Uma mão suja a outra

Fernando Rosa

A histeria e o descontrole no consórcio golpista é evidente após a derrota da “madrinha” Hillary Clinton nas eleições norte-americanas. Em especial nas hostes do judiciário, em particular na “República de Curitiba”, e mais especificamente ainda, nas atitudes recentes do juiz Sérgio Moro.

“Defesa de Lula vê elo suspeito da Lava Jato com EUA” – segundo chamada do jornal Folha de S. Paulo, denunciaram os advogados do ex-presidente, após um tenso debate durante audiência em Curitiba. Irritado com indagações dos advogados, o juiz Moro impediu as testemunhas de falarem sobre o assunto.

De acordo com o portal GGN, “os advogados do ex-presidente Lula suspeitam que a Lava Jato está ajudando informalmente o Departamento de Justiça dos Estados Unidos”. Para os advogados, a Lava Jato está facilitando a colaboração informal dos delatores brasileiros no processo movido contra a Petrobras nos EUA.

A suspeita ganha corpo, quando os advogados de Lula perguntaram sobre o tema, em diferentes audiências, a dois depoentes-delatores, Eduardo Leite, ex-executivo da Camargo Corrêa, e Augusto Mendonça, do grupo Setal. “Eu fui procurado pelo governo americano no intuito de buscar um interesse e entendimento das partes”, reconheceu Leite, completando que informou o Ministério Público Federal sobre o tema.

Segundo a matéria da Folha, o advogado de Lula, Cristiano Zanin, havia abordado a suposta colaboração da Lava Jato com autoridades norte-americanas, na semana passada, na sede da ONU, em Genebra. Segundo Zanin, ao jornal, “nos EUA, abriram ações bilionárias contra a Petrobras usando de elementos enviados pelo juiz Sergio Moro”, fazendo referência a processos movidos por empresas estrangeiras na Justiça de NY.

Para os advogados de Lula, a atuação conjunta – e informal – do Ministério Público Federal com autoridades norte-americanas contraria acordo entre os dois países, firmando em 2001. Segundo o acordo, o Ministério da Justiça do Brasil é a autoridade central e competente autorizada para tratar esse tipo de questão.

Não é de hoje que paira sobre a Operação Lava a suspeita de ter recebido um “pacote” pronto da NSA, a partir das escutas telefônicas mundiais, de lideranças políticas e executivos de grandes empresa, conforme denúncia do Wikileaks. E também sobre as relações estranhas do juiz Sérgio Moro com os EUA, em especial relacionadas com as constantes visitas aquele país, normalmente às vésperas de decisões importantes da operação.

Em determinado momento de uma das audiência, o advogado de Lula, José Roberto Batochio, sob o argumento de defesa da “soberania nacional”, perguntou ao empresário Augusto Mendonça se ele havia prestado depoimento em processo judicial ao FBI. “Eu prefiro não responder essa pergunta”, retrucou ele, fugindo de comprometer-se com a informação, mas confirmando ter realizado várias visitas aos Estados Unidos, nesse período.

Distante de sua postura de juiz, e cumprindo o papel de advogado dos delatores, o juiz Sérgio Moro interrompeu mais uma vez os advogados, questionando as intenções da defesa de Lula. “Qual a relevância, doutor, dessa questão para o processo. Ele é um agente dos Estados Unidos aqui?”, disparou ainda mais tenso e descontrolado, talvez traindo-se.

* Acompanhe tudo mas, especialmente, a partir dos 24 minutos e 30 segundos.

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