As bruxas estão soltas

Fernando Rosa

A Força Tarefa da Operação Lava Jato foi “premiada” pela entidade Transparência Internacional como “a maior iniciativa contra a corrupção no mundo”, festejou a mídia golpista dias antes da nova ofensiva da operação. Os procuradores receberam o prêmio no Panamá no último sábado (3), antecipando as manifestações de domingo em defesa da Operação Lava Jato (4). Na segunda-feira (5), o afastamento do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, resistente às suas medidas de arbítrio e abuso de poder, fechou a escalada.

Segundo o jornal Estadão, “a entidade havia recebido 560 nomeações de iniciativas de combate à corrupção, entre elas a investigação conduzida por 185 jornalistas de todo o mundo sobre os ‘Panama Papers’ ou iniciativas na Turquia”. Evidenciando mais uma vez o “caráter internacional” da operação Lava Jato, e o interesse externo em seus desdobramentos, a entidade optou por dar o prêmio aos procuradores de Curitiba. Interferindo na institucionalidade do país, a Ong definiu a escolha devido ao “momento em que a tensão entre os poderes no Brasil aumenta”.

O novo fato não apenas reforça as conexões internacionais da Lava Jato, como abre uma frente de questionamentos ainda maior sobre os interesses que estariam por trás dela. Entre outros “parceiros”, a Ong Transparência Internacional é financiada pelas petroleiras Shell e BP (British Petroleum), por grandes especuladores como George Soros e também pelos Departamento de Estado dos EUA e da Inglaterra, além do banco HSBC – veja aqui, no item 17. Na maioria dos casos, beneficiários diretos dos ataques da Lava Jato a Petrobras e no desmonte da indústria de infraestrutura, naval, aeroespacial e nuclear.

“Duas estranhas características marcam a atividade desta Ong norte-americana, que se diz disposta a combater a corrupção”, já advertia Bernard Cassen, ex-diretor geral de Le Monde Diplomatique, em artigo publicado em 2001. Segundo Cassen, “ela protege os corruptores e cala diante dos ‘ajustes estruturais’, que promovem transferência brutal de renda em favor das grandes empresas”, denunciou no artigo “Transparência Internacional” ou cortina de fumaça?”. No caso do Brasil, passados 15 anos, a descrição do papel da Ong define perfeitamente a combinação da Operação Lava Jato com o golpe de Estado em curso.

Segundo o historiador Moniz Bandeira, “há evidências, diretas e indiretas, de que os Estados Unidos influíram e encorajaram a ‘lawfare’, a guerra jurídica para promover a mudança do regime no Brasil”. Para ele, “o juiz Sérgio Moro, preparou-se, em 2007, em cursos promovidos pelo Departamento de Estado”. Ainda segundo Moniz Bandeira, em 2008, ele participou de um programa especial de treinamento na Escola de Direito de Harvard, e, 2009, da conferência regional sobre “Illicit Financial Crimes”, promovida pela Embaixada dos EUA, no Rio de Janeiro.

Ainda no contexto da “colaboração” internacional, os advogados do ex-presidente Lula flagraram a “terceirização” de delações para instituições norte-americanas, atuam em ações contra a Petrobras. “Eu fui procurado pelo governo americano no intuito de buscar um interesse e entendimento das partes”, reconheceu o empresário Eduardo Leite, ex-executivo da Camargo Corrêa, em depoimento em Curitiba. A atuação conjunta – e informal – do Ministério Público Federal com autoridades norte-americanas contraria acordo entre os dois países, firmando em 2001.

A Operação Lava Jato é grande responsável pela devastação da economia do país, ao paralisar a Petrobras e toda a cadeia produtiva do petróleo, em especial no Rio de Janeiro. Também está em sua conta a destruição das empreiteiras nacionais, pontas-de-lança da inserção econômica do Brasil em várias regiões do mundo, abrindo o mercado para os concorrentes estrangeiros. Apenas a Odebrecht demitiu mais de 50 mil trabalhadores, enquanto os estaleiros, empresas da construção civil e outros setores seguem demitindo diariamente.

O consórcio responsável pela exploração do Campo de Libra, por exemplo, um dos maiores do pré-sal na Bacia de Santos e liderado pela Petrobras, pediu à Agência Nacional do Petróleo (ANP) para construir a plataforma totalmente no exterior. O pedido contraria a política anterior, e o próprio contrato, que prevê pelo menos 55% do trabalho feito pela indústria nacional. A situação demonstra o desmonte o desastre do fim das políticas de partilha na exploração e de “conteúdo nacional” na produção, resultando em falências e desemprego no setor.

No vácuo da desestruturação econômica, o megainvestidor George Soros, por outro lado, voltou a apostar na Petrobrás e comprou mais de 1,5 milhão de ações da empresa brasileira nos EUA. Além de financiador da Transparência Internacional, Soros é acusado de patrocinar “revoluções coloridas” para desestabilizar regimes, por meio da organização Open Society, a exemplo das “marchas” de 2013 no Brasil. Formada em 1993, a organização de Soros participou da transição do Leste Europeu para o capitalismo e, depois, orientou suas ações para a América Latina e a África.

Em 1964, o golpe de Estado no Brasil foi articulado e financiado, em boa parte, pelos Institutos IBAD e IPES, organizações anticomunistas que contavam com apoio de contribuições de empresários brasileiros e estadunidenses. Hoje, os vazamentos do Wikileaks apontam para as espionagens da NSA (National Security Agency), que teriam abastecido de informações a Lava Jato em sua origem. Em entrevista concedida à Folha de S. Paulo, em 1988, o general reformado Hélio Ibiapina revelou que o IBAD possuía ligações com a Agência Central de Inteligência (CIA).

Entre 1898 e 1994, os EUA patrocinaram 41 golpes de Estados para mudança de regime na América Latina. A partir de 1960, apoiaram a derrubada de nove governos, mediante golpes militares, como no Brasil, em 1964, e patrocinaram articulações regionais de repressão política como a Operação Condor. Depois de 1994, participaram direta e/ou ativamente dos golpes para destituir os governos de Honduras (2009), Paraguai (2012) e, pelo que se torna cada vez mais evidente, Brasil (2016), com o afastamento, sem provas, da presidenta Dilma Rousseff.

* Artigo inspirado em post de Nanda S. Jaya, em seu perfil de Facebook.

 

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