Vichy again?

Fernando Rosa

“A palavra colaboracionismo deriva do francês ‘collaborationniste’, termo atribuído a aquele que tende a auxiliar ou cooperar com o inimigo”, define a enciclopédia Wikipedia. Segundo a enciclopédia, os colaboracionistas agem, entre outras razões, para “obter lucros, enriquecimento e favores do inimigo”. Ainda de acordo com a Wikipedia, os colaboracionistas “frequentemente assimilam a ideologia e o comportamento do invasor”. O termo foi introduzido durante a República de Vichy (1940-1944), sob comando do marechal Philippe Pétain, vergonhoso regime francês de colaboração com os nazistas.

Não vivemos exatamente em uma guerra aberta, com foi a Segunda Guerra Mundial, mas enfrentamos um ataque sem precedentes da gangue imperial rentista. Ao contrário do Iraque e da Líbia, por exemplo, não sofremos bombardeios aéreos, nem chuva de mísseis teleguiados, nem invasão de mariners. Os métodos são mais sofisticados, talvez, utilizando-se de “primaveras” fakes, da corrupção da mídia local e do financiamento de parlamentares. Ou, mais grave, da captura do sistema judicial do país, desde um juiz de primeira instância até a Suprema Corte da Nação.

O colaboracionismo de “autoridades” brasileiras ganhou contornos de escândalo nesta semana, com os depoimentos de vários delatores da Operação Lava Jato. Alguns dos mais importantes deles, mesmo sob a censura aberta do juiz Sérgio Moro, confessaram assinatura de acordos de delação com instituições dos EUA. Ao mesmo tempo, admitiram a participação do Ministério Público Federal nos processos. Tal situação contraria acordo firmado em 2001, entre os dois países, segundo o qual  o Ministério da Justiça do Brasil é a única autoridade competente nesses casos.

Além de levar à falência as empresas detentoras de metade do capital produtivo nacional, a “República de Curitiba” ainda está patrocinando um novo ataque à Petrobras. Segundo o advogado de Lula, Cristiano Zanin,  “ações bilionárias contra a Petrobras foram abertas nos Estados Unidos, usando de elementos enviados pelo juiz Sergio Moro”. Segundo matéria da Folha de S. Paulo, Zanin já havia abordado a colaboração da Lava Jato com autoridades norte-americanas na semana passada, na sede da ONU, em Genebra.

A iniciativa da “República de Curitiba” se torna ainda mais grave diante do histórico de desconfiança que envolve as suas ações ao longo da Operação Lava Jato, com as sucessivas viagens de seus “líderes” aos EUA. Ao mesmo tempo, paira sobre a Operação Lava Jato a suspeição de ter recebido um “pacote pronto”, com objetivos e alvos determinados. Em seu filme “Snowden”, Oliver Stone confirma o papel econômico e geopolítico da espionagem realizada pela NSA (National Security Agency). Em tempos modernos, nem mais crianças subestimam as novas tecnologias.

Não precisa também ser um expert em economia, política ou geografia para perceber que o Brasil desafiou o Império bélico-rentista comandado por Barack Obama e sua fiel e “guerreira” escudeira Hillary Clinton. Incomodou a descoberta do Pré-Sal, com a opção pelo regime de partilha, o fortalecimento da politica de defesa, em especial a indústria aeroespacial e o submarino nuclear, e a adesão ao BRICS. Na disputa contra o fim do mundo unipolar, com a ascensão econômica e militar da China e da Rússia, o Brasil é um peão estratégico na região e no mundo. Os golpistas apostaram contra isso, e alinharam-se servilmente ao fascismo global.

Acontece que Hillary Clinton e sua “gangue supranacional”, como definiu Donald Trump, perderam a batalha das eleições norte-americanas, deixando os subalternos nativos em maus lençóis. Por isso, a urgência, o desespero, os “acordos secretos” para entregar o que prometeram antes que os ventos soprem contra os seus planos. O mais grave é que, diante da desenvoltura da ação das autoridades norte-americanas em território nacional, fica difícil não acreditar que a “parceria” vem de longe. O temor do juiz Moro nos depoimentos é o sangue no punhal.

 

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