Tapetão minado

Fernando Rosa

Em artigo recente, o economista e analista geopolítico Peter Koenig sentenciou que “o império Anglo/Saxão/Sionista controla com mão férrea a imprensa prostituta ocidental, que está agora em modo de lavagem cerebral”. Nada mais acertado quando observamos nos últimos meses, semanas, dias os cães de guerra da gangue internacional bélica-rentista-midiática espumando por uma terceira guerra mundial. Por aqui, a Folha de S. Paulo fez coro em editorial lamentando que “a melhor doutrina da convivência humana e o pensamento progressista sofreram revés histórico”, referindo-se à derrota de Hillary Clinton.

A reação da gangue global está sendo feroz, seja na desesperada pressão midiática por uma guerra contra a Rússia, como também na tentativa de minar os caminhos da transição para o governo Trump com os russos e os chineses. O presidente Barack Obama, finalmente mostra sua cara, tão “branca” quanto a da sua secretária de “operações de guerra”, que esteve à frente das “Primaveras Árabes”, da destruição da Líbia, das espionagens internacionais da NSA e dos golpes de Estado mundo afora. O desespero é proporcional às derrotas sofridas, além das eleições no país, com o fracasso do golpe na Turquia, ou o vexame na Síria, quando foram flagrados de mãos dadas com os terroristas do Daesh.

As intrigas midiáticas e o terrorismo internacional se explicam não apenas pela derrota da globalização nas urnas norte-americanas, mas também em razão da composição do novo governo de Trump. Por exemplo, o empresário Rex Tillerson indicado para secretário de Estado, um CEO da gigante petrolífera ExxonMobil, que tem em seu currículo a administração das operações na Rússia e no mar Cáspio, incluindo o consórcio Sakhalin I, que realizava exploração offshore na ilha Sakhalin, na Rússia. Ou então, o governador do Iowa, Terry Branstad, para embaixador em Pequim, um “velho amigo” da China, amigo do presidente chinês Jinping desde 1985, quando Xi visitou o estado americano.

Antes de sossegar sua sanha bélica, as sucessivas derrotas estão levando os “donos do mundo” e seus serviços terceirizados a cometer toda sorte de desatinos para elevar a tensão até uma nova guerra mundial. Apenas nos últimos meses, ocorreram os atentados em Nice e, agora, em Berlin, o assassinato do embaixador russo em Ancara e, na virada do ano, a chacina em uma boate em Istambul. Estimulando o clima belicista, amplificado pelo “jornalismo de guerra”, o derrotado Barack Obama patrocina a provocação “mesquinha” de expulsar  diplomatas russos, imediatamente desqualificada por Putin.

Diante disso, Trump ironizou a mídia norte-americano em seu twitter, em especial os maiores canais de TV norte-americanos, a CNN e a NBC, pela cobertura da situação em torno das sanções dos EUA contra a Rússia. Na sua página de Twitter, Trump ironizou os, ainda, adversários, dizendo que “os russos tratam @CNN e @NBCNews como muito tolos — engraçado de assistir, eles não fazem ideia! @FoxNews entendeu isso completamente!”. “Nunca vi antes um presidente tentando criar tantos problemas para o seu sucessor”, disse o conselheiro de presidente eleito, ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, em matéria do portal Sputnik.

A acusação contra a ação de hackers russos já seria frágil, ou uma confissão de incompetência norte-americana, não fosse seu passado recente de espionagem de todas as lideranças executivas, políticas e empresariais do mundo. O filme “Snowden”, de Oliver Stone, que já chegou às telas, e os golpes de Estado, inclusive no Brasil, estão ai para comprovar a hipocrisia dos argumentos brandidos pelo governo terminal de Obama. A isso, ainda some-se a farsa das “armas químicas” utilizada para promover a guerra e a destruição do Iraque, com cerca de dois milhões de mortos em poucos mais de dez anos.

Apesar das lideranças brasileiras, antes, durante e, mesmo agora, após o golpe de Estado subestimarem a repercussão e as consequências da guerra global para o Brasil, já está na hora de acordar para o que está ainda por vir. A gangue bélica-rentista-midiática precisa de uma guerra para tentar manter o “mundo unipolar” e não vai parar sem uma reação mundial. O Brasil como um dos alvos seletivos dos ataques de destruição tem o dever não apenas de reagir internamente em defesa da Nação, mas de somar-se à luta dos povos por um novo mundo multilateral, com desenvolvimento e paz.

obama-and-ghadafi
Um símbolo da hipocrisia que marcou a gestão de Barack Obama.
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