O jornalismo da guerra por petróleo

Fernando Rosa – Em tempos não muito longínquos, os jornalões brasileiros creditavam a “viajantes” informações que divulgavam sobre outras regiões e países, geralmente para denegrir lideranças e outros regimes políticos. Um desses casos foi notícia de um grande jornal, nos anos noventa, dizendo que caminhões do governo recolhiam pessoas mortas por fome nas ruas de Pyongyang, capital da Coréia do Norte, ao final do dia. A partir da Guerra do Golfo, a onipresença da comunicação do Pentágono nas redações dos jornais tornou a ação da propaganda imperialista mais sútil.

Nesse final de semana, a Folha de S. Paulo (que apoiou dois golpes de Estado, em 1964 e 2016), decidiu por “decreto” passar a chamar o presidente eleito da Venezuela, Nicolas Maduro, de “ditador”, como sempre fez com Fidel Castro. É o mesmo processo de criminalização que utilizam contra todas as lideranças que contrariam as interesses do Império, como ocorreu com Saddan Hussein e Kadafi, mais recentemente, que terminaram assassinados. Sem confessar suas reais intenções que são, em última instância, defender os interesses do sistema financeiro, a mídia brasileira mente, distorce e calunia como se vivesse no tempos dos “viajantes”.

No caso da Venezuela, diz o jurista Luiz Moreira em entrevista ao jornal Sul21, a imagem do país é profundamente distorcida pela mídia internacional alinhada aos interesses norte-americanos. Por exemplo, explica ele, “foi amplamente divulgado no Brasil a situação de caos e de violência existente na Venezuela, materializada com a morte, em quatro meses, de cerca de 100 pessoas, dez somente nas vésperas das eleições constituintes”. No entanto, compara ele, que foi observador nas recentes eleições, “somente no Rio de Janeiro, no primeiro semestre deste ano, morreram cerca de 5500 pessoas, quase 100 delas policiais assassinados”.

A elevação do tom belicoso contra a Venezuela, nada tem a ver com a defesa de qualquer princípio, em especial relacionado à democracia, utilizada apenas para engambelar setores de classe média, inclusive políticos. Na verdade, o que faz a mídia brasileira e internacional é atender a determinação do governo do EUA de derrubar os governos populares na América Latina, como historicamente fizeram na região. Afinal, onde tem petróleo, tem guerra, e a Venezuela detém a maior reserva provada de petróleo do mundo – logo ali, pertinho dos Estados Unidos.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s