Visão além do alcance

Fernando Rosa

Nos Estados Unidos, a desindustrialização devastou a economia e os empregos, empurrando milhões de norte-americanos para a miséria. O pais está metido em cinco diferentes guerras há 15 anos, a um custo de cerca de U$ 4,6 trilhões. Com velhos sem acesso à aposentadoria e à saúde, a juventude acumula uma impagável dívida estudantil de US$ 1,3 trilhões.

Diante disso, Hillary Clinton tem como sua principal proposta abrir mais uma frente de guerra. O seu “plano de governo” é criar uma zona de exclusão aérea na Síria, a exemplo do que fizeram no Iraque, abrindo confronto com a Rússia e o resto do mundo. Na pior tradição democrata, ela quer afirmar a supremacia americana pela força, mesmo que isso custe um conflito nuclear.

Embora não seja apenas decisão sua, Donald Trump tem se posicionado contra a guerra e seus gastos absurdos, voltando-se para as questões internas do país. Acima das críticas “morais”, o candidato republicano acordou os norte-americanos para os grandes problemas reais do país. O “americano profundo”, aquele que perdeu emprego, moradia e perspectiva de futuro, viu nele uma alternativa aos seus dramas.

No Brasil, os golpistas apostam em dividir os brasileiros para destruir os avanços recentes e alinhar o Brasil aos interesses norte-americanos. O objetivo é integrar-se a estratégia belicista norte-americana contra o inevitável novo mundo multipolar. Serviçais, pretendem afastar o Brasil do BRICS, implodir o Mercosul e inviabilizar a política de defesa nuclear e aeroespacial, além de transformar o Exército em “polícia”.

Desviados de seu compromisso com a Nação, ameaçam promover uma brutal devastação econômica e social, por meio de medidas como a PEC 241/55. Apenas a Lava Jato, ao destruir a indústria de infraestrutura, transferiu aos interesses externos um mercado de R$ 1 trilhão. O Orçamento da União, o Pré-Sal, a Amazônia, o território nacional, alimentos fartos e a água também integram o cardápio do assalto.

Aqui, a situação atual do país também exige um debate mais amplo, a partir da identificação mais profunda do caráter do golpe de Estado. É decisivo apontar claramente o inimigo, em nosso caso o rentismo e a ingerência externa e, convocar o povo para lutar em defesa da Nação. A mobilização localizada, a exemplo dos heróicos estudantes, é fundamental mas não suficiente para galvanizar a sociedade.

Mais do que isso, é preciso construir um Projeto Nacional, objetivo e estratégico, que promova a coesão dos brasileiros, articule e dê unidade ao conjunto das lutas setoriais. Assim como nos EUA, precisamos industrializar o país, garantir empregos, promover o mercado interno e desenvolver a ciência e a tecnologia. É isso, ou sucumbiremos aos golpistas e sua estratégia de legitimar o novo protetorado norte-americano.

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3 comentários sobre “Visão além do alcance

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