A crise, a Nação e as Forças Armadas

Fernando Rosa

As instituições nacionais, todas as instituições, estão falidas ou encontram-se no caminho de se dissolverem. Se nos demais países-alvos do imperialismo o ataque aos Estados Nacionais se deu por meios militares, aqui lançaram mão da “guerra assimétrica“. A ação insidiosa e lesa-Pátria da Lava Jato, o terror diário imposto pela mídia corrupta e o total alinhamento do judiciário levam o Brasil ao caos.

Isso tudo em nome do rentismo internacional que, para sobreviver, em especial após a derrota nos Estados Unidos, necessita destruir as Nações ao redor do mundo. O golpismo, com a PEC 55, já permitiu aos bancos apropriarem-se de, pelo menos, metade do Orçamento da União. Ao mesmo tempo, sob o comando do PSDB, Temer aposta no desmonte dos bancos públicos de investimento, a começar pelo BNDES.

A recessão econômica, que avança ferozmente, empurra milhões de trabalhadores para o desemprego e a sociedade ao conflito social. O caos nos presídios e, agora, a explosão de violência em Vitória, são o estopim do “austerícidio” cometido pelo governo federal, seguido pelos estaduais. As reformas previdenciária e trabalhista vão jogar ainda mais lenha na fogueira de uma inevitável rebelião.

Ao mesmo tempo em que se engalfinham em disputas de poder os golpistas desmoralizam-se diariamente diante da população. Um ex-secretário com biografia questionável, por meio da chantagem torna-se ministro da Justiça e, agora, ameaça comprometer definitivamente o STF. A prisão do “hacker” que espionou Marcela Temer, e o conteúdo de seu celular, ao que parece passaram a valer mais que as delações da Lava Jato. Assim, ao desmonte das estruturas de Estado, soma-se a desmoralização das autoridades.

Diante disso, o rentismo internacional e seus lacaios internos tentam desviar as Forças Armadas de suas funções constitucionais para transformá-las em “polícia” nos conflitos sociais. Diante da ausência da autoridade pública, é de se esperar que as Forças Armadas cumpram seu papel em defesa do Estado nacional. As Forças Armadas, em toda sua história, nunca abandonaram seu compromisso com os destinos da Nação.

Em recente artigo, no âmbito da reforma da previdência o Comandante do Exército, general Villas Bôas, deixou claro a contrariedade dos militares com a situação atual. “O que a sociedade deseja de seus cidadãos fardados: “profissionais militares, com prontidão, motivação e dedicação exclusiva, ou milícias, cuja disponibilidade permanente à Nação ficaria limitada por direitos individuais regidos por legislação trabalhista ou conchavos espúrios?”. Em outras palavras, o que está em questão é se o Brasil quer torna-se uma Nação ou um protetorado qualquer.

Enquanto desqualificam e humilham as Forças Armadas, empurrando-as para cumprir o papel de polícia, os golpistas promovem a destruição da política de defesa nacional, construída ao longo da nossa história, em especial nos governos de Geisel e Lula. Não por acaso, um dos primeiros alvos da operação Lava Jato foi o Almirante Othon, o “pai do programa nuclear brasileiro”, condenado a 43 anos de prisão pelo preposto Sérgio Moro. Na sequência, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, ressuscitou acordo para entregar a Base de Alcântara ao norte-americanos.

As Forças Armadas brasileiras rejeitam profundamente o papel de “capitães do mato” e jamais serão uma guarda pretoriana de qualquer Império. Antes de criticar infantilmente os militares, é preciso defenestrar quem destrói as instituições nacionais e empurra as FFAA para cumprir um papel que não é delas. Como bem disse o general Villas Bôas, é preciso retomar as rédeas da Nação, e “não desfigurar a essência das nossas Forças Armadas, ferindo de morte a alma de seus militares”.

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Um comentário sobre “A crise, a Nação e as Forças Armadas

  1. Apesar de concordar com o teor do texto, tenho muitas dúvidas hoje quanto ao poder de quem decide dentro das forças armadas… Sei que muitas cabeças pensantes passam por um período de “forja” nos Estados Unidos. Tenho receio que isso os deixe equiparáveis ao sr Moro quanto ao viés do para qual interesse realmente trabalharão neste momento delicadíssimo para s nação.

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