O Papel Forte e a Ponte para o Futuro

Fernando Rosa*

O Brasil sofre um ataque externo sem precedentes em sua história, tendo a Operação Lava Jato como aríete dos interesses estrangeiros. A cada dia fica mais clara a estratégia de destruição do Estado Nacional, das instituições e do moral e orgulho dos brasileiros. Além do território, da economia, dos direitos sociais do povo, a identidade nacional está perigosamente ameaçada.

Diante disso, deveria causar estranheza nos setores políticos mais avançados do país a passagem em branco do último dia 21 de abril. Data em que o simbolismo do herói traído, perseguido, preso e enforcado por defender os interesses do Brasil e seu povo mereceria grandes eventos. No entanto, a imagem que ficou foi a condecoração militar, na véspera, do cidadão que cumpre às vezes do Silvério dos Reis moderno.

Talvez a razão disso seja a própria a incapacidade da esquerda em perceber a nova realidade da luta política – mais do que de classes – no mundo. No Brasil, estão todos mais preocupados em criticar a vitória de Trump na eleição norte-americana, do que entender as razões do fenômeno. Apesar da profundidade da crise, os discursos e alternativas que surgem desviam olimpicamente do inimigo central – o sistema financeiro.

Sem entender que o sistema financeiro é inimigo da democracia, das economias nacionais, das Nações, não se chegará a lugar nenhum. Sem identificar o inimigo não existe combate eficiente, menos ainda arregimentação dos “exércitos” necessários para o enfrentamento. É preciso algo maior, mais amplo, que envolva o conjunto de demandas dos mais diferentes setores políticos, sociais e minorias.

Em artigo anterior, escrevemos que “a confusão ideológica instalada pela globalização neoliberal, especialmente no campo da esquerda, é talvez a maior dificuldade para avançar a luta dos povos atualmente”. “Acordos econômicos supranacionais lesivos, desconstrução de culturas e ilusão de benefícios globais levaram lideranças, partidos e povos a abrirem mão das suas identidades nacionais”, dissemos. “Esse processo não é de hoje, vem sendo aplicado há décadas, com base na espoliação do capital financeiro, apoiado pela indústria bélica norte-americana”.

“O erro de toda uma parte da esquerda é pensar que o compromisso com a Nação necessariamente leva a formas negativas de nacionalismo”, afirmou a teórica belga Chantal Mouffe em entrevista ao jornal francês Le Figaro, reproduzida pelo blog O Cafezinho. “Eu acredito, ao contrário, que este compromisso pode ser mobilizado de uma forma muito progressista”, acentua ela. Na entrevista, ela cita como exemplos dessa nova compreensão os partidos Podemos (Espanha) e França Insubmissa, de Jean-Luc Melenchon – ao que se somar o fato de que o “nacionalismo” na América Latina tem origem e tradição popular, trabalhista e mesmo de esquerda.

Por tal incompreensão, deixamos que o ataque ao agronegócio, no caso da Carne Fraca, fosse apenas um problema dos “inimigos” do latifúndio, e não uma grave questão nacional. Da mesma maneira, deixamos sem respostas ataques à nossa indústria de defesa, em especial ao submarino nuclear, e seu principal mentor, o Almirante Othon. Sem falar na capitulação “republicana” à Operação Lava Jato, com seus operadores “empodeirados” por lógicas e instrumentos externos.

Abdicar da defesa da Nação, como insistimos em seguir errando no Brasil, é capitular diante do neoliberalismo, em última instância, do sistema financeiro. Os exemplos dessa postura pipocam diariamente, seja na forma da defesa de “frentes de esquerda”, ou de manifestos economicistas, que oferecem superávit primário menor para saciar a fome de quem já abocanhou todo o Orçamento da União. É mais fácil culpar “pobre que vota na direita”, os americanos que votaram no Trump ou, agora, acusar os franceses de “xenófobos”.

A eleição da França, embolada, e decidida, em parte por uma ação terrorista de origem nada duvidosa, aponta caminhos de análise, postura e novas estratégias para a luta dos povos do mundo. O candidato Melenchon avançou com suas propostas claras de defesa da França, aberta e solidária, mas contra as guerras, a ditadura da União Européia, pelo fim da OTAN e controle social da mídia. As crises também servem para superar conceitos ultrapassados e gestar novas teorias aos agentes políticos.

O país está à deriva, como disse recentemente o comandante das FFAA, o governo Temer apodrece em praça pública e as instituições implodiram. Lula, o maior líder da história moderna do país, corre o risco de ser “enforcado” por ordem do sistema financeiro e seus capangas internos, da mídia e do judiciário. Atônitos, os brasileiros apenas sofrem com as maldades diárias dos golpistas, sem entender a origem das bordoadas.

A situação do Brasil também remete à Guerra Brasílica, tanto aos combatentes das três raças, que garantiram a defesa do território brasileiro, quanto aos traidores da nacionalidade, já então chamados de “entreguistas”. Se temos lideranças que resistem ao desmonte do Estado, outros tantos se converteram em novos “Judas do Brasil”, a exemplo do Padre Antônio Vieira. Embaixador de Portugal junto aos holandeses, Vieira tentou entregar o Nordeste em troca de outros interesses – posição expressa em texto PAPEL FORTE, de 1648, após a primeira batalha de Guararapes.

É preciso superar a dificuldade ideológica e política e enfrentar o verdadeiro inimigo dos brasileiros e do mundo de maneira destemida e eficiente. A bandeira da Nação precisa ser empunhada por quem tem o dever de fazê-lo, em nome da defesa do Brasil, dos interesses nacionais e do povo. O nacionalismo amplo, vinculado à soberania, e claramente solidário e internacionalista, como é a nossa tradição, é tarefa de todos os patriotas e o caminho da unidade, da luta e da vitória.

* Com Felipe Camarão.

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2 comentários sobre “O Papel Forte e a Ponte para o Futuro

  1. “Paulo Skaf estava na cota dos 10 milhões de Temer, diz Marcelo Odebrecht”
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2017/06/27/paulo-skaf-estava-na-cota-dos-10-milhoes-de-temer-diz-marcelo-odebrecht/

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    Este é o BACANAL BRAZZILL…o mesmo país onde toda a cúpula do futebol brasileiro nem pode sair do país e aqui ninguém nem se mexe…

    Pois é…
    Há diferença entre a quadrilha e o deus do temeroso intestino de merda? Que coisa, né? É uma fossa negra…

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