O Fiscal do Império

Fernando Rosa

O Brasil é membro do BRICS, mesmo que o ministro golpista das Relações Exteriores, José Serra, sequer soubesse quem integrava o bloco, ou do que se tratava a sigla. O Brasil é membro do Mercosul, um dos nossos principais mercados, especialmente a Venezuela, que o mesmo senhor Serra fez questão de destratar.

No entanto, os primeiros meses do governo golpista foram de uma subserviência sem precedentes aos Estados Unidos. A ponto do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Jacob Lew, baixar na colônia (provisoriamente) reconquistada para conferir se o “dever de casa” estava sendo bem feito.

Nenhum outro país, nenhuma outra autoridade de qualquer país do mundo gozou dessa intimidade promiscua que ultrapassa os limites da soberania nacional. O que confirma o grau de envolvimento dos Estados Unidos com o golpe de Estado e especialmente com os seus resultados práticos.

“Entendemos que as reformas estruturais tomadas e os caminhos que estão criando são o correto para o retorno do crescimento no Brasil”, afirmou Lew – ironicamente, diríamos. Na sequência, o FMI passou a clássica receita neoliberal, que inclui “revisar” as políticas de salário mínimo e de aposentadoria.

Está claro que os Estados Unidos não tem nada a oferecer, a não ser destruição da economia, comprometimento da Defesa Nacional e desordem institucional. O que tem a oferecer um sistema em que de cada US$ 100,00, US$ 85,00 estão alocados no rentismo que, mesmo com lucros pornográficos, quer mais sangue do povo?

Para se ter uma ideia, citando Filipe Camarão, no documento – O fim do mundo unipolar – os primeiros investimentos em petróleo no Iraque após a guerra de 2003 contra Saddan Hussein só ocorreram em 2011. E feitos pela chinesa CNPC, no campo de Kut, com contrato firmado em 2008.

A partir da guerra contra o Iraque, os Estados Unidos abriram uma frente de destruição dos Estados Nacionais. Em seguida ao Iraque, a Líbia, depois a Ucrânia e ainda o Norte da África, o Oriente Médio e, especialmente a Síria, foram os alvos. Incluindo mais recentemente a Turquia e, claro, o Brasil.

As guerras e os golpes de Estado que patrocinam têm como principal objetivo impedir que os países produzam. Em nenhum momento falam em investimentos, apenas em medidas recessivas, ajustes e cortes. Diferente disso, em 2015, Brasil e China assinaram contratos de US$ 50 bilhões para projetos de infraestrutura.

O que reservam para o Brasil em seus planos geopolíticos é o papel de “colônia” viralata e servil. Uma condição que nem o povo, suas lideranças sociais, políticas e empresariais, e nem as FFAA aceitarão. É questão de tempo, de construir um Projeto Nacional e, em torno dele, arregimentar as forças necessárias.

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