Os bancos contra o mundo

Fernando Rosa

“No futuro próximo, os conflitos não nucleares se tornarão excepcionalmente sangrentos e fulminantes. E não seremos capazes de pará-los no cronômetro”. Em tom belicoso, a afirmação é do major-general William Hicks, durante reunião da Associação de Tropas Terrestres dos EUA, realizada semana passada, em Washington.

A previsão de conflitos sangrentos, em um futuro não tão distante, é o pano de fundo das eleições americanas, que tem Hillary Clinton mais próxima de apertar o botão. A ameaça de promover um ataque aéreo ao Exército da Síria provocou a imediata reação da Rússia dizendo que responderá a provocação à altura.

A ameaça expressa a dificuldade dos americanos em lidar com o fim do “mundo unipolar”, resultado da aliança da China e da Russia, com os seus avanços no terreno militar, e outros países que já não aceitam a opressão e a exploração imperialista. “Nós iremos pará-los e dar um sacode que vocês nunca viram antes. Não se enganem” – disse o chefe do Estado Maior do Exército dos EUA, Mark Milly.

Além da desindustrialização dos Estados Unidos, a crise do imperialismo é ainda mais profunda como demonstra a iminente falência do alemão Deutsch Bank, o que aprofundaria a recessão européia. As ações da instituição bancária mais importante da Europa caíram mais de 50%, fixando valor atualizado do banco em cerca de 16 mil milhões de euros.

Um valor próximo dos 14 mil milhões de dólares (12,5 mil milhões de euros) da multa cobrada pelos Estados Unidos por más práticas antes da crise financeira de 2008. “A queda de um Deutsche Bank seria equivalente à falência do Lehman Brothers, ou seja, uma catástrofe”, afirmou Pedro Lino, CEO da Dif Brokers, ao Jornal Econômico, de Portugal.

Enquanto isso, no Brasil os bancos internacionais promovem o mais profundo e criminoso assalto ao Orçamento da União, por meio da PEC 241, aprovada em primeiro turno. A PEC 241 exclui os interesses da Nação do orçamento e garante a transferência dos recursos para os seus cofres transnacionais – via especulação financeira e pagamento de juros.

Além da saúde e da educação, a PEC 241 promove a destruição do Estado Nacional, incluindo as Forças Armadas e toda a Estratégia Nacional de Defesa, definida e projetada nos últimos anos. Um crime ainda mais grave considerando a possibilidade de um conflito internacional de grandes proporções, em que o Brasil será envolvido pela sua condição regional.

Alvo de cobiça e, no momento, do ataque norte-americano, por suas riquezas e privilegiada situação geopolítica, o Brasil precisa ter uma defesa forte para dissuadir e repelir eventuais agressões. O orçamento das FFAA congelado por vinte anos é a rendição antecipada que acabará transformando o território nacional em bases da guerra alheia e os brasileiros em bucha de canhão.

O Brasil é grande demais para tornar-se apenas uma “colônia americana”, um protetorado servil, desfigurado, fornecedor de matéria prima e mão-de-obra escrava. A independência nacional exige a combinação da Estratégia Nacional de Defesa com um plano nacional de desenvolvimento, um Projeto de Nação, que entusiasme e mobilize os brasileiros.


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