Moro, o poder que vem do frio

Fernando Rosa

A medida que o golpe está chegando ao ápice, aumenta a percepção da figura nefasta do juiz Sérgio Moro. Não que ele tenha mudado, apenas radicalizou seu desempenho judicial-policial. Ele é o “dono da festa” e, no momento, estufa o peito e eriça a plumagem para (tentar) dar o bote final. É o fascismo em estado de graça.

O golpe de Estado só estará completo com a prisão de Lula, e essa agora é a sua tarefa principal, definida nos EUA na semana passada. A prisão do ex-ministro Guido Mantega foi um ensaio e um acercamento à sua presa. Assim como já havia agido quando da abortada prisão coercitiva de Lula, no aeroporto de Congonhas.

A prisão de Mantega dentro de um hospital e a decisão do TRF-4 definindo que a Lava Jato tem “excepcionalidade (legal) relativa” viraram o fio. Nesta semana, articulistas e políticos questionaram o “poder” sem limites do juiz. Nem o STF, exceto Gilmar Mendes, até agora esboçou qualquer reação ao seu comportamento ditatorial.

Mas afinal, qual é a fonte de tanto poder? Mais ainda, o que alimenta tanta desenvoltura em atropelar a tudo e a todos? Se não é a força da correta aplicação da Lei, o que ou quem garante a sua retaguarda? Sim, o apoio da Rede Globo é importante para fortalecer sua imagem. O PSDB, quem sabe …

As sucessivas viagens aos Estados Unidos, no entanto, são a melhor pista para entender a arrogante segurança de Moro. Não é de hoje que suspeita-se de que a Lava Jato é uma encomenda do Departamento de Estado americano. Um pacote fechado que a NSA (National Security Agency) com suas escutas telefônicas entregou para ser executado.

“Foi logo depois do junho de 2013 que as investigações avançaram”, lembrou a jornalista Tereza Cruvinel, em artigo recente. A partir da prisão do doleiro Alberto Yousseff, que nada tinha a ver com a Petrobrás, estranhamente a investigação foram parar em Curitiba. O juiz natural deveria ser do Rio de Janeiro, sede da empresa.

Em 2009, Moro participou de seminário promovido pelo Departamento de Estado dos EUA, no Rio de Janeiro. Recentemente, verificou-se que sua participação se deu na condição de “palestrante”. O seminário era destinado a treinar juízes, procuradores e policiais federais no combate à lavagem de dinheiro e contraterrorismo.

Acrescente-se a isso a velha máxima de que “informação é poder”. Se é verdade que a NSA abasteceu a Lava Jato, não deve ter ficado só nisso. Quantas figuras da República, quantas instituições podem ter sido alvos da espionagem? Talvez isso explique a covardia generalizada. Não apenas diante de Moro, mas do golpe de Estado.

A Operação Lava Jato não existe para combater a corrupção, mas para destruir as conquistas da Nação brasileira – na produção, na defesa nacional, na educação. A compreensão do papel de Moro ajuda a entender a dimensão do golpe de Estado. Estamos no centro de uma guerra geopolítica que ameaça a integridade nacional. E toda guerra tem heróis e traidores.

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O juiz Sérgio Moro tentando viajar secretamente para os Estados Unidos, na semana passada.
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