O Enclave de Curitiba

Fernando Rosa

“Em geografia política, um enclave é um território com distinções políticas, sociais e/ou culturais cujas fronteiras geográficas ficam inteiramente dentro dos limites de um outro território”. A simples e objetiva definição é da enciclopédia online Wikipedia.

Na história do Brasil, tivemos a tentativa de instalação de um enclave desse tipo. Foi nos anos quarenta, no pós-Segunda Guerra, com o Instituto Internacional da Hiléia Amazônica. Tratava-se de um projeto apresentado à Unesco, em 1946, pelo cientista brasileiro Paulo Estevão de Berredo Carneiro.

O projeto dava poder a todos os países com assento na ONU decidirem sobre assuntos que, em última instância, seriam do interesse dos países da região amazônica, em especial o Brasil. Em resumo, transferiam a soberania das decisões locais para o âmbito de uma “maioria externa”, com isso instalando um enclave internacional na Amazônia.

O objetivo do projeto era realizar pesquisas nas áreas botânica, química, zoologia, geologia, além de estudos etnográficos, com objetivo de “promover a preservação e a integração cultural” da região amazônica. Ou seja, assenhorar-se do território, de seu incomensurável patrimônio genético e, por certo, transferi-lo para os países de origem, no exterior, como ocorre hoje, apesar do esforço de vigilância, de forma ilegal.

Atualmente, vivemos a tentativa bem mais avançada da implantação de um enclave externo em território nacional. O que os procuradores chamam de “República de Curitiba”, mas que, com o tempo, ganhou a estatura de “Enclave de Curitiba”. A sua origem está na Operação Lava Jato, disparada a partir das espionagens da NSA, a Agência de Segurança dos EUA, segundo sugerem os vazamentos do Wikileaks.

Uma operação que nasceu sob o argumento de “combater a corrupção”, mas que mostrou-se um monstrengo parcial, seletivo e autoritário em suas ações persecutórias. Em pouco mais de dois anos, dinamitou a economia nacional, paralisou a indústria de defesa e promoveu o desemprego de milhões de trabalhadores.

Aos poucos flagrada em sua ação lesa-Pátria, o “Enclave de Curitiba” cercou-se das ferramentas para promover suas ações, em especial o judiciário capturado e a mídia corrupta. Ao ponto do Tribunal Federal da 4ª Região considerar “que a Operação Lava Jato não precisa seguir as regras processuais comuns, por enfrentar fatos novos ao Direito”.

Mais recentemente, o “Enclave de Curitiba” deu mais uma demonstração de seu descompromisso com a legislação nacional. Desrespeitando acordo internacional entre o Brasil e os Estados Unidos, está terceirizando as delações da Operação Lava Jato para instituições norte-americanas.

No caso da Hiléia Amazônica, a indisfarçável pretensão intervencionista não escapou ao Congresso Nacional, com destaque para o senador Arthur Bernardes, que acusou projeto de imperialista. O papel decisivo nos acirrados debates, no entanto, coube ao Comando Maior do Exército, que soberanamente vetou a proposta e impediu a criação do instituto.

Em 1951, o projeto da Hiléia Amazônica foi arquivado pelo Congresso Nacional. Em lugar dele, o presidente Getúlio Vargas criou, um ano depois, o Instituto de Pesquisas da Amazônia – INPA.

A Operação Lava Jato ainda sobrevive da ilusão republicana de autoridades, da intimidação das lideranças políticas e da falsa missão vendida pela mídia golpista. Enquanto isso, segue provocando a falência de centenas de empresas e levando milhares de trabalhadores ao desemprego – só na Odebrecht já foram mais de 50 mil.

O país precisa encarar os fatos de frente, para impedir que a Nação brasileira seja destruída em nome de interesses externos cada vez mais evidentes. A Operação Lava Jato não pode ser maior do que o Brasil.

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4 comentários sobre “O Enclave de Curitiba

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