Avenida Fora Temer

Fernando Rosa

O atual golpe de Estado em curso no Brasil é uma espécie de Revolução Constitucionalista de 1932 em sua forma mais farsesca, considerando seus principais operadores. Em 32, os barões do café estavam à frente da rebelião contra a industrialização do país. Hoje, com apoio dos EUA e dos “patos”, são os produtores de cana e sua interface rentista contra o desenvolvimento, a independência e a inclusão social.

Em 1932, as madames da burguesia leiloavam jóias em festinhas ao final das tardes para comprar armas “para a revolução”. Hoje, as madames, vampirizadas em forma de classe média decadente, ocuparam a Avenida Paulista. Não por acaso, o Estadão, quando produz matérias para comemorar a data de “9 de julho”, fala em “derrota militar, vitória política”, referindo-se à falsa revolução sufocada por Getúlio Vargas, em armas.

Em 1964, mais uma vez, a burguesia e a classe média paulista também se insurgiram contra a democracia, o desenvolvimento e a ampliação de direitos sociais. A Marcha da Família com Deus pela Liberdade, com apoio da FIESP e da mídia golpista de então, em especial o Estadão e a Folha, insuflaram o golpe de Estado. Mas, novamente, apesar de vitoriosos, tiveram seu acesso ao poder esvaziado pelos militares, em sua maioria oriundos do Sul do país.

Incrível que seja assim, que desde 1932 o Brasil só tenha crescido contra, ou a partir de um conflito aberto com São Paulo e seus próceres econômicos e políticos. Sempre vendida em prosa e verso como a “locomotiva” do Brasil, o Estado nunca afirmou sua liderança política nacional. Ao final, o maior PIB do Brasil apostou em um neoliberal privatista, e depois, derrotado, teve de engolir no comando da Nação um nordestino imerso de suas entranhas.

Skaf e seu pato pirateado, Moraes e sua PM fascista, Temer e seu sapato chinês, Serra e sua própria sabujice não surgem de graça nesse ambiente. São resultados de uma economia que já não é mais a vanguarda do país, que perdeu seu vigor. São Paulo transformou-se em um imenso canavial, com raros espaços para plantio de outros produtos, hoje importados “do Brasil”.

A desindustrialização é um fato, em boa parte culpa da falta de iniciativa dos últimos governos, inclusive de Lula e Dilma, é verdade. Nos anos noventa, durante o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, a migração das indústrias locais, para o Nordeste inclusive, já era um fato cotidiano. Aos poucos, a capital do Estado e também a região do ABCD perderam capacidade instalada e produtividade.

Igual ao imperialismo que os apoia na aventura golpista, os golpistas paulistas representam os serviços e a especulação financeira, sem nada a oferecer. Sem a presença decisiva da classe operária no centro do protagonismo econômico e político, sobram espaços para toda sorte de ideologias, políticas e lideranças. Um terreno fértil para o surgimento do fascismo, expresso no “exército paramilitar” de Alexandre Moraes.

A burguesia paulista falida, em sua aliança com corruptos e ladrões, quer se prestar ao projeto imperialista de impor ao Brasil uma infame e sangrenta guerra civil separatista. Ironicamente, São Paulo está sendo o palco central da resistência que mobiliza o Brasil contra a tentativa de retornar à República Velha. Resta saber se o povo, aos milhares na Avenida Paulista, e em todo o país, será suficiente para dispensar as armas.

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