Resgatar a Nação do abismo

Fernando Rosa

Se a política exige atualmente análise, atitude e postura além dos padrões conhecidos, a mesma coisa se aplica à economia e seus desdobramentos para o país. A visão que prevê como gravidade maior a “recessão” econômica, não entendeu a profundidade da crise e a dimensão do golpe de Estado.

A crise econômica é, e será muito maior do que a mais brutal recessão já vivida pelo país em toda a sua história por uma razão bem simples de entender, se assim quiserem seus atores. A crise é, em parte decorrente da situação econômica mundial, mas a causa principal é o posicionamento do Brasil no cenário internacional.


Os golpistas deram um cavalo de pau no país no momento mais impróprio, colocando o Brasil totalmente na contramão da economia mundial. Apostaram no alinhamento com a globalização e com o capital financeiro, expresso na candidatura de Hillary Clinton, e ficaram à deriva, sem retaguarda.

Hoje, por exemplo, a Ford confirmou que não vai mais investir 1,6 bilhões de dólares norte-americanos na construção de uma nova fábrica no México e que pretende aplicar os recursos nos EUA. A empresa alterou os seus planos em função das declarações, feitas durante a campanha presidencial, do presidente eleito Donald Trump.

Aqui, os números divulgados hoje pela imprensa são desoladores, como a queda da atividade econômica, em especial no setor de bens de capital (máquinas e equipamentos). De outro lado, os jornais sérios – poucos – informaram que advertiram para não aplaudir o recorde do saldo comercial resultado da recessão e à desvalorização do real frente a outras moedas.

Mais do que virar as costas para o Brasil, os golpistas também deram as costas para o povo brasileiro, que se recolheu, fugiu das lojas e assiste assustado o desastre em curso. Exemplo disso é  “a viagem de volta no tempo” do setor automotivo, como definiu o jornal Folha de S. Paulo, apontando a redução de  20% na venda de carros em 2016.

Sob orientação da ideologia neoliberal, e tendo a Operação Lava Jato com o aríete dos interesses externos, investiram contra a indústria naval, de infraestrutura, de defesa nacional e o mercado interno. Não por acaso, quando mais necessário, deixaram o Brasil desarmado de seus principais instrumentos para enfrentar as mudanças no cenário internacional.

A saída para a atual situação de “queda livre” da economia nacional impõe, portanto, não apenas medidas fiscais, de cortes de gastos ou mesmo de investimentos. Antes de tudo, é preciso afastar o comando traidor que age exclusivamente em favor de uma gangue bélica-financeira internacional, à revelia dos governos das Nações.

Na política, é preciso construir uma ampla frente nacional, patriótica, com civis e militares, capaz de resgatar a confiança, a credibilidade e a esperança dos brasileiros. À esquerda brasileira, que também comprou a ilusão neoliberal, inclusive apostando em Obama e Hillary, cabe uma profunda autocrítica e um reposicionamento interno e externo.

No terreno da economia, apontar um rumo para o país, com um Projeto de Nação que promova o desenvolvimento, com industrialização e geração de empregos. Um “comando maior” que recoloque o Brasil em seu papel de protagonista soberano em um novo mundo multilateral,  junto aos países do BRICS e aos Estados Unidos.

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