionalizará a comunicação, entregando definitivamente as rédeas de nosso país aos senhores da guerra, nossos vizinhos do Norte, detentores do maior orçamento bélico do mundo e que não poupam munição para submeter a humanidade aos seus interesses.

O afastamento de Dilma está para ser consumado.

Seus defensores estão esgarçados diante de uma batalha desproporcional travada pelos usurpadores do executivo em conluio com a mídia e o judiciário. Ex-aliados, entre eles antigos expoentes do governo, já buscam caminhos independentes nas eleições municipais.

O golpe contou ainda com o apoio velado ou mesmo militante de uma parcela considerável da esquerda que nunca engoliu a seqüência de erros e concessões aprofundadas por Dilma desde o final do governo Lula, até culminar com o triste episódio da tentativa de troca do pré-sal, em votação do Senado, pela própria cabeça. Os verdadeiros heróis dessa batalha que permanecem em pé se contam nos dedos.

E o que vem por aí?

Sem sombras de dúvidas, algo maior e mais grave mesmo se comparado aos grandes balanços históricos que este país já enfrentou no século passado, como quando as forças antinacionais se aglutinaram em ataques descomunais aos governos de Getúlio, Juscelino ou Jango.

A gravidade é imprevisível.

Por quê? Porque a estratégia de dominação imperialista, em tempos de riquezas minerais extremamente escassas pelo mundo, inclui, além do domínio sob a mídia, da submissão do executivo, legislativo e judiciário, também o desmonte das Forças Armadas. Se em décadas passadas ainda era possível conciliar interesses dos países centrais com certos níveis de desenvolvimento promovidos pelos governos militares (responsáveis por obras como as hidrelétricas de Itaipu e Tucuruí, a Transamazônica, as Usinas de Angra, entre outras), hoje não é mais.

A recente prisão do almirante Othon Luiz Pinheiro, pai do programa nuclear brasileiro, e um militar intransigente na denúncia do avanço da espionagem e dos interesses dos EUA no Brasil, é uma das provas disso. Othon comandou, durante quase duas décadas, a Coordenadoria para Projetos Especiais da Marinha (Copesp), responsável pelo Centro Experimental de Aramar, onde se desenvolveu a tecnologia nacional de enriquecimento de urânio que a Marinha fornece às Indústrias Nucleares do Brasil.

O almirante Othon há muito alertava para a crescente pressão dos EUA sobre nossas pesquisas nucleares. Advertia que o Brasil é um país abarrotado de espiões dos EUA e que isso visava, entre outras coisas, impedir que o país se tornasse autônomo em termos de Defesa. Hoje, interesses estratégicos sobre o petróleo e o pré-sal passam por enfraquecer as Forças Armadas, assim como por barrar o domínio do ciclo de enriquecimento de urânio.

Ao mesmo tempo em que minam nossas defesas reativam antigos projetos execrados pelo povo e por governo anteriores, como o acordo sobre a Base de Alcântara, que poderá se tornar em breve uma base dos EUA instalada dentro do nosso país.

A pressão sobre o Brasil, que detém em abundância dois dos recursos mais vitais para o futuro do Planeta, a água e o petróleo, vinha numa espiral crescente. E agora, com Temer e Serra, as porteiras estão sendo definitivamente abertas, as barreiras de proteção destruídas, as resistências golpeadas.

Um governo de vassalos se instalou sob a corrupção dos poderes.

A Carta Magna vem sendo pisoteada.

A democracia sofre o golpe de misericórdia.

É urgente reconstruir a unidade dos setores democráticos e nacionais.

Algumas semanas atrás, sob o tiroteio aos ataques trabalhistas, oito centrais sindicais deram o primeiro passo ao realizarem reuniões conjuntas. A pauta é geração de emprego, a defesa da CLT, a redução imediata dos juros e a defesa da Previdência.

Que outros setores organizados sigam o exemplo e se mobilizem.

Antes que a avalanche seja irreversível.

Antes que seja tarde.

Gisele Caresia é jornalista.

lulacompovo1

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Um comentário sobre “Antes que seja tarde

  1. Republicou isso em Luíz Müller Bloge comentado:
    A recente prisão do almirante Othon Luiz Pinheiro, pai do programa nuclear brasileiro, e um militar intransigente na denúncia do avanço da espionagem e dos interesses dos EUA no Brasil, é uma das provas disso. Othon comandou, durante quase duas décadas, a Coordenadoria para Projetos Especiais da Marinha (Copesp), responsável pelo Centro Experimental de Aramar, onde se desenvolveu a tecnologia nacional de enriquecimento de urânio que a Marinha fornece às Indústrias Nucleares do Brasil.

    Extrato do Artigo: “O almirante Othon há muito alertava para a crescente pressão dos EUA sobre nossas pesquisas nucleares. Advertia que o Brasil é um país abarrotado de espiões dos EUA e que isso visava, entre outras coisas, impedir que o país se tornasse autônomo em termos de Defesa. Hoje, interesses estratégicos sobre o petróleo e o pré-sal passam por enfraquecer as Forças Armadas, assim como por barrar o domínio do ciclo de enriquecimento de urânio.”

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