Lava jato está tornando o Brasil inviável

Pedro Aguirre de la Serna – Nas conversas que tenho tido com empresários, eles têm se mostrado muito preocupados. Não só com os negócios atuais, que estão todos indo muito mal. Estão precupados também com o futuro. E em particular com os custos e a gestão de seus empreendimentos.

Um deles me traduziu esta preocupação em números. “A gente viu aí nas denúncias: entre 1 e 3% do valor dos contratos é o percentual da política. Agora, quanto vai custar o judiciário?”

De fato, acompanhando as delações e denúncias, oscilou em torno de 2% o valor negociado em cada contrato para as campanhas e os partidos, quando não para o bolso do próprio político. Ou seja, do ponto de vista empresarial, este foi o custo médio do financiamento da política nacional ao longo das últimas duas décadas.

O custo Sergio Moro

Em tempos de Lava Jato, tudo está mudando. E para pior. Os empresários, enquanto aguardam o fim da recessão, já se preparam para o novo momento que virá. Buscam se organizar de um modo diferente. E colocam em seus planos um acréscimo de 10 a 15% em seus custos.

A reorganização do setor, caso a crise não resulte na construção de uma legislação eleitoral que resolva o tema do financiamento eleitoral e partidário, aponta para a necessidade de maior profissionalização e elevação de custos. Nenhum dono de empresa pensa mais em fazer negócios diretos com políticos. Todos estão reorganizando suas operações e colocando prepostos para realizar este trabalho. “O Brasil vai virar um paraíso para os lobistas”. E lobistas caros. Estes “executivos”, se antes aceitavam trabalhar por 100, agora só se movem por mil.

O raciocínio é objetivo. “Não existe política sem que a gente financie,” me afirmou um empresário, “e isso não vai mudar”.  Para o setor empresarial, o que vai mudar é que a Operação Lava Jato está impondo um risco que antes não havia e um novo custo em qualquer operação. “A insegurança hoje é muito grande. Mesmo que você tenha feito tudo dentro da lei, a empresa não está livre do seu dono ser detido e ser obrigado a fazer uma delação pra sair da cadeia e tentar salvar o negócio. É uma loucura o que esse pessoal está fazendo.”

Ou seja, mesmo o empresário honesto, que atua rigorosamente dentro da lei, hoje teme ser envolvido em algum escândalo, ser até preso e ter de contratar os advogados “especialistas em delações” do Paraná. “É o custo Sergio Moro, compreende?”

Um país de ladrões

Os 2% destinados ao financiamento dos partidos e campanhas, grosso modo eram distribuídos em três modalidades: contribuições legais às campanhas e aos partidos, contribuições ilegais às campanhas via caixa 2 (configurando crime eleitoral) e propinas, pagas em dinheiro ou em contas no exterior (configurando crime de corrupção).

A Lava Jato misturou tudo. Qualquer contribuição empresarial aos partidos passou a ser taxada de propina. Possivelmente tenha feito isso de modo intencional porque, depois do primeiro governo Lula, até caixa 2 (um crime eleitoral que antes do mensalão nunca teve grandes consequências) o PT havia deixado de fazer. Ou seja, seria impossível criminalizar o partido e atingir Lula e Dilma sem criar a ideia de que as contribuições regulares e legais de campanha, assim como o caixa 2, também são atos de corrupção.

No mensalão, foi necessário inventar a teoria do domínio do fato para prender José Dirceu. Agora, era preciso taxar como corrupta toda e qualquer relação de investimento do empresariado brasileiro na política. É esta tese que está por detrás do famoso power point do procurador Deltan Dallagnol. Se esta tese vencer, e não for encontrada uma maneira eficaz e transparente de possibilitar a relação entre economia e política, o custo de qualquer obra ou serviço público vai encarecer muito.

Além de pagar lobistas a peso de ouro para tentar proteger seus empreendimentos, os empresários terão de fazer um caixa para enfrentar os possíveis percalços frente aos savonarolas de ocasião. Esses recursos terão de sair de algum lugar – ou melhor, eles serão incluídos nos custos da empresa. “Pode escrever! O custo Sergio Moro vai fazer aumentar tudo em 10 a 15%.”

Não tenho claro se este percentual é uma projeção correta. Mas é certo que a operação Lava Jato está engordando de modo significativo a conta bancária de uma casta de advogados e seus amigos. No jogo do prende, deleta e solta, a turma do judiciário está ficando rica.

Ao mesmo tempo, um dia depois do outro, desde 2013, o Brasil está ficando mais inviável. E é difícil saber onde e quando esta trajetória rumo ao caos vai parar. Hoje, a ideia hegemônica na população é que somos um país de ladrões que está à deriva. O descrédito, a ausência de esperança já começa a cobrar seu preço.

E o preço é alto.

 

 

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Um comentário sobre “Lava jato está tornando o Brasil inviável

  1. “TENTAM DISSIMULAR, TENTAM LUDIBRIAR, TENTAM, DE NOVO, MANIPULAR… E ESTÃO CONSEGUINDO, DE NOVO.”
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2017/06/15/tentam-dissimular-tentam-ludibriar-tentam-de-novo-manipular-e-estao-conseguindo-de-novo/

    “… DISCURSO FALACIOSO E GOLPISTA QUE TENTA COLOCAR TODOS COMO FARINHA DO MESMO SACO,
    MESMO COM TANTAS EVIDÊNCIAS DE QUE
    TODOS POSSAM ATÉ SEREM FARINHAS,
    MAS DE SACOS E QUALIDADES MUITO DIFERENTES.”

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