As FFAA não serão “mariners” de seu próprio país

Fernando Rosa

“Há em andamento uma tentativa de jogar as Forças Armadas na tarefa menor da repressão interna”, alerta o jornalista Luis Nassif em artigo publicado no domingo. Diante disso, é importante que a resistência brasileira se esforce para entender o jogo que está em curso nesse terreno, em tempo de impedir maiores danos ao país.  As manobras dos setores de segurança dos golpistas nas manifestações pós-impeachment não deixam dúvidas sobre o que ele fala.

Derrotada em seus planos, a ação covarde e criminosa da Polícia Militar de São Paulo, neste domingo, ao atacar os manifestantes na dispersão do evento, depois de cinco horas sem nenhum incidente, é prova contundente dessa operação. Absolutamente despropositado, o comportamento da PM paulista só se justifica por sentir-se estimulada por “orientações superiores”. Além disso, o “bombardeio” no Largo do Batata revelou um agressivo tom de provocação próprio da ditaduras.

A ação de repressão, um passo além no Golpe de Estado,  consiste em criminalizar as manifestações de rua para, em seguida, também atacar e, se possível, prender as suas lideranças. A operação combina a agressão da Polícias Militar, a provocação dos “ressuscitados” black blocs e de “secretas” infiltrados com a vigarice editorial da mídia golpista. Nas manifestações de 2013, o clima de desordem que era construído e jogado contra o governo, hoje pretendem usá-lo contra os próprios manifestantes.

Além de desarmar a arapuca dos golpistas, como se fez nesse domingo, com 100 mil pessoas nas ruas, é preciso também avançar na compreensão mais profunda do papel das Forças Armadas. Ao contrário do que pretendem os golpistas, as FFAA não tem mais vocação para cumprir o papel de “capitães do mato” dos norte-americanos em sua “guerra (suja) ao terrorismo” – a nova versão do “combate aos comunistas”. A lógica da “proteção externa” em troca da “repressão interna” morreu na Guerra das Malvinas, em 1982.

Transformar os militares brasileiros em “mariners” invasores de seu próprio país é apostar em liquidar com a sua verdadeira função de defesa nacional. O ataque patrocinado pela Operação Lava Jato à indústria de infraestrutura e ao submarino nuclear já comprometeu por demais os interesses nacionais. A condenação do Almirante Othon a 43 anos de prisão é uma covardia que afronta àqueles que lutam pela defesa da integridade nacional e por uma política multilateralista e soberana.

O que pretende o imperialismo norte-americano, em suma, é transformar o Brasil em um palco de guerra, sangrenta se possível, e com isso destruir o Estado Nacional. Que os golpistas, traidores da Pátria, a soldo dos interesses externos, ou para livrar-se da cadeia, apostem nesse caminho, é até natural. O momento é grave, mas os brasileiros, civis e militares discordam dessa “solução” e saberão encontrar a melhor saída, na paz ou na guerra, para impedir o sequestro do futuro do Brasil.

Forças-Armadas
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s