O “Nobel” da guerra

Fernando Rosa

A histeria da mídia norte-americana, combinada com a sabujice da Rede Globo por aqui, dão a medida exata do grau de desespero da gangue imperial-bélica-rentista diante da derrota nas eleições nos Estados Unidos. Os últimos acontecimentos, por outro lado, também estão servindo para desmascarar o “amigo” Barack Obama, empenhado em deixar de herança um clima de guerra para além dos seus oito anos de terror.

Apesar das lágrimas na despedida, Obama não só é o presidente norte-americano que ficou “mais tempo em guerra”, ou seja todos os seus oito anos de governos, em parceria com sua fiel escudeira Hillary Clinton, como seu mandato foi marcado por espionagens, assassinatos e golpes de Estado. Em seus dois governos, por exemplo, ocorreram os golpes de Estado em Honduras, no Paraguai, no Brasil e, mais recentemente, a tentativa frustrada na Turquia.

Ironicamente ganhador do Prêmio Nobel da Paz, em 2009, Obama está concluindo seu governo também como o único presidente norte-americano a passar seus dois mandatos inteiros em guerras externas, contra os mais variados “inimigos”. Segundo artigo de Mark Landler, colunista do The New York Times, Obama passou mais tempo em guerra do que Franklin D. Roosevelt, Lyndon B. Johnson, Richard M. Nixon ou seu herói, Abraham Lincoln.

Com suas aventuras bélicas no Iraque, Líbia, Afeganistão, Paquistão, Somália, Iêmen e Síria, ele sustentou em armas os interesses do sistema financeiro e da indústria bélica, e virou as costas para a economia interna e para os empregos dos norte-americanos. Antes de espalhar notícias falsas, como denunciou Trump, a “mídia prostituta operando em modo lavagem cerebral”, deveria apontar quais foram as verdadeiras razões que deram a vitória ao “outsider”.

Mal terminaram as eleições, escrevemos neste blog que “a eleição norte-americana havia escancarado a crise do neoliberalismo financeiro mundial como alternativa para os Estados Unidos e para o mundo”. “Uma espécie de Americanexit, a vitória de Donald Trump também traduz a mais profunda divisão da sociedade na história dos Estados Unidos”, completamos, o que se verifica neste momento.

A reação pós-eleitoral é fruto da frustração diante da derrota da candidata do comando rentista-bélico que prometia desencadear um conflito armado com a China e a Rússia, segundo denunciou o colunista do Huffington Post, Bruce Fein. “Ela apoiou e apoia a guerra — ou seja, a legitimação de assassinatos — no Afeganistão, Iraque, Iêmen, Somália e Líbia”, disse o colunista, antes das eleições.

No Brasil, os golpistas sob a desastrada orientação dos tucanos neoliberais, em especial FHC e Serra, tentaram pegar carona nesse trem descarrilhado e meterem o Brasil em uma grande enrascada. Apostaram em alinhar o Brasil, com apoio do sistema financeiro internacional, e sob o comando dos Estados Unidos, leia-se dos Clinton, a uma globalização em fase terminal.

A vitória de Trump mostrou que os norte-americanos, em especial os trabalhadores e os setores produtivos, não aceitam mais bancar a globalização predatória e a hegemonia “unipolar” armada dos EUA. A gritaria do sistema financeiro, da indústria bélica, até mesmo de Hollywood é o último suspiro contra um novo mundo multilateral, voltado para a paz, desenvolvimento e empregos.

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