Carpideiras da globalização

Fernando Rosa

O editorial do jornal Folha de S. Paulo desta segunda-feira, dia 24 de janeiro, é um impagável flagrante no “velório internacional da globalização”, que ocorre nos últimos dias. Intitulado “Pesadelo americano”, o chororô fez coro com outras carpideiras em jornais do mundo, que atacam diariamente o novo presidente norte-americano e as medidas anunciadas. “Em três dias de governo, Trump já transformou em atos várias promessas de campanha que implicam retrocessos lamentáveis”, diz o jornal.

O que o jornal da Barão de Limeira, ou seria de  Wall Street, chama de “retrocessos lamentáveis” é a extinção do Tratado de Associação Transpacífico (TPP, na sigla em inglês), o acordo tarifário dos Estados Unidos com 11 países da região do Pacífico, incluindo Chile e Peru, na América do Sul. Deve ter incomodado ainda mais o anúncio antecipado de que o novo governo norte-americano também vai renegociar o tratado de livre comércio com o México e o Canadá, o NAFTA. No texto, claro, nenhuma linha levando em consideração os interesses do Brasil.

Em tom ainda mais lamentoso, e somando-se aos seus colegas gringos, o jornal diz que “o novo morador da Casa Branca renovou suas promessas de lançar o comércio mundial no tumulto”. O jornal reclama, na verdade, é do profundo golpe que a globalização bélica-rentista sofreu com a vitória de Donald Trump, em novembro passado. Uma derrota que, além da repercussão interna nos EUA, tem desdobramentos econômicos, políticos e sociais no mundo inteiro, em particular no Brasil.

A promessa cumprida por Trump enterrou definitivamente o acordo que Obama tentou emplacar e que Hillary, a cavaleiro de uma vitória nas urnas, certamente tocaria para frente. Ao contrário do que diz o editorial, o acordo levaria a um maior controle sobre as economias regionais, por parte das transnacionais e do rentismo. Com o acordo, o Brasil, por exemplo, seria submetido à políticas restritivas em relação a mercados comerciais, acesso a tecnologias e medidas trabalhistas escravocratas.

“A negociação da Alca é a negociação de um patíbulo” disse o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, que contrariou a proposta da ALCA, em 2001, durante o governo FHC, situação lembrada pelo articulista Elio Gaspari, no Globo. Na mesma direção,  do ponto de vista dos interesses norte-americanos, a decisão de Trump em mandar o TPP para a lata do lixo, traduz a postura de soberania sobre seus interesses. “Os países precisam de políticas nacionais. Certas ou erradas, mas nacionais”, escreveu Gaspari, evidenciando o “óbvio”, hoje obscurecido por um hipócrita “liberalismo progressista.

A decisão de Donald Trump, rompendo concretamente com a globalização, abre um cenário de oportunidades para o Brasil e para a nossa economia. Uma situação que pode ser comprometida pela presença do atual governo golpista, interessado apenas na destruição do Estado brasileiro e em leiloar o país na bacia das almas. A tentativa de acenar com a entrega da base de Alcântara, que já haviam negociado com o governo Obama, é típico do governo que precisa ser afastado com urgência.

Além da bronca com Trump, insuflada pela mídia que já deu o golpe aqui, e aposta em dar o golpe nos Estados Unidos, é preciso compreender que o mundo “unipolar” está chegando ao fim. A partir disso, avançar o debate sobre um Projeto Nacional, amplo e internacionalista, que respalde um “comando maior” em defesa da Nação. Uma nova postura que, definitivamente, posicione o Brasil no cenário econômico e político mundial, com auto-determinação e soberania.

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