Prender Lula e liquidar Defesa

Fernando Rosa

A nova operação da Lava Jato disparada hoje pela dupla Moro-Moraes tem objetivos que vão além do óbvio cerco ao Lula, para tentar prendê-lo. O porta-voz golpista O Antagonista não conseguiu esconder ao revelar que, entre outras coisas, a operação investiga “negócios envolvendo o programa de desenvolvimento de submarino nuclear – PROSUB”. Talvez queiram reeditar o argumento das “armas químicas” para acusar Lula, o Almirante Othon e o Brasil de significar uma “ameaça à paz mundial”. Com isso, já não restam mais dúvidas de que entre as encomendas da Lava Jato está dar fim ao projeto de pesquisa nuclear do País.

Diz o pasquim virtual que a Lava Jato “descobriu” que Antônio Palocci atuou em favor dos interesses do Grupo Odebrecht, entre 2006 e o final de 2013″. No fundo, eles acusam Palocci de ter sido um bom ministro, que articulou os negócios do Estado brasileiro e das empresas produtivas nacionais nas mais importantes frentes de desenvolvimento, como o Pré-Sal, o submarino nuclear e o promissor mercado africano. Ao agir assim, querem aplicar aos operadores de Governos a lógica do Caixa 1 x Caixa 2, onde a ação institucional de governantes é crime e a “meganhagem” é premiada com “delações” milionárias.

A história de como a Operação Jato chegou até o submarino nuclear e resultou na condenação e prisão (perpétua?) do Almirante Othon a 43 anos  é estranha desde sua origem. Em 2015, a agenda  externa do “estado paralelo”, já em vigor, levou o Procurador Geral da República Rodrigo Janot até Leslie Caldwell procuradora-adjunta da Divisão Criminal do Departamento de Justiça dos EUA. Até ser indicada ao cargo pelo presidente Obama, em 2014, ela havia sido sócia do escritório Morgan Lewis de NY, especializado em contenciosos no setor de energia, especialmente nuclear. Em seguida, a República de Curitiba deflagrou a “Operação Radioatividade” para investigar suspeitas na área nuclear.

O Almirante Othon é o fundador e responsável pelo Programa de Desenvolvimento do ciclo do combustível nuclear e da propulsão nuclear para submarinos da Marinha do Brasil entre 1982 e 1984, diz o Wikipedia. Sob seu comando, o programa levou ao desenvolvimento de centrífugas de enriquecimento de urânio. Ele foi diretor de pesquisas de reatores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares entre 1982 e 1984, época em que foi ativamente vigiado pela CIA. A agência americana mantinha um agente, Ray H. Allar, morando no apartamento ao lado do seu, em São Paulo. Um dos maiores cientistas nucleares do mundo, em 1994 foi condecorado com a grã-cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico, pelo então presidente Itamar Franco.

“Não é crível supor que Janot tenha participado de uma conspiração internacional. É mais certo que o açodamento e a desinformação tenham feito Janot tornar-se inadvertidamente um instrumento de um jogo geopolítico internacional, no qual o interesse do país foi jogado para terceiro plano”, escreveu o jornalista Luis Nassif, no site GGN em 1 de agosto de 2015. Também dando o direito à dúvida, talvez não seja tão crível que a última viagem do juiz Sérgio Moro aos EUA nada tenha a ver com as subsequentes prisões dos ex-ministros Guido Mantega e, agora, Antônio Palocci, envolvendo-o com a Odebrecht e o projeto de submarino nuclear.

 

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