FFAA “versus” Petrobras

Fernando Rosa

“Talvez você possa ver o que acontece no Brasil por outro ângulo: quais são as grandes instituições públicas brasileiras, quais as mais fortes? Acho que são o Exército e a Petrobras. E acho que em comparação, todas as outras instituições são fracas. Então creio que fragilizar a Petrobras é uma forma de fortalecer os militares como centro de gravidade da organização do estado. E isso pode ser um problema”
– Julian Assange

A afirmação acima é de Julian Assange, do Wikileaks, feita em entrevista ao jornalista brasileiro Fernando Morais, e publicada em seu blog Nocaute. Antes de mais nada, cabe registrar que é bem provável que Assange esteja certo em relação as “duas grandes instituições” brasileiras. No entanto, quando fala das Forças Armadas, ou não fica claro o que quer dizer, por desinformação histórica, ou por incompreensão em relação ao tema.

Diz ele que “fragilizar a Petrobras é uma forma de fortalecer os militares como centro de gravidade da organização do estado”. A premissa é contraditória quanto ao tema, tanto considerando a história da Petrobras, quanto o papel das Forças Armadas nessa área. A trajetória das FFAA e da Petrobras sempre andaram juntas e sempre tiveram em comum o interesse nacional.

A Petrobras nasceu do esforço de muitos setores mas, talvez mais do que ninguém, é o general Horta Barbosa quem mais representa a luta pela afirmação da soberania nacional sobre o petróleo. Combatente do “movimento constitucionalista” de 1932, ele notabilizou-se, desde então, como um defensor do monopólio estatal do petróleo. Presidente do Clube Militar no início dos anos 50, manteve seu ativo compromisso nacionalista, que resultou na criação da Petrobras, em 1953.

A Petrobras também teve total atenção das Forças Armadas durante o período militar, especialmente quando o general Ernesto Geisel foi seu presidente. Com ele, a política de compras internas da Petrobras fortaleceu o desenvolvimento de milhares de empresas nacionais. Em sua administração também ganhou peso a exploração em “águas profundas”, que resultou no Pré-Sal, e a construção de novas refinarias.

Portanto, diante dos fatos concretos, torna-se incompreensível o temor de Assange de que a fragilização da Petrobras e um decorrente “fortalecimento dos militares” possa “ser um problema”. Não existe “problema” porque essa contradição não existe na vida real atual, nem nunca existiu. Ao contrário, a tentativa de destruição da Petrobras enfraquece a Nação e, por extensão as FFAA, e “fortalece” apenas os interesses externos.

Anúncios

Um comentário em “FFAA “versus” Petrobras

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s