A Inconfidência, a Guerra do Iraque e a Lava Jato

Fernando Rosa

O instituto da delação “premiada” para atender interesses dos poderosos não é novidade na história do Brasil. Foi aplicada durante a Inconfidência Mineira, no julgamento fraudulento que condenou Tiradentes à forca. O delator-beneficiário na época, Silvério do Reis, denunciou os rebeldes e foi recompensado por isso. Teve suas dívidas perdoadas, ganhou ouro, uma mansão e cargo público. Ou seja, vendeu sua versão dos fatos, independente ser correta ou não.

A atual Operação Lava Jato aplicou a instituição para levar a cabo a sua guerra contra os interesses nacionais. Pautada pelas escutas da NSA (National Security Agency), sob o comando de Sérgio Moro, treinado nos EUA, a operação usou e abusou da delação premiada. A cidade de Curitiba, transformada em uma espécie de Guantánamo, abrigou a masmorra moderna que levou dezenas de empresários a falar o que os interrogadores queriam ouvir. Os que resistiram, como Marcelo Odebrecht, estão presos há mais de um ano.

A Operação Lava Jato é o míssil teleguiado da invasão americana que está destruindo o Brasil sem precisar de “mariners” ou de jogar bombas sobre o território nacional, como fizeram no Iraque e na Líbia. Ainda em ação, Sérgio Moro e seus agentes são os principais responsáveis pela destruição de boa parte da indústria nacional e pelo desemprego dos trabalhadores. Aliada ao Judiciário, com o Procurador Geral da República à frente, setores do STF e a mídia golpista, a Operação Lava Jato mirou nos principais centros de desenvolvimento nacional, em especial na Petrobras, nas empreiteiras, com repercussão na infraestrutura e na Defesa.

Se alguém ainda tem dúvida sobre isso, basta lembrar que os alvos centrais dos disparos da Operação Lava Jato foram o empresário Marcelo Odebrecht, o Almirante Othon e o ex-presidente Lula -agora, o alvo central de uma fraude acusatória. Exatamente as três lideranças que se destacaram no processo de construção de uma política de desenvolvimento independente. Um presidente da maior empresa nacional, outro responsável pelo desenvolvimento do submarino nuclear brasileiro e o terceiro por valorizar o Brasil no contexto internacional e resgatar o espírito de Nação.

A hipocrisia da Operação Lava Jato está diretamente relacionada com o grau de seletividade das suas ações, ou melhor, suas perseguições. Qualquer brasileiro minimamente informado sabe como funciona o sistema político e, em particular, o financiamento eleitoral. A farsa dos golpistas ainda é maior quando, depois da Lava Jato promover a desordem no país, agora apostam em legalizar o “caixa 2”. Assim como ocorreu com as “pedaladas”, antes não podia, era crime, mas, depois de afastar Dilma, o Senado Federal aprovou uma lei para regulamentar.

O maior problema, no entanto, é talvez a ilusão de setores que embarcaram em um republicanismo de ocasião, que atendeu apenas aos interesses golpistas. Nessas condições, a defesa indiscriminada da Lava Jato leva à paralisia diante da sua responsabilidade pela crise que se aprofunda no Brasil. Ao não ter isso claro, a esquerda corre o risco de ser acusada pelo desastre econômico e social do país. Se alguém tem culpa no cartório é quem promoveu a destruição de empresas nacionais. É quem vendeu o Brasil para a nova “Coroa”. E tem que pagar por isso.

 

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Explosão de poços de petróleo durante a guerra contra o Iraque.
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