Lula, Geisel & “III PND”

Fernando Rosa

Assustado com Lava Jato, PIB cobra ação do Congresso” foi a manchete da seção “Poder” da Folha de S. Paulo, no último dia 6 de novembro. Segundo a matéria, grandes empresários estão preocupados que novas delações levem o país à “quebradeira generalizada“. Temem que uma delação do deputado Eduardo Cunha poderá arrastar “com facilidade mais uns cinco setores da economia para dentro da Lava Jato”.

Na semana passada, as duas principais federações empresariais do país já haviam se queixado das mudanças no setor petrolífero. FIESP (SP) e FIRJAN (RJ) reclamaram das medidas anunciadas relativas ao “conteúdo nacional”, dizendo que beneficiavam apenas as petroleiras estrangeiras. Também manifestaram preocupação com o fato de que as mesmas petroleiras ameaçam investir apenas na próxima década.

A chiadeira de parte da burguesia brasileira é procedente, mas cínica e hipócrita por partir de quem apoiou política e financeiramente o golpe de Estado. Em especial, a burguesia rentista de São Paulo que apostou em romper a aliança da burguesia produtiva – no caso, as empreiteiras e o setor naval – com o Estado brasileiro. Acreditaram que metendo os “colegas” na cadeia, liquidariam com a concorrência. Mas, na verdade, estão liquidando com a economia, com o mercado, com o seu próprio negócio.

O papel traiçoeiro da burguesia rentista, em particular, no país não é novidade. “Nosso capital privado ainda é muito especulativo, só se engaja em empreendimentos que proporcionam lucro fácil”, já dizia o ex-presidente, general Ernesto Geisel, em entrevista concedida entre 1993 e 1994, para livro com sua biografia. “Outra característica nossa é que o capital privado se emprega de preferência em bancos. É o negócio mais rentável do nosso país”. continuou o responsável pelo II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento).

A necessidade da participação do Estado na economia também faz parte da nossa história. O mesmo Geisel – elogiado por Lula, por sua política desenvolvimentista – já dizia que “se o governo não se engajar, esse país vai ficar pior, vai ser igual ao que era no tempo da colônia. O mundo progredindo, o mundo se desenvolvendo, o mundo criando coisas novas, e nós no primitivismo de um país colonial”. Vargas, Juscelino e, atualmente, Lula, alinharam-se nessa via, uns mais, outros menos.

Afastar o Estado da economia, transferir o Orçamento da União para os bancos e isolar o Brasil do mundo, principalmente do BRICS, é o plano dos golpistas a serviço do imperialismo. Apesar da mídia golpista sentir-se contrariada com a denúncia do “golpe americano”, o mando real do país está sendo transferido para Washington e outros centros do poder mundial. Temer é apenas um testa-de-ferro dos verdadeiros golpistas, como bem disse Lula, que será defenestrado após o “réveillon”.

Em seu histórico discurso no ato de solidariedade ao MST, Lula defendeu a necessidade um “diagnóstico” do país, mais do que a “penitência” por erros. A fala de Lula aponta para a construção de um  programa capaz de acender a chama do patriotismo, da defesa da soberania, da construção da Nação. Sob o comando de um “movimento” amplo, “além dos partidos e das entidades” – como a Anistia, nos anos setenta e oitenta, exemplificou ele.

Voltando ao ex-presidente Geisel, “a solução definitiva é ter recursos para educação e saúde, desenvolver o país e criar empregos”, já defendia ele em sua entrevista aos jornalistas Maria Celina D’Araújo e Celso Castro. A “solução” continua atual, em total confronto com a política dos golpistas expressa na PEC 241/55 que implode o Estado, congela investimentos em saúde e educação e destrói a política de defesa nacional. Em essência, o governo golpista é a negação do Estado Nacional.

O presidente Lula foi claro ao afirmar que o golpe é contra o Brasil, e como tal deve ser enfrentado, com participação do conjunto das forças nacionais – a exemplo da Venezuela. Para isso, é preciso construir um programa que aponte para a industrialização, desenvolvimento da ciência e da tecnologia, defesa do mercado interno e garantia de empregos. Um programa que resgate a ideia de um Projeto de Nação, integrada no mundo, com coesão, independência e soberania. Um “III PND” que mobilize todos os brasileiros.

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2 comentários em “Lula, Geisel & “III PND”

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