O pato mancou

Fernando Rosa

A impressão de que foram enganados por suas lideranças está crescendo entre o empresariado brasileiro, de todos os tamanhos. Em vários setores econômicos, as promessas de que as coisas iriam melhorar não estão se cumprindo. Ao contrário, a recessão aprofundou-se com queda do PIB, da arrecadação e, portanto, dos investimentos. Fala-se até em saudades do Lula.

As duas principais federações empresariais do país, por exemplo, já se queixam pelos jornais das mudanças no setor petrolífero. Para a Fiesp e Firjan, as medidas anunciadas relativas ao “contéudo nacional” beneficiam apenas as petroleiras estrangeiras. Para aumentar a preocupação, as petroleiras ameaçam investir apenas na próxima década. Com isso, as empresas nacionais do setor fecharão suas portas.

Além de destruir a indústria de infraestutura nacional, operação Lava Jato, por sua vez, também comprometeu investimentos externos. Na volta do Japão, o governo golpista só trouxe reclamação de prejuízos bilionários no Brasil. A Kawasaki, maior fabricante de navios, trens e outros maquinários pesados, declarou perdas de R$ 760 milhões com o Estaleiro Enseada, em sociedade com as empreiteiras Odebrecht, OAS e UTC.

É de se imaginar que os empresários, em especial do agronegócio, também devem ter ficado de cabelos em pé com a participação dos golpistas na reunião do BRICS, na Índia. As imagens do encontro foram suficientes para evidenciar a frieza com que Temer e sua comitiva foram tratados. Nunca é demais lembrar que China e Russia são nossos maiores mercados em diversos segmentos. O que não parece importar para a “nova” política externa.

Frustrando ainda mais a expectativa dos empresários, o que assistimos é um assalto dos banqueiros ao Orçamento da União por meio da PEC 241. A medida congela por 20 anos todos os investimentos do Estado, menos os gastos com a dívida pública, ou seja com juros. O congelamento em todas as áreas vai reduzir investimentos e paralisar diversos setores econômicos. O resultado é o agravamento da crise econômica e do desemprego.

Nada disso poderia ser diferente diante de um golpe de Estado sob orientação do capital rentista internacional. Mesmo no governo FHC, com suas privatizações a preço de banana, os investimentos de capitais norte-americanos foram grandes. Com a crise de 2008, os Estados Unidos perderam ainda mais sua capacidade de investimentos. Hoje, sua política é promover guerras para destruir as Nações e impedir seu desenvolvimento.

Os empresários brasileiros não tem nada a ganhar sob o tacão do sistema financeiro. O país precisa é de industrialização, de promoção do mercado interno e de valorização dos salários, entre outras medidas. Os rentistas querem apenas sugar os recursos da Nação. A aventura econômica de Henrique Meirelles e companhia não tem futuro. O pato mancou.

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3 comentários sobre “O pato mancou

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