Resistência, Projeto de Nação e luta

Fernando Rosa

“As senhoras e os senhores estão preparados para a guerra civil? Não? Entrincheirem-se, então, porque o conflito é inevitável. O povo brasileiro, que provou por alguns poucos anos, o gosto da emergência social não retornará submissamente à senzala”. A advertência é do senador Roberto Requião, em seu histórico pronunciamento no Senado Federal, no infame dia 29 de agosto.

Um amigo costuma dizer que o Brasil é como um elefante, pesado, lento, que custa a mover-se, mas que, quando dá um passo à frente, não retrocede ao estágio anterior. Neste final de agosto, interesses externos ao Brasil desafiaram o elefante, tentando devolvê-lo, de preferência, à sua mais antiga jaula. É bom, portanto, que os senhores da “casa grande” fiquem espertos com o aviso do senador Requião.

Nem o povo aceita o retrocesso social e econômico e menos ainda o Brasil cabe nos planos geopolíticos dos entreguistas e seus patrões imperialistas. Falidos, os Estados Unidos não tem nada a oferecer ao Brasil para alimentar a sanha golpista, a não ser obstruir o desenvolvimento econômico e tecnológico do país. A economia do futuro está com a China, com a Índia e com a Russia, países do BRICS como o Brasil.

A violência, a prepotência e o cinismo do golpe já organizaram a mais profunda rejeição de um exército de formadores de opinião, dentro e fora do país. Os trabalhadores e o povo mais pobre logo estarão no campo de batalha, mobilizados pela brutal perda de direitos. Ao afastar a presidenta Dilma, a elite vende-pátria e seus “silvérios dos reis” imolaram-se no assassinato da democracia, antecipando a sua morte social, política e moral.

A nova etapa de luta pela construção nacional, no entanto, impõe abrir os olhos para a compreensão da disputa mundial em que o país está envolvido. É decisivo construir um Projeto de Nação objetivo e sólido para garantir os direitos, a integridade nacional, as nossas riquezas e o desenvolvimento do país. As experiências estruturantes de Getúlio Vargas, estratégicas do II PND de Ernesto Geisel e de inclusão social de Lula são pontos de partidas para avançar.

Em 1974, o presidente Ernesto Geisel defendeu a abertura de relações com a China, afirmando que o Brasil não poderia transformar-se em “uma colônia dos Estados Unidos”. Na contra-mão da história, os golpistas já demonstraram que pretendem impor o alinhamento automático aos interesses norte-americanos. O mundo unipolar está chegando ao fim, uma nova ordem mundial está à caminho e nada impedirá o Brasil de afirmar sua vocação de grande Nação.

O ataque feroz e implacável ao Almirante Othon e ao projeto do submarino nuclear denuncia o grau de virulência do ataque aos interesses nacionais. Ao não conseguir submeter o Brasil, o imperialismo apostará transformar a justa revolta do povo em “ameaça” ao seu projeto regional de poder. É o que o presente nos reserva, desafiando nosso passado de lutas – civis e militares – em defesa da soberania, da independência nacional e da paz.

bandeira-brasileira

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